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domingo, 24 de dezembro de 2017

Na resenha anterior falamos sobre as dúvidas comuns que os principiantes podem ter em relação a quais autores ou títulos primeiro consultar. Que a vanguarda do Esoterismo moderno, oriunda em grande parte dos séculos XIX e XX, e com uma linguagem por demais técnica ou rebuscada em alguns casos, pode não dar condições para o novato compreender todas as nuances e profundidade que os textos apresentam. 

Não pensamos ser exagero dizer que o Ocultismo seja um caminho de muito, muito mais estudo que prática. O próprio Mvtvs Liber, um dos grandes clássicos da Nossa Tradição, nos traz o axioma lege, lege, lege, relege, labora et invenies. É preciso ler, ler, ler, reler para então trabalhar. Não discordamos desta máxima, entretanto, ousamos dizer que a prática unida ao estudo pode ser igualmente proveitosa.

Muitos são aqueles que não conseguem viver tanto tempo saciando apenas os anseios do intelecto e precisam de mostras físicas de que tudo isso, todos estes textos, ideias, filosofias e sistemas não são um simples amontoado verborrágico inventado por um bando de intelectuais desocupados que, por não terem acesso a internet em sua época, viviam viajando no Plano Astral. A experiência pode, em muitos casos, preceder o estudo.

Portanto, se você ainda não leu o suficiente mas já tem dúvidas sobre o que praticar, quem sabe este livro possa te ajudar.



THE ONE YEAR MANUAL é um livro escrito por Israel Regardie, publicado pela Samuel Weiser, INC. no ano de 1992, com 71 páginas.


Sim, este é um livro curto, com poucas dezenas de páginas, mas não se deixe iludir pelo seu tamanho. Sua proposta é nada menos que objetiva e seu título e subtítulo deixam claro a que ele veio: ser um manual com duração mínima de um ano, voltado para guiar o iniciante nos caminhos místicos do esoterismo ocidental.

Aqui você não precisará de conhecimento prévio nenhum. Cada capítulo é planejado para ser praticado por pelo menos um mês, e contém explicações sobre os benefícios que tais práticas podem vir a causar no aspirante, sempre com foco no maior autoconhecimento corporal e equilíbrio espiritual. Se você conhece o mínimo de yoga, dos exercícios mágicos oriundos da Ordem Hermética da Aurora Dourada ou ainda da A.'. A.'., você poderá prever o conteúdo que este título traz, uma vez que alguns dos rituais apresentados aqui sejam adaptações daqueles de lá. 

Não espere por exigências de grandes aparatos ritualísticos, nem mesmo por explicações muito aprofundadas sobre o funcionamento metafísico de cada um dos exercícios expostos. Todo o conjunto foi pensado com foco na prática e no iniciante, que disponha ao menos de um pequeno espaço reservado para meditar, como um quarto com uma cama e uma cadeira, por exemplo, e esteja disposto a dispensar pelo menos quinze minutos diários para a busca de sua iluminação

Nesta edição, Israel salienta que fez algumas modificações, como chamar o livro de Manual do Ano ao invés de Doze Passos Para a Iluminação Espiritual - que aqui tornou-se o subtítulo - por ter considerado presunçoso demais este nome da primeira edição. Além de modificações dos textos dos próprios rituais que, segundo ele, na edição anterior, estavam com citações cristãs em excesso.

Vale destacar que na nossa opinião os textos continuam com muitas referências cristãs e poderiam estar bem mais neutralizados, de modo a atender um público mais abrangente, e que talvez não se sinta tão a vontade com adaptações disfarçadas de forma mais ou menos subliminar a Jesus e seu contexto. Em verdade, e para sermos justos, diremos o mesmo para o primeiro exercício, das Quatro Adorações solares, desenvolvido para ser executado durante as grandes horas do dia e da noite, e que traz orações para os deuses keméticos. Somos da opinião que referências a deuses de qualquer religião deveriam ser evitadas pois trazem consigo uma carga energética - ou de pensamento - que talvez não esteja em consonância com o período atual do iniciante. Quem sabe aqui o novato perceba que a magia é também considerada uma Arte pois nela, vez por outra, temos de mostrar o nosso talento e habilidade em adaptar e produzir nossa própria Obra.

Para além do exercício previamente citado, o livro nos traz ainda Body Awareness, Relaxation, Rhythmic Breathing, Mind Awareness, Concentration - Use of the Mantram, Developing the Will, The Rose Cross Ritual, The Middle Pillar Ritual, Symbol of Devotion, Practice of the Presence of God, Unity - All is God e Invoke Often! Inflame Thyself With Prayer.

Israel Regardie dispensa comentários pois é figura conhecida e consagrada em nosso meio - por sua experiência e dedicação de toda uma vida ao Ocultismo - e novamente  nos abrilhanta com mais uma obra digna de nota. Está voltada especificamente para aqueles que pouco ou nenhuma experiência prática possuem neste meio mas que querem, sem se prender a nenhum caminho específico, ter algum tipo de treinamento espiritual. 

A força da magia é intrínseca a natureza e não depende de conhecimento técnico para se manifestar. O que falta a maioria de nós então é compreender que somos parte desta mesma natureza, portanto e por consequência, seres potencialmente mágicos. Tomar consciência do próprio corpo e mantê-lo em equilíbrio é santificar o Templo no qual o seu espírito reside. Ler pode te fazer acordar para isso. Mas apenas o praticar te fará sentir esta Verdade.

por Allan Trindade




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sábado, 13 de maio de 2017


Duas palavras. Basta que apenas duas palavras sejam ditas, e como num passe de mágica, as mais diversas reações são extraídas dos mais variados tipos de pessoas ao redor de todo o mundo. Do constrangimento ao riso, da curiosidade desavergonhada a pesquisa oculta e temerosa dos olhares críticos, são elas que dão título a este livro e através dos séculos  atravessam gerações, nos desafiando a questionar sobre qual deva ser o motivo para tamanha fama.



Sexo!...é a primeira resposta que nos vem a mente. Propagado como um manual perfeito para a arte do prazer, para a maioria de nós, não há dúvidas de que este título é sempre uma alternativa acertada para o tédio da rotina de um casal. Se este fosse um daqueles jogos de charadas, é bem provável que com estas dicas você já tivesse adivinhado sobre que livro estamos falando. 



Ousamos afirmar que não importa em que lugar do globo se esteja, a idade que se tenha, a convicção política que apoie, a religião que se professe, todos já ouviram falar nestas duas palavrinhas que dão nome a este famigerado texto hindu, que apesar de idoso, carrega a fama do tesão e criatividade de um jovem de apenas 20 anos...



O KAMA SUTRA é um livro escrito por Vatsyayana, publicado no ano de 2013 pela editora L&PM Pocket com 237 páginas divididas em 7 partes.



Esta é uma versão integral, reproduzida tal qual sua versão original, e especula-se que tenha sido escrita em algum momento dentre os séculos I ao VI, pelas mãos de um homem religioso a qual se tem pouca informação sobre as condições que possuía ou da vida que levava.



Vatsyayana é seu autor, mas em 1883 foi Richard Burton o responsável pela tradução do texto para a língua inglesa dando assim um dos pontapés iniciais para a grande fama dos Aforismos Sobre o Amor no mundo ocidental. Com uma biografia repleta de aventuras e disfarces literais pelos meandros exóticos de vários continentes, digna de um legítimo Indiana Jones, Burton fora um cronista dedicado e um inveterado explorador de novos mundos. 



Em seus comentários, Richard nos explica as razões que o levaram a traduzir esta obra em específico – graças as constantes citações dos sacerdotes hindus ao sábio Vatsyayana e sua curiosidade sobre quem teria sido, e o que teria dito, esta figura emblemática -, além de referenciar uma série de outros textos eróticos, produzidos sob influências deste título. Nota-se que desde seu princípio este livro tem sido usado como inspiração para outros trabalhos. Entretanto, nos dias de hoje, o que existe é uma apropriação do título como forma de propaganda, para expor um conteúdo por vezes absolutamente pornográfico que se distancia consideravelmente de seu contexto original.



Consideramos pertinente ressaltar ainda que erótico e pornô são conceitos distintos.



Em sua introdução, Vatsyayana esclarece que seu livro é na verdade uma compilação de outros escritos, aos quais perdidos e espalhados pelas adversidades do tempo, se viam em estado praticamente impossível de serem obtidos de maneira integral. Desta forma, apresenta esta obra como um resumo dos textos destes outros autores que o antecederam. 



Antes de mais nada é preciso que se compreenda que o Kama Sutra se apoia sobre um conceito: pretende-se como um manual para a prática e experiência do Kama. As ideias, quando resumidas, são aparentemente simples, mas podem confundir as mentes daqueles não familiarizados com a cultura e religião hindu. Estas premissas são aqui classificadas como conhecimento, Kama, Artha e Dharma. 



Segundo ainda seu autor, na infância o homem deve se preocupar com o conhecimento. Na velhice com o Dharma, ou seja, com o trabalho religioso e a obediência as Sagradas Escrituras Hindus. Mas é com a juventude e meia-idade, ou com Artha – a obtenção de riquezas – e mais especificamente o Kama – a prática e vivência do amor -, que se ocupa seus escritos. A partir desta conjuntura entende-se que apesar da indicação para o estudo do Kama Sutra, o homem que ignora as outras três práticas está fadado ao fracasso.



Longe de ser um manual de posições sexuais, o livro apresenta uma série de indicações sobre como deve ser a conduta das pessoas na vida social com foco no relacionamento. 



É majoritariamente destinado a homens, e dentre suas diversas classificações e recomendações, que oscilam entre o cômico e útil, - supomos para aqueles encerrados naquele período e recorte cultural - fala sobre como deve ser uma casa ideal, de seus cuidados para com seus criados, da boa recepção com os amigos em seu lar e da lida pública com prostitutas. Sobre a relação com homossexuais, quase exclusivamente referenciados para a prática do sexo oral, além de maneiras de criar consolos e receitas para aumentar seu pênis.



Como conquistar sua mulher, trair ou convencer a esposa do outro, incluindo neste conjunto alguns métodos considerados criminosos pelas leis modernas; como a aplicação de drogas na pessoa desejada e estupro da mesma – recomendado apenas em último caso.  



Para as mulheres, destinam-se indicações para serem zelosas por seus maridos e artes, e no caso de não casadas, sobre como serem bem sucedidas no ofício da prostituição.



Mas é por vezes também ingênuo, por listar tipos e dar nomes a abraços, beijos, arranhões e mordidas, supostamente praticados durante o ato sexual como indicativos de determinados sentimentos ou intenções...como se tais coisas fossem possíveis classificar. 



Além de meia dúzia de descrições sobre as posições sexuais, as famosas e extravagantes imagens contidas em livros outros que roubam o nome deste título para vender, e que muitas vezes desafiam até os mais experientes dos yoguins para sua execução, simplesmente não existem aqui. E quando falamos meia dúzia não estamos necessariamente exagerando já que isso é o que menos se vê neste livro.



O Kama Sutra tem uma inegável importância histórica e é sem dúvidas um dos livros mais conhecidos do mundo e só por isso, sua leitura pode vir a ser recomendada. Entretanto, os conceitos sobre conhecimento, Kama, Artha e Dharma continuam atuais, e com as devidas adaptações aos nossos tempos, podem servir como referenciais de base para a conduta de homens e mulheres, de modo a levarem uma vida plena e satisfatória. 



E isto é tudo. Sua fama definitivamente não faz jus a seu conteúdo: está velho e ultrapassado, e por que não dizer; broxante!
Para aprender sobre sexo vale mais ouvir as mentiras que o povo conta sobre esse livro do que lê-lo.

por Allan Trindade

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