Mostrando postagens com marcador drogas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador drogas. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de junho de 2020

Os tempos modernos e a facilidade de acesso ao conhecimento parecem ter dado ao estudo do ocultismo um desenvolvimento nunca antes visto em sua história. Se imaginarmos as dificuldades que aqueles que vieram antes de nós provavelmente tiveram para fazerem suas investigações, sem acesso a internet ou mesmo bibliotecas físicas e virtuais, poderemos ter uma noção do esforço que fizeram para chegar aonde chegaram. E talvez isso também explique o porque de muitos destes terem se destacado não apenas neste campo do conhecimento mas em muitos outros, igualmente, ou quem sabe, ainda mais importantes para o desenvolvimento da humanidade. 

Nos dias de hoje declarar-se ocultista costuma gerar dois tipos de reações que em muitos casos estão relacionadas as próprias posturas e convicções dos indivíduos que assim o ouvem. Para alguns, tal enunciação gera um certo espanto, pois creem que aquele que assim se intitula seja alguma espécie de ser das trevas que faz pactos com demônios, assassina crianças nas horas vagas, veste um avental e conspira para, através de algum plano mirabolante, dominar o mundo. Para outros, tudo isso não passa de uma tolice e perda de tempo, e são estes também que costumeiramente nos comparam aos tipos bizarros que se apresentam em redes sociais ou programas televisivos, prometendo trazer o ser amado em 24 horas por uma boa quantia em reais, que dizem que podem provar a existência de Deus através da "física quântica", ou que falam por aí que bolores oriundos de infiltração são na verdade almas grudadas em seu banheiro. 

É mesmo uma pena que a ignorância e a falta de divulgação e pesquisa tenham criado esses tipos de conceitos sobre este caminho que sempre buscou entender o espiritual de forma racional e as razões para a nossa existência neste planeta. Quem sabe se um dia nas escolas tivessem nos ensinado que Isaac Newton fora um físico mas também um ocultista, as pessoas levassem tudo isso mais a sério. Que Platão fora um filósofo mas também um ocultista de seu tempo, as pessoas levassem tudo isso mais a sério. Que Pitágoras fora um matemático mas que provavelmente adquiriu seu conhecimento através do templo do deus Ptah, no Egito, e por isso seu nome, "Ptahgoras", as pessoas levassem tudo isso mais a sério. As personalidades históricas são várias. Os feitos, grandiosos. As conexões, inegáveis. 

Mas tudo bem que alguns não levem o ocultismo a sério. Pois ainda existem aqueles que assim o fazem.

MAGIA TRADICIONAL é um livro escrito por Kayque Girão, com 128 páginas, divididas em 3 três partes e foi publicado no ano de 2019 pela Daemon editora.

O imaginário humano. Assim nos introduz nesta obra Rafael Resende Daher, levando-nos a refletir sobre como nossa mente fora capaz de pensar os mais diversos tipos de seres fantásticos, tais como espíritos e deuses sob as mais diversas formas e personalidades, para explicar este estranho sentimento do além. Não, o editor não sugere que a imaginação seja um elemento isolado e destacado da realidade, como se tivesse a única função de preencher uma lacuna neurótica presente em nossa mentalidade, pintando em nosso imaginário o absurdo. Nem tampouco nos parece esta uma premissa ateística. Mas sugere que a imaginação seja também uma ferramenta usada por nosso cérebro para nos conectar aquela estranha sensação da existência do espiritual, que por não podermos provar, ou perfeitamente explicar, nos força a comparar e imaginar.

A partir desta premissa, o próprio avanço científico e desenvolvimento do homem em busca da verdade fora capaz de alterar a maneira como a imaginação sobre o divino deu-se no decorrer de milhares de anos, para alguns, sempre baseada sobre esta mesma certeza do além. Deus poderia até mudar de forma, ou mesmo posição, as  vezes visto de maneira verticalizada, as vezes horizontalizada, ou até mesmo negado, mas sempre presente. Da sua imaginação e função, toda uma miríade de seres, conceitos e sistemas surgiriam com a genuína intenção de compreender. Daí nasceria então a filosofia oculta.

Daher introduz a obra destacando o trabalho de pesquisa de Kayque Girão, os temas abordados pelo autor, tais como o da Astrologia, dos sonhos e das drogas, sua lucidez e fundamentos para tratar do ocultismo sem com isso ignorar sua evolução de prática e desenvolvimento de seu conhecimento. 

Girão abre o livro nos falando sobre as conexões existentes entre a Magia e a Astrologia, da importância que a última tivera para agricultores a partir da observação de correlações entre o movimento dos astros, os plantios e colheitas, estações e demais conhecimentos adquiridos e associados, fazendo com que o astrólogo, que predizia, se tornasse também o mago, que controlava, conectando ambas as funções em um só ofício. O desenvolvimento do próprio conhecimento fez com que tal ciência se tornasse cada vez mais complexa, e aparentemente inacessível para aqueles que não lhe fossem totalmente dedicados. Para além disso, elementos religiosos acabaram por mesclar-se as próprias ideias astrológicas fazendo com que tal ciência se dividisse em vários segmentos, ora alinhados com elementos mágicos e magia talismânica, ora separados e voltados para uma relação especulativa com o divino e o destino do homem. Expoentes renomados destas ideias são apresentados  de forma mais ou menos cronológica, além de elementos religio-sócio-políticos de cada local e época, que neste ensaio, visam, conforme afirmação do autor, demonstrar que a Astrologia não é tão complexa como parece, especialmente em tempos de facilidade tecnológica.

Na segunda parte do livro, Kayque nos fala sobre drogas, o uso de tais substâncias no decorrer do tempo pelas mais diversas culturas, tais como: os hindus e gregos com o vinho, os judeus e a maconha, thelemitas, tal como Crowley, e a cocaína, além de citar Abramelin e o uso de seu óleo sagrado, provavelmente adicionado a canábis, e sua experiência com uma feiticeira que dizia poder comunicar-se com outras pessoas a quilômetros de distância quando besuntada por seu unguento.
Aqui o autor expõe ainda sua experiência pessoal com o fumo, lá pelos idos de 2014/2015, quando trabalhava como médium de Umbanda, percebendo então a conexão que o mesmo estabelecia com os espíritos, alterando o espaço e as consciências com sua fumaça, além de relatar suas vivências com o chá conhecido popularmente como Ayahuasca, ou Santo Daime.

Na terceira e última parte,  Girão nos fala sobre o ato de sonhar ser intrínseco a humanidade, e portanto, pretende traçar um caminho intermediário entre os extremos do academicismo e do misticismo, de modo a auxiliar o buscador em sua senda onírica. Ressaltando que o trabalho psicológico se faz tão importante quanto o mágico neste quesito, vide que em muitos casos os sonhos tratam simplesmente de nossas vivências ordinárias, a Arte Onírica encerra a obra.

Kayque Girão nos introduz a cada um dos temas com a qualidade que há anos vem apresentando em seus textos publicados nas redes sociais. A exposição de suas ideias nestes ensaios, com seu pensamento crítico, experiência pessoal, citações de autores clássicos e modernamente já consagrados, além de bibliografia, deixam claro que o ocultismo nacional tem, sem dúvidas nenhuma, um ótimo futuro pela frente se orientado por autores e trabalhos que compartilhem deste nível de qualidade. 

por Allan Trindade


Para adquirir MAGIA TRADICIONAL, acesse:



domingo, 2 de dezembro de 2018

Sempre pensei sobre o absurdo que era uma figura tão famosa quanto Baphomet não ter uma publicação inteira dedicada a seu nome e sua história. Eu mesmo, em um lapso de ousadia, pensei em assumir a responsabilidade de fazer esta pesquisa e, quem sabe, publicar o livro que gostaria de ler. Mas as contas não se pagam sozinhas e as responsabilidades do mundo real acabaram por me fazerem dar prioridade a outros projetos. Mas tudo bem, pensei, alguém há de preencher esta lacuna um dia.

 O LIVRO DE BAPHOMET é um livro com capa dura, escrito por Julian Vayne e Nikki Wyrd, com 223 páginas, divididas em 36 capítulos e foi publicado no ano de 2017 pela editora Penumbra.


O universo e sua origem é uma incógnita. Fruto de teorias das mais diversas, tanto no campo da ciência e especialmente no campo da religião, este lugar tão vasto e desconhecido por nós, não se permite desbravar de maneira fácil. Talvez porque, tal como o mar, seja profundo. Assim como também o é nossa mente. Tudo aquilo que é profundo, parece nos dizer a natureza, é difícil, labiríntico, inacessível pelos meios convencionais. Porém, complexo não é sinônimo de impossível e o ser humano sempre se arrisca. Neste livro tudo começa assim, bilhões de anos atrás, a gênesis das estrelas, planetas, da Terra e nós, como consequência de tudo isso. Por um segundo até pensamos que esta seria uma publicação científica ao invés de ocultista. Mas calma, há uma razão para isso.

Aqui tudo pretende mostrar-se interligado. Que a impressão de separação dentre coisas, teorias, tempo, ou o que quer que seja, são ilusões e que este próprio livro é uma teia que entrelaça as mentes dos autores e a 'terceira mente' - com seus muitos nomes genéricos e por vezes antropomorfizados -tão amalgamados aqui, que não há mais como distinguir o que é autoria de quem se não dos três.

Todo este obscurantismo característico dos fundamentos da criação, chamados por alguns de Deus, por outros de Deusa e por outros tantos de Deuses, aqui é tratado como Baphomet, mistério dos Cavaleiros do Templo, símbolo de Lévi, elemento da OTO, ferramenta da IOT e precursor da Maçonaria. Sob seu aspecto histórico, o destrinchamento começa com os Templários e as conspirações efetuadas por Filipe, o Belo, o Papa Clemente V e a condenação dos Cavaleiros a fogueira tendo como líder e maior mártir, Jacques Demolay.

A partir disso os autores nos apresentam Ordens e filosofias esotéricas que herdariam para si a tradição do uso e interpretação deste ser com cabeça de bode e corpo humano, para explicar suas próprias teorias acerca do universo e a existência. Num tempo onde ocultistas e cientistas se confundiam como sendo um mesmo, Vayne e Wyrd, tratam dos elementos históricos envolvendo figuras como Roger e Francis Bacon, Giordano Bruno, Elias Ashmole, William Harvey, Isaac Newton, o surgimento do conceito de ciência tal qual conhecemos hoje e a formação da Sociedade Real, além de outros. Com o desenvolvimento e a diferenciação dos campos, os autores passam a abordar de forma mais específica os contextos que a partir de Eliphas Levi começariam a tratar Baphomet sob diversas interpretações ocultas possíveis, sempre destacando sua relação com o obscurantismo, a associação feita com deuses pagãos antigos, a natureza e o entendimento deste signo-ser-ideia como anima mundi.

Para além dos pontos históricos, desenvolvidos e espalhados ao longo dos capítulos, alguns textos tem um caráter poético e até mesmo ético que levam o leitor a refletir sobre sua própria participação e interferência neste mundo que vivemos, as responsabilidades que temos para com todos os outros seres que nos circundam e que esta consciência de universalidade e responsabilidade ambiental está intimamente ligada ao conceito de Baphomet. Em seus últimos capítulos, a Magia do Caos é introduzida, e uma série de outras questões são abordadas. Aqui as definições de Carrol são apresentadas, o uso da Missa do Caos B, de sexo e drogas como o DMT, 5-MeO-DMT, e uma série de relatos de experiências e rituais, além de indicações de práticas de alguns deles, tais como o Ritual Gnóstico da Caosfera dentre outros.

O livro fala pouco sobre o Baphomet histórico, muito provavelmente em função do material disponível ser extremamente escasso, sendo mais especulativo que factual na maior parte dos casos. Trata com certa profundidade das possíveis origens dos Templários e toda a relação histórica que se desenvolveu a partir dali, não só em relação a ocultistas como a cientistas, dando especial ênfase a certos aspectos da ciência materialista. É uma publicação de caráter poético, filosófico, com uma inclinação a um certo senso de responsabilidade ética, tendo Baphomet como símbolo do conceito ecológico, e que em seu aspecto mágico, é voltada para praticantes da Magia do Caos. No mais, os autores escrevem muito bem. Cativam e tornam a experiência da leitura, independentemente ao assunto, bastante agradável.


por Allan Trindade





Gostou? Quer comprar O LIVRO DE BAPHOMET em um local seguro, com um preço mais em conta e ainda patrocinar o blog sem isso lhe custar nem um centavinho a mais? É só clicar no link abaixo:
https://amzn.to/2rKe48D





quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Em 1910 fui admitido na Ordo Templi Orientis. Dois anos depois sou Baphomet, o Rei Santo e Supremo da Irlanda, Iona e todas as Bretanhas no santuário da gnose...sou o chefe da Ordem inglesa. Começo a preparar rituais novos e melhores, incorporando o Livro da Lei nos ensinamentos da OTO. É 1915 e, tendo capturado, adorado, sacrificado e consumido um sapo sagrado, eu alcanço o grau de Magus... To Mega Therion. Em 1923 sou nomeado chefe internacional da Ordem. Título que levarei pelo resto da vida. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, apenas a sede californiana da OTO sobrevive. As sedes europeias foram violentamente suprimidas pelos nazistas. Eles próprios não eram estranhos ao mundo do oculto. É 1937 e estou ganhando a vida vendendo pílulas do Elixir da Vida. São feitas de calcário, açúcar, goma arábica e meu sêmen. Vendem bem para mulheres ricas.

A memória se apaga - estou na escuridão...uma alma à deriva no vento solar. - Cap. V

ALEISTER CROWLEY é um livro em quadrinhos, capa dura, produzido por Martin Hayes e RH Stewart com 157 páginas, divididas em 8 capítulos e publicado no ano de 2018 pela editora Chave.


Esta é uma obra de ficção baseada em fatos reais. A história começa em Netherwoods, com Crowley já velho, mais precisamente em 1947, quando recebe a visita de William Keyes, um homem interessado em escrever sua biografia. Aleister aceita e a trama então começa a ser contada conforme a memória do mago. Sua infância e a relação conturbada com sua família: cristãos fundamentalistas do segmento Plymouth Brethren, que criam na volta repentina de Jesus. Sua revolta após a morte inesperada de seu pai, culpa, em partes, de suas crenças. O encontro com Julia Baker e Cecil Jones e a entrada na Golden Dawn. A amizade com Allan Benett e o uso de drogas. As práticas com Goetia. O rápido desenvolvimento mágico na Ordem e a confusão com os membros e Mathers. O casamento com Rose e o recebimento do Livro da Lei. A criação da Abadia de Thelema. Sua morte.

Como introdução, esta é uma boa obra de ficção, com um roteiro resumido complementado por alguns elementos fantasiosos.  Embora a distinção de fato e mito possam preocupar o leitor não familiarizado com sua biografia, um capítulo denominado Exegeses se destina a distinguir cada um dos elementos reais dos ficcionais. Portanto, sinta-se confortável para desligar o senso crítico por alguns minutos antes de adentrar nos aspectos factuais da vida do biografado. Entretanto, se quanto ao roteiro e explicações não temos do que reclamar, em relação a arte dos quadrinhos sentimos que deixou a desejar. As ilustrações de RH Stewart são desconexas, não seguem um padrão de traço, em muitos momentos são escuras e confusas, chegando ao ponto de serem sujas até, dando por vezes a impressão de rafe ao invés de arte final.

A cada ano a vida de Crowley parece suscitar mais e mais interesse de ocultistas e curiosos. Conturbada, fascinante, polêmica, satânica, lamentável... são alguns dos diversos adjetivos dados pela maioria quando questionados sobre. Perceba que o todo costuma ser sempre negativo. Talvez por desconhecimento. Talvez por gosto. Talvez por ignorância em saber sob quais preceitos místicos este homem guiou sua vida. Num mundo onde o sucesso costuma ser medido por quão famoso um alguém é ou por quantos zeros possui sua conta bancária, considerar que aquele menino, nascido em berço de ouro, um milionário descendente de uma família tradicional cristã, terminaria seus dias sem dinheiro e afirmando ser a Grande Besta apocalíptica, é para muitos um fim trágico.

Mas aqueles que assim o consideram ignoram toda a trajetória de vida deste homem. Do quanto suas atitudes e investimento representam a vanguarda de seu tempo. A quebra de paradigmas, os apontamentos da hipocrisia, a criação de uma nova religião que garantisse a liberdade de toda a humanidade, o reduzir-se ao mínimo para elevar-se ao máximo, o transformar a si próprio naquilo que cria como fundamento básico: que todo homem, não importa como comece, e toda mulher, não importa como termine, é sem dúvidas e sempre, uma estrela. 

por Allan Trindade


Gostou? Quer comprar ALEISTER CROWLEY em um local seguro, com um preço mais em conta e ainda patrocinar o blog sem isso lhe custar nem um centavinho a mais? É só clicar no link abaixo:
https://amzn.to/2qAhAhQ




sábado, 13 de maio de 2017


Duas palavras. Basta que apenas duas palavras sejam ditas, e como num passe de mágica, as mais diversas reações são extraídas dos mais variados tipos de pessoas ao redor de todo o mundo. Do constrangimento ao riso, da curiosidade desavergonhada a pesquisa oculta e temerosa dos olhares críticos, são elas que dão título a este livro e através dos séculos  atravessam gerações, nos desafiando a questionar sobre qual deva ser o motivo para tamanha fama.



Sexo!...é a primeira resposta que nos vem a mente. Propagado como um manual perfeito para a arte do prazer, para a maioria de nós, não há dúvidas de que este título é sempre uma alternativa acertada para o tédio da rotina de um casal. Se este fosse um daqueles jogos de charadas, é bem provável que com estas dicas você já tivesse adivinhado sobre que livro estamos falando. 



Ousamos afirmar que não importa em que lugar do globo se esteja, a idade que se tenha, a convicção política que apoie, a religião que se professe, todos já ouviram falar nestas duas palavrinhas que dão nome a este famigerado texto hindu, que apesar de idoso, carrega a fama do tesão e criatividade de um jovem de apenas 20 anos...



O KAMA SUTRA é um livro escrito por Vatsyayana, publicado no ano de 2013 pela editora L&PM Pocket com 237 páginas divididas em 7 partes.



Esta é uma versão integral, reproduzida tal qual sua versão original, e especula-se que tenha sido escrita em algum momento dentre os séculos I ao VI, pelas mãos de um homem religioso a qual se tem pouca informação sobre as condições que possuía ou da vida que levava.



Vatsyayana é seu autor, mas em 1883 foi Richard Burton o responsável pela tradução do texto para a língua inglesa dando assim um dos pontapés iniciais para a grande fama dos Aforismos Sobre o Amor no mundo ocidental. Com uma biografia repleta de aventuras e disfarces literais pelos meandros exóticos de vários continentes, digna de um legítimo Indiana Jones, Burton fora um cronista dedicado e um inveterado explorador de novos mundos. 



Em seus comentários, Richard nos explica as razões que o levaram a traduzir esta obra em específico – graças as constantes citações dos sacerdotes hindus ao sábio Vatsyayana e sua curiosidade sobre quem teria sido, e o que teria dito, esta figura emblemática -, além de referenciar uma série de outros textos eróticos, produzidos sob influências deste título. Nota-se que desde seu princípio este livro tem sido usado como inspiração para outros trabalhos. Entretanto, nos dias de hoje, o que existe é uma apropriação do título como forma de propaganda, para expor um conteúdo por vezes absolutamente pornográfico que se distancia consideravelmente de seu contexto original.



Consideramos pertinente ressaltar ainda que erótico e pornô são conceitos distintos.



Em sua introdução, Vatsyayana esclarece que seu livro é na verdade uma compilação de outros escritos, aos quais perdidos e espalhados pelas adversidades do tempo, se viam em estado praticamente impossível de serem obtidos de maneira integral. Desta forma, apresenta esta obra como um resumo dos textos destes outros autores que o antecederam. 



Antes de mais nada é preciso que se compreenda que o Kama Sutra se apoia sobre um conceito: pretende-se como um manual para a prática e experiência do Kama. As ideias, quando resumidas, são aparentemente simples, mas podem confundir as mentes daqueles não familiarizados com a cultura e religião hindu. Estas premissas são aqui classificadas como conhecimento, Kama, Artha e Dharma. 



Segundo ainda seu autor, na infância o homem deve se preocupar com o conhecimento. Na velhice com o Dharma, ou seja, com o trabalho religioso e a obediência as Sagradas Escrituras Hindus. Mas é com a juventude e meia-idade, ou com Artha – a obtenção de riquezas – e mais especificamente o Kama – a prática e vivência do amor -, que se ocupa seus escritos. A partir desta conjuntura entende-se que apesar da indicação para o estudo do Kama Sutra, o homem que ignora as outras três práticas está fadado ao fracasso.



Longe de ser um manual de posições sexuais, o livro apresenta uma série de indicações sobre como deve ser a conduta das pessoas na vida social com foco no relacionamento. 



É majoritariamente destinado a homens, e dentre suas diversas classificações e recomendações, que oscilam entre o cômico e útil, - supomos para aqueles encerrados naquele período e recorte cultural - fala sobre como deve ser uma casa ideal, de seus cuidados para com seus criados, da boa recepção com os amigos em seu lar e da lida pública com prostitutas. Sobre a relação com homossexuais, quase exclusivamente referenciados para a prática do sexo oral, além de maneiras de criar consolos e receitas para aumentar seu pênis.



Como conquistar sua mulher, trair ou convencer a esposa do outro, incluindo neste conjunto alguns métodos considerados criminosos pelas leis modernas; como a aplicação de drogas na pessoa desejada e estupro da mesma – recomendado apenas em último caso.  



Para as mulheres, destinam-se indicações para serem zelosas por seus maridos e artes, e no caso de não casadas, sobre como serem bem sucedidas no ofício da prostituição.



Mas é por vezes também ingênuo, por listar tipos e dar nomes a abraços, beijos, arranhões e mordidas, supostamente praticados durante o ato sexual como indicativos de determinados sentimentos ou intenções...como se tais coisas fossem possíveis classificar. 



Além de meia dúzia de descrições sobre as posições sexuais, as famosas e extravagantes imagens contidas em livros outros que roubam o nome deste título para vender, e que muitas vezes desafiam até os mais experientes dos yoguins para sua execução, simplesmente não existem aqui. E quando falamos meia dúzia não estamos necessariamente exagerando já que isso é o que menos se vê neste livro.



O Kama Sutra tem uma inegável importância histórica e é sem dúvidas um dos livros mais conhecidos do mundo e só por isso, sua leitura pode vir a ser recomendada. Entretanto, os conceitos sobre conhecimento, Kama, Artha e Dharma continuam atuais, e com as devidas adaptações aos nossos tempos, podem servir como referenciais de base para a conduta de homens e mulheres, de modo a levarem uma vida plena e satisfatória. 



E isto é tudo. Sua fama definitivamente não faz jus a seu conteúdo: está velho e ultrapassado, e por que não dizer; broxante!
Para aprender sobre sexo vale mais ouvir as mentiras que o povo conta sobre esse livro do que lê-lo.

por Allan Trindade

Gostou? Quer comprar o KAMA SUTRA em um local seguro, com um preço mais em conta e ainda patrocinar o blog sem isso lhe custar nem um centavinho a mais? É só clicar no link abaixo: 
https://amzn.to/2pnd5GV




domingo, 16 de abril de 2017


Paulo Coelho foi um dos meus primeiros mestres. Lembro-me até hoje quando, há cerca de 15 anos atrás, fiz  pela primeira vez a leitura de seu livro Brida. Eu, um pré adolescente que vivia o desejo de ser mago através dos dados, fichas e interpretações de personagens em jogos de RPG, vi em seu romance o mundo de encanto que eu sempre esperei viver, mas sempre pensei existir apenas nos filmes de Walt Disney.


O Diário de Um Mago surgiu apenas para aumentar ainda mais minha vontade: agora, além de ter a certeza de que a magia acontece no mundo real, através dele eu descobriria que ser um magista não era um dom, mas um ofício aprendido com muito estudo e prática, através de um tutor! 



Eu era uma 'criança', e como tal, agia como todas agem quando descobrem quem é o seu super herói favorito; não me interessava pela super força de um alienígena que ironicamente era chamado de Super Homem, não queria saber das garras e do jeito tosco do Wolverine, pelo Homem Aranha e sua relação com um dos aracnídeos que mais me causa pânico nesta vida, e muito menos por um cara que quando está puto, triplica de tamanho, fica verde e sem qualquer critério sai quebrando tudo, como o Hulk. Meu herói precisava ser um indivíduo que, através da inteligência e poderes especiais, conseguisse ter o que ele quisesse nesse mundo...


Adquiri todos seus livros, e em alguns casos, comprei até mesmo exemplares repetidos, só para ter um mesmo título com capas diferentes. Numa época onde a internet praticamente não era acessível, a falta de informação unida a um forte desejo criaram a ideia de uma realidade que provavelmente só existia na minha cabeça. Sim! Ele era meu mestre, me visitava de tempos em tempos nos meus sonhos, me levava para conhecer pessoas estranhas, falava e apresentava símbolos ocultos que eu não conhecia, me dava tarefas e ressaltava a importância de ser paciente...até hoje tenho em meus diários os detalhes destes momentos.



Descobri o endereço de seu instituto, escrevi-lhe falando do meu desejo de encontrá-lo fisicamente, mas tudo que recebia eram xerox de cartas prontas em agradecimento, com mensagens de natal. Se nos comunicávamos no Astral, por que tanta dificuldade para nos encontrarmos no Plano Material?! Mas eu não desistiria tão fácil. Minha persistência e pesquisa  revelariam aquilo que o planeta inteiro sabia, menos eu. 



A realidade, que não mede tamanho ou idades, chegou sem aviso prévio e desferiu um tapa no meio da minha cara que me despertou de todo aquele sonho para uma ingrata lição: Paulo Coelho não era meu vizinho, morador da zona sul do Rio de Janeiro, que a qualquer momento poderia me chamar para tomar um suco e falar sobre ocultismo em seu apartamento; mas um cidadão do mundo, escritor milionário, internacionalmente famoso, que muito provavelmente nunca soube da minha existência. 



A partir daquele momento eu caminhava só. 



Os sonhos cessaram. Anos se passaram, descobri outros autores que inegavelmente me ensinaram muito mais que seus romances e sua presença literária foi se tornando cada vez mais distante e escondida no fundo da minha estante. Mas uma dúvida sempre permaneceu viva na minha memória: afinal de contas, quem é este homem que dividia sua carreira profissional entre músicas e livros, viaja o mundo em nome de uma Sociedade Secreta que poucas pessoas ousam afirmar ser real, flerta com bruxas e pratica magia mesmo sendo abertamente um católico que dedica muitas de suas obras a Virgem Maria?


O Mago é um livro escrito por Fernando Morais, publicado no ano de 2008 pela editora Planeta com 632 páginas e dividido em 30 capítulos.



Antes de tudo é preciso que você mantenha em mente que esta é uma biografia autorizada por Paulo Coelho e que, portanto, as informações contidas neste título passaram pelo seu crivo. Tendo isso em vista, e antecipando alguns relatos estranhos apresentados pelo biógrafo, ao menos para nós, ocultistas, algumas questões passarão toda a leitura em aberto e te farão questionar por que um indivíduo que chama a si mesmo de Mago e empresta seu título ao livro, dá tão pouca importância a detalhes e precisões técnicas da sua relação com aquilo que chamamos e conhecemos como esoterismo.



Nascido na cidade do Rio de Janeiro, no dia 24 de agosto de 1947, foi natimorto em função da ingestão de mecônio, líquido amniótico e reanimado – segundo suas crenças - graças a ação mágica de sua mãe, que intercedeu por sua vida através de uma promessa feita a São José. De classe média, porém residente de uma vila familiar e superprotegido por pais católicos que tinham o desejo de ver o filho ingressar numa escola que fosse uma extensão das regras e duras disciplinas impostas em casa, ano após ano veriam seus planos frustrados pelo primogênito da família. 


Paulo faz uso constante do I Ching
para tomar suas decisões.

A vida em sua infância não fora tão fácil: além dele, mãe e irmã viviam em condições financeiramente limitadas graças ao sonho e investimento permanente do pai para a construção de uma mansão na Gávea, e a única exceção se dava para o estudo: Paulo tinha que estar nos melhores colégios. Entretanto o desejo de seus genitores parece não ter sido herdado pelo menino, que não apenas tinha um péssimo desempenho escolar, como já dava seus primeiros sinais de rebeldia e envolvimento com coisas ocultas: com cinco anos de idade criara sua própria sociedade secreta, a Organização Arco – junção das duas primeiras letras do sobrenome de seu primo, Araripe e do seu, Coelho. Especializada em sabotagens dentro da vila, a organização tinha documentos próprios e planos de ação; como estragar a maquiagem de suas primas, além de promover corridas de pintos que davam ao filhote vencedor a oportunidade de continuar vivendo e condenava os perdedores à morte por estrangulamento.



A compensação para a rigidez e os castigos que recebia por suas traquinagens vinha com as viagens para a casa de um tio excêntrico e abastado, morador de Araruama, que o introduziriam as primeiras experiências sexuais e fariam contraste com a culpa e a ideia de pecado fortemente marcada pelos ensinamentos e retiros católicos aos quais era submetido. Paulo descobre a poesia, que logo abandona e em seguida o teatro, onde começa a construir seu sucesso. O passar dos anos fariam ter uma certeza cada vez mais pungente e que o marcaria para sempre; a de ser escritor! 



As brigas constantes com sua família e as diferenças de objetivos contribuiriam fortemente para suas crises existenciais e depressão. Entre farras interestaduais e planos mirabolantes para impulsionar sua carreira profissional, trabalhou sem remuneração para jornais para poder ver-se livre das regras de sua casa e estar mais próximo dos intelectuais da sua época, quase foi assassinado após pegar um carro e atropelar uma criança de forma acidental, sacrificou uma cabra após evocar o Anjo da Morte e desistir do suicídio. Questionou sua própria sexualidade e foi para cama com homens sendo ativo e passivo. Apesar de constantemente referido como feio, viveu rodeado de mulheres, as quais nunca foi sexualmente fiel, mas concluiu, para alívio de sua mãe, que era apenas por elas que tinha interesse. Mergulhou nas drogas, foi internado por três anos consecutivos no Dr. Eiras por seus pais que duvidavam de sua sanidade mental e pego por duas vezes pela ditadura, primeiro por um mal entendido ocorrido numa viajem ao Paraguai e em seguida pelo envolvimento com Raul Seixas, Thelema, Sociedade Alternativa e suas músicas suspeitas.


O selo da A.'. A.'.

Neste momento, Paulo no auge de sua juventude, descobriria na magia a solução para todos os seus problemas. Após conhecer os livros de José Ramon Molinero, também conhecido como Yogakrisnanda, e tantos outros que viriam em seguida, dedicaria grande parte de seu tempo ao estudo e prática de tudo aquilo que se relacionasse com ocultismo. Dada sua imersão em tantos lugares e seu contato com os mais variados tipos de estudantes e loucos, recebeu um convite para escrever para uma revista dedicada a cultura hippie e esoterismo chamada A Pomba. Abandonou as aulas de teatro que dava em um cursinho e junto a Eduardo Prado lançaram em seguida outra publicação, de nome 2001. E foi em meio a toda esta conjuntura que conheceria aquele que se intitulava como herdeiro de Aleister Crowley no Brasil e suposto líder mundial da A.’. A.’. : Marcelo Ramos Motta.


Apesar das excentricidades, loucuras e o jeito pouco sociável de Motta, Paulo teria nele um tutor que junto a Euclydes Lacerda, o instruiria dentro do caminho do misticismo thelêmico. E a partir deste ponto os relatos relacionados a esta fase tão importante da vida de Paulo Coelho são pouco aprofundados pelo biógrafo e em muitos casos, cheios de erros. Fernando Morais, o jornalista que escreve este livro, se refere constantemente a Thelema como Satanismo. Entendemos que a falta de conhecimento sobre assuntos religiosos podem levar os menos estudados a conclusões precipitadas sobre o que um determinado grupo acredita ou pratica. Entretanto espera-se que um profissional da área de pesquisa seja imparcial em suas colocações e não haja de forma tendenciosa em seus relatos.


O selo da Sociedade Alternativa;
que praticamente nunca existiu  de fato.
Thelema é uma religião distinta mas isso não a torna satanista, a não ser para aqueles que possuem uma visão cristã de mundo.  


Em outro momento, numa tentativa frustrada de falar sobre Crowley e o Livro da Lei, confunde o mesmo com o Liber Oz:

Aleister Crowley tinha 23 anos quando diz ter recebido, na cidade do Cairo, uma entidade que lhe transmitiu o Liber Al vel Legis – ‘ O Livro da Lei de Thelema ‘ – ou apenas Liber Oz, como passaria a ser conhecida sua primeira e mais importante obra de cunho místico.

Ressaltamos para os menos esclarecidos que Liber AL e Liber Oz são livros distintos dentro da bibliografia thelêmica, sendo o primeiro o mais sagrado dividido em três capítulos atribuídos a três Deuses egípcios: Nuit, Hadit e Ra-Hoor-Khuit e o segundo sendo um livro de apenas uma página, destinado a falar sobre os parâmetros de liberdade absoluta oferecida ao ser humano, frequentemente lido por Raul Seixas quando em execução da música Sociedade Alternativa.

Ainda na página 285, e também em outros trechos, refere-se a OTO como seita, termo pejorativo usado frequentemente por adeptos do cristianismo para denegrir instituições outras que não pertençam a seu corpo doutrinário:

Em 1912 Crowley ingressa na seita Ordo Templi Orientis, uma organização de cunho maçônico, místico e mágico, da qual logo se tornaria o cabeça e principal teórico.  

E afirma que Paulo teria entrado na OTO quando o que nos é apresentado, é a carta de juramento do grau de Probacionista da A.’. A.’., datada de 19 de maio de 1974 da Era Comum, assinada com o moto de Frater Luz Eterna, ou simplesmente 313. Confusão típica de principiantes que acham que OTO e A.’. A.’. são uma mesma Ordem.

De sua parte, Coelho não fica pra trás, e apresenta um estranhíssimo ritual com Espada de São Jorge que atribui a Thelema, onde de ‘arma’ em punho, traçava os quadrantes com evocações específicas, partia a planta em onze pedaços, fervia e tomava um banho a meia noite com o líquido extraído, e após quase duas horas de ritual, conclui em seu diário que 'alguma coisa me leva a crer que o Demônio realmente existe.' 299

Não obstante, fala sobre o Ritual Menor do Pentagrama a que o autor se refere erroneamente como Ritual do Pentagrama Menor, numa versão inexistente tanto na A.’. A.’. quanto na Golden Dawn, Ordem na qual este ritual foi primeiramente apresentado, onde em sua bizarrice diz que o mesmo é uma

mandinga que consistia em estender no chão um lençol branco, sobre o qual pintava em verde uma estrela de cinco pontas. O desenho era cercado por um fio de barbante embebido em enxofre, com o qual Paulo desenhava o símbolo de Marte. Apagadas as luzes, uma única lâmpada era pendurada no teto, bem no centro do pentagrama, de forma a simular uma coluna de luz. Com uma espada na mão, inteiramente nu e voltado para o sul, ele pisava no centro do lençol, fazia o ‘asana do Dragão’ – posição, na ioga, em que a pessoa se acocora no chão – e passava a dar saltos para cima, como um sapo, enquanto repetia em voz alta invocações ao Demônio. 299

A terminologia tendenciosa, as confusões sobre as Ordens, e os rituais sem fundamento chocam os minimamente entendidos em assuntos ocultistas, mas em especial a Thelemitas e conhecedores desta fé. 
O selo da Ordo Templi Orientis,
ou simplesmente O.T.O


Sendo assim, nos resta a questão sobre quem afinal de contas culpar? O biógrafo que por sua notável ignorância em assuntos esotéricos se utiliza de um linguajar limitado e maniqueísta ao confundir a Ordo Templi Orientis com a A.’. A.’., ou associar Thelema com Satanismo, o que inegavelmente denuncia algumas falhas técnicas em seu trabalho de pesquisa e imparcialidade esperada em sua função jornalística. Motta e Euclydes que talvez tenham instruído pessimamente ao Frater Luz Eterna. Ou o próprio Paulo Coelho, que de forma ignorante, tendenciosa e ingrata permitiu que todos estes erros e incongruências fossem publicados sem as devidas correções, comentários ou notas de rodapé. O livro infelizmente não nos dá informações suficientes para responder estas perguntas.

Sua passagem pela religião de Aleister Crowley seria efêmera e contrastaria com a ideia de seu moto; após um ordálio onde se viu totalmente impotente, quando encontrava-se em sua casa e sentiu o cheiro de velas, tonturas, barulhos assustadores e ver seu apartamento tomado por uma bruma escura, no ápice de seu desespero e covardia, renunciou as suas ligações com aquilo que ele acreditava ser Thelema e bandeou-se de volta para o Cristianismo...religião a qual dedicaria sua fé de forma permanente. Anos passariam, tantas outras coisas aconteceriam, e após muito tempo de súplicas e promessas, finalmente veria conquistado o seu sonho de se tornar um dos escritores mais importantes do mundo.


Apesar do grande número de páginas, este é sem dúvidas um título cativante, que provavelmente te fará lê-lo de forma rápida e interessada. A história deste escritor contada por Morais é sem dúvidas proveitosa, a tal ponto que apesar de tantos relatos e vivências, a impressão que nos dá é que um tanto de outras deixaram de ser contadas. Longe de este ser um aspecto negativo desta biografia, é bem provável que apesar de terminar por duvidar do caráter de Paulo para conquistar seus objetivos, e da aparente ignorância de biógrafo e biografado sobre muitos aspectos apresentados que deveriam ser considerados importantes para um magista, para si uma conclusão é certa: o sucesso foi sua prova! 


Despidas as ilusões do 'super herói' ético e sábio, para nós talvez fosse melhor que o título se chamasse o Mágico, pois tal qual um exímio prestidigitador que com suas mãos habilidosas ilude o grande público com truques disfarçados de magia, aqui é o Coelho quem faz o mago sair da cartola.

por Allan Trindade


Gostou? Quer comprar O MAGO em um local seguro, com um preço mais em conta e ainda patrocinar o blog sem isso lhe custar nem um centavinho a mais? É só clicar no link abaixo:
https://amzn.to/2xqcbhj
  










segunda-feira, 4 de maio de 2015

Eu até hoje me pergunto quantas prováveis biografias sobre o "Homem mais terrível do mundo" existem. Quantas existem e quantas ainda hão de existir, afinal de contas, Crowley parece estar a cada dia mais em evidência midiática. Bandas, filmes, documentários, livros, sociedades secretas, pesquisadores, cristãos e malucos, sempre que podem, usam o nome da Grande Besta 666, seja para propagar ideias, ou difamar a imagem daquele que segundo os Thelemitas, é o Profeta da Nova Era...

Filho de pais cristãos fanáticos, fundamentalistas e protestantes, herdeiro de uma fortuna milionária, o garoto que em princípio parecia seguir o caminho do pai, e passar seus anos de forma medíocre e com medo de castigos divinos, resolveu revolucionar e viver uma vida verdadeiramente mágica!

A Magic Life é um livro escrito por Martin Booth, de 507 páginas, que vai lhe dar uma boa visão sobre os aspectos mais humanos de Aleister Crowley. O livro faz jus ao subtítulo de ser uma biografia, já que conta a história de um dos magos mais famosos do mundo, do momento do seu nascimento, até virar cinza...

Direto, sem apelos, por vezes constrangedor, em tantas outras inspirador, e certamente intenso...esta é a sensação ao virar de cada página, em cada capítulo da história daquele que viria a declarar a si mesmo como o novo redentor de toda a humanidade.

Cristão evangelizador, milionário, inconsequente, drogado, perverso, maldito, louco, libertário, gênio, bissexual, poeta, alpinista, devasso, pecador, anticristo, artista, profeta, mago,...a Besta! Com tantos adjetivos fica difícil imaginar, como tão poucas páginas, poderiam resumir todo o histórico de vida deste homem que influenciou - da música ao cinema - e continua influenciando - da literatura a política -, gerações desde o século xx até os dias de hoje.

Martin Booth é excepcional em sua função, e seguindo o contra fluxo da maioria daqueles que ainda insistem em fazerem biografias de forma tendenciosa, desempenha seu papel com a qualidade da imparcialidade e da escrita clara e sem dualismos esperada de um ótimo biógrafo.


Conquanto que você não espere - apesar do título que dá nome ao livro - extensas explanações sobre questões mágicas (ou mágickas?), sejam elas baseadas na terminologia usada por ocultistas, ou explicações sobre 'questões de Ordens'...encontrará nas páginas deste livro todas as informações necessárias para, caso queira, fazer parte de toda a turba da atualidade e também expressar sua opinião sobre um dos homens mais polêmicos do mundo...afinal de contas, não seria difícil imaginar que, caso ainda não tivesse sido criada, teria sido Crowley o autor da máxima: 
“Falem bem ou falem mal, mas falem de mim!”


por Allan Trindade