Este é um tarô dedicado às deidades da religião iorubá e ao candomblé brasileiro.
Os iorubá são um povo africano da Nigéria que imbuíram muitos trabalhos artísticos, especialmente cerâmicas, com cultura e um senso de beleza, revelando grande respeito e admiração pela natureza. Muitos desses trabalhos são o resultado de uma inspiração artística ligada ao mundo espiritual.
Durante os séculos passados, os iorubá, como muitos outros povos africanos, foram deportados à América, contribuindo inocentemente para uma das páginas mais obscuras da História da humanidade: a escravidão.
O TARÔ AFRO BRASILEIRO é um baralho idealizado por Alice Santana e desenhado por Giuseppe Palumbo, contém 78 cartas acompanhadas de um livreto explicativo, e fora publicado no ano de 2014 por Lo Scarabeo.
A grande tenacidade e lealdade que sentiam por suas raízes e tradições os permitiu manter os princípios fundamentais da antiga religião africana viva no candomblé brasileiro e em Cuba, na santeria. Mas não é apenas isso: esses princípios desenvolveram-se lado a lado por aproximadamente 400 anos e até hoje são fortes as semelhanças entre as tradições. A religião iorubá que se desenvolveu no Haiti, porém, tem aspectos diferentes e uma direção um pouco mais obscura.
Em todo caso, esse baralho se inspira, primariamente, tanto no candomblé brasileiro quanto na santeria cubana, com uma face mais brilhante e benigna.
As primeiras evidências de tráfico de escravos data de 1538 quando milhões de negros da Guine, Angola e especialmente, Dahomey (hoje, Benin) foram levados ao Brasil. O tráfico ilegal continuou depois do ano de 1888, quando foi decretada a Abolição da Escravatura, quando muitos iorubás ainda chegaram ao Brasil, até o século XIX.
A cidade de Salvador, na Bahia, tornou-se um ponto de encontro das raças africanas e culturas muito diferentes se misturaram. As crenças iorubás se espalharam e se tornaram um princípio unificado na cultura dos escravos. Elas também foram enriquecidas por aspectos trazidos por outros grupos étnicos envolvidos.
Assim, os escravos se encontraram lutando contra a destruição sistemática de sua identidade cultural e o banimento da manifestação da sua fé, sendo que apenas o catolicismo era permitido. Esta falta de liberdade deu abertura ao sincretismo nos cultos, fazendo com que as deidades iorubás se encontrassem com os santos católicos.
Os deuses iorubás são chamados Orixás. Cada um representa uma forma de energia da natureza e podem ser ligados à energia do tarô, particularmente, com os 22 arcanos maiores.
Os praticantes do candomblé acreditam que cada pessoa é guiada por um ou mais Orixás, o que dá a ela as características dessa deidade; como na astrologia existem pessoas com diferentes aspectos pessoais dependendo do seu signo e seu ascendente.
Os Orixás não são representados de forma antropomórfica ou zoomórfica, mas por símbolos. Para comunicarem-se com os mortais em seus encontros espirituais, porém, as deidades assumem uma forma humana, acostando ou incorporando um médium, batizado e consagrado na cultura e no culto do candomblé.
Nessas práticas, os Orixás se revelam, proferindo sua imensa sabedoria àqueles presentes; sugerem orações, curas e tudo mais que estiver em seu poder, com o propósito simples de ajudar e melhorar a experiência humana.
[texto extraído do livreto que acompanha o deck]
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A religiosidade yorubá é essencialmente rica. Sua cosmogonia e visão espiritual nos falam sobre uma incrível diversidade de deuses e espíritos que em suas próprias existências e individualidades, se conectam entre si, a nós e aos destinos de nossas vidas. E tudo isso surge não de uma especulação supersticiosa sobre a vida e o pós vida, como costumam alegar os descrentes para justificar seus ataques contra o mundo das religiões e da espiritualidade. Mas de uma visão empírica sobre a existência, que quando observada a partir de uma perspectiva natural, faz notar, sem muito esforço inclusive, que tudo está conectado. Pare e pense sobre como as chuvas afetam o clima. Como os ventos orientam os pássaros. Como aquela abelinha acolá é responsável pela disseminação do pólen que faz com que as plantas floresçam e garantam que o apaixonado possa entregar um buquê de flores como prova de seu amor para um ente querido. O quanto você necessita de tudo aquilo que está ao seu redor para viver e sobreviver.
Sim, estas são forças naturais, físicas por assim dizer, mas que, assim como nós, também são orientadas por uma origem espiritual. Ou ao menos assim nos dizem seus adeptos.
As diversas conexões existentes entre tudo aquilo que existe nos oferecem ainda uma outra conclusão: a de que tudo possui uma origem. Esta origem explica aquilo que é, e aquilo que é tende a definir aquilo que será. Nada é por acaso. E é sobre esta certeza que se baseia Ifá.
IFÁ é um livro escrito por Fernandez Portugal Filho com 198 páginas divididas em 24 capítulos e foi publicado no ano de 2014 pela Madras editora.
Podemos nos maravilhar sobre a beleza destas conclusões filosóficas e poéticas, mas sabemos: a vida real não é sempre tão bela assim. E é claro que se podemos observar a beleza das coisas, a oposição sempre chega, mesmo que a nosso contragosto, para nos dizer que a feiúra também existe. E assim a vida é. Se somos rodeados de seres de origem material e espiritual simpáticos a nossa existência, também o somos por seres antipáticos, e por vezes, para conseguir viver bem é preciso saber a quantas anda nossa popularidade na comunidade que nos rodeia.
Orunmilá, o deus da sabedoria, é o orixá responsável pelo oráculo conhecido como Ifá a qual também seu nome lhe é atribuído. Segundo a tradição yorubana, Orunmilá fora enviado para a Terra por Oludamarè, o deus supremo, de modo que pudesse consertar algumas coisas que andavam estranhas por aqui. Sendo Ifá conhecedor de tudo que existe, e na companhia de Exu, responsável por fiscalizar como tudo estava se dando, desceu, cumpriu sua tarefa e deixou para nós os instrumentos necessários para que o contatássemos quando necessário, visto nossa visão ser limitada, e a dele, transcendental.
Mas calma, qual relação existe entre um oráculo que possui o nome de um orixá e o mundo dos homens e dos espíritos? Como dissemos nos parágrafos anteriores, Ifá nos abre os olhos para as coisas que não conseguimos ver, e nos explica as razões para tudo aquilo que existe e o que deve ser feito para neutralizar e positivar as situações que atravancam o nosso progresso físico e espiritual. Assim, o sacerdote de Ifá, também conhecido como babalawo, orienta o consulente sobre quais oferendas devam ser prestadas aos espíritos ou divindades, para que tudo fique normalizado na vida daquele o consulta.
Percebe como esta lógica também se aplica a vida material? Uma pessoa isolada, de poucos amigos, antipática para com aqueles que a rodeiam, tende a ter mais dificuldades na sociedade em que vive, que uma pessoa mais extrovertida e querida por todos. Se temos a preocupação de estarmos bem com nossos pares físicos, a mesma preocupação deveria ser destinada a nossos pares espirituais, não?!
O método consiste em: o babalawo faz uso de uma série de instrumentos mágico-oraculares, sendo o principal deles conhecido como Opele, lança-os na tábua, interpreta as imagens formadas conhecidas como Odu a partir da memorização de centenas de versos que, de acordo com a tradição, relatam histórias e eventos das vidas dos orixás. De acordo com a história do verso, e o teor daquele acontecimento, o sacerdote então corresponde o evento ao que está passando na vida do consulente. A indicação de um ebó(oferenda) é então sugerida para que aquele eventual problema seja solucionado ou evitado.
Estes Odu consistem em uma sequência de dezesseis figuras binárias, contendo um ou dois pontos, em quatro linhas horizontais de formação. Da combinação destas dezesseis figuras, duzentos e cinquenta e seis pares são formados, e todas conjunções se conectam a milhares de versos a serem acessados pelo sacerdote de memória. Os ebós, enfim, também se dividem em diversos tipos para os mais diversos fins e espera-se que o consulente preencha determinados requisitos para que as coisas funcionem bem, tais como recitação de versos em yorubá e resguardos específicos para cada oferenda, que podem incluir elementos simples como mel ou ervas, até coisas mais complexas como pombos vivos e ratos secos.
Este livro de Fernandez Portugal Filho é organizado numa sequência de capítulos que primeiro introduz o leitor aos instrumentos usados pelo babalawo, passando pela mitologia de Ifá e sua relação com outros orixás, tais como Exu, Olorun e Oxalá, apresenta os dezesseis odus e toda a complexidade de relações e significados de cada um deles, incluindo alguns de seus versos, e conclui apresentando os diversos tipos de ebós e suas finalidades, além dos momentos lunares mais propícios para realizá-los.
É um livro essencialmente introdutório, que apresenta ao leitor que nunca tenha tido contato com esta religião os elementos básicos de sua constituição, sem com isso ser excessivamente raso ou enfadonhamente específico. É completo a sua maneira: simples, instrutivo e esclarecedor.
por Allan Trindade
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Allan Trindade tem 32 anos e desde que se lembra sempre esteve envolvido - de forma direta e indireta - com religião e ocultismo. Leitor compulsivo, com centenas de livros em sua estante, decidiu ser esse o momento de compartilhar um pouco daquilo que reuniu, física e intelectualmente, em mais de 15 anos de estudos. Assim nasce esse blog.
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Um espaço dedicado a livros de religião e ocultismo.