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sábado, 26 de setembro de 2020

 


O Livro das Mentiras, que é também falsamente chamado QUEBRA, os devaneios ou falsificações do pensamento único de Frater Perdurabo, cujo pensamento é, em si mesmo, falso.

Quebra, quebra, quebra ao pé de tuas pedras, Ó Mar! e se pudesse eu pronunciaria os pensamentos que surgem em mim!

O LIVRO DAS MENTIRAS é um livro em capa dura, escrito por Aleister Crowley, contém 224 páginas divididas em 93 capítulos e foi publicado no ano de 2019 pela Daemon editora.

Eis uma das principais obras de Aleister Crowley, famosa por sua excentricidade e estranheza. O Livro das Mentiras, ou Liber 333 (e ser a metade de 666 aqui também não é feito por mero acaso), é constituído de 93 capítulos encabeçados por numeração, a qual, baseada em conceitos cabalísticos, direciona o sentido dos textos, que são sempre compostos por títulos exóticos, versos, rituais, expressões filosóficas ou mesmo de amor, e suas explicações na página seguinte.

"... [nele] Existem 93 capítulos: nós contamos como capítulos as duas páginas preenchidas respectivamente com um ponto de interrogação e exclamação. Os outros capítulos contém as vezes uma única palavra, frequentemente de meia dúzia a vinte frases, ocasionalmente algo em torno de doze a vinte parágrafos. O assunto de cada capítulo é determinado mais ou menos em função da importância cabalística de seu número. Assim o capítulo 25 fornece uma versão revisada do Ritual Menor do Pentagrama; 72 é um rondel com o refrão "Shemamphorash" , o Divino nome de 72 letras; 77 Laylah, cujo nome acrescenta aquele número, e 80, o número da letra Pé, referenciado a Marte, um panegírico sobre Guerra. Algumas vezes o texto é sério e vai direto ao ponto, outras  seus oráculos obscuros demandam conhecimento profundo da Cabala para sua interpretação, outros contém alusões obscuras, jogo de palavras, segredos expressos em criptogramas, duplos ou triplos sentidos que podem ser combinados com o objetivo de apreciar seu sabor total; outros novamente são sutilmente irônicos ou cínicos. A primeira vista o livro é um poço de falta de noção criado para ofender o leitor. Ele exige estudo infinito, simpatia, intuição e iniciação. Dado estes fatos eu não hesitaria em dizer que nenhum dos meus outros escritos eu ofereci tão profunda e compreensiva exposição da minha filosofia em todos os sentidos..."
Confessions

Ter um conhecimento mínimo sobre Cabala e o diagrama da Árvore da Vida faz-se mister aqui, vide a constante referência a este sistema esotérico. O livro começa com um poema onde Frater Perdurado - um dos nomes iniciáticos de Crowley - traça o plano de existência e manifestação do Universo: Ain, Ain Soph, Ain Soph Aur, que classifica como " A Tríade Anterior Primordial Que é NÃO-DEUS "; Kether, Chokmah e Binah como " A Primeira Tríade Que é DEUS EU SOU "; Daath como " O Abismo ", e assim sucessivamente até a conclusão de todas as esferas. Sobre este capítulo diz que "...pode, então, ser considerado como o mais completo tratado sobre a existência já escrito. " 

Exagero? Talvez. Errado? Está. Correto? Também!

Tudo isso pois o livro fora escrito sob a perspectiva de um alguém que, segundo a estrutura de seu próprio sistema mágico, religioso e filosófico - mas não apenas -, transcendeu o plano intelectual da dualidade, e alcançou uma visão e perspectiva sobre cada elemento da existência como conectado a fatores transcendentais à dicotomia vista a partir das perspectivas daquelas que não alcançaram tal posto. Logo, todo e qualquer binarismo é unido, afirmado, separado, negado, em um intercruzamento não linear de ideias e transcendido pela perspectiva da não divisão. Em outras palavras, o livro é assim chamado por conter em si ideias que são tão verdadeiras, e, ou, falsas, como tudo aquilo que é pertencente e percebido através da visão de quem ainda enxerga a vida a partir da perspectiva da Terra. 

O Livro das Mentiras é também o Livro das Verdades.

" O número do livro, 333, implica dispersão, de modo a corresponder ao título 'Quebra' e 'Mentiras'. Entretanto,  'o pensamento único é, em si mesmo, falso' e, portanto, suas falsificações são relativamente verdadeiras. Logo, este livro consiste em declarações tão verdadeiras quanto possível para a linguagem humana. "
Comentário

Mas não pense que toda esta aparente complexidade torna sua leitura impossível de ser compreendida por leigos. Alguns textos são absolutamente simples e não carregam nada além de uma mensagem direta para o leitor, como a indicação para não negligenciar as meditações diárias e matinais, por exemplo. Assim como alguns rituais, como a Missa da Fênix, que é exposta em sua completude nesta publicação, sem qualquer elemento misterioso sobre sua execução. Para além disto, dispormos desta edição em língua portuguesa e traduzida por thelemitas torna tudo ainda mais interessante, vide o cuidado e atenção para com o uso das palavras - que sabemos que os mesmos tiveram inclusive pela adição das notas de rodapé - , de modo que a essência de texto tão complexo não seja totalmente perdida. 

Liber 333 é essencial para todo thelemita e todo aquele interessado na obra de Crowley. Fora a partir da publicação deste livro que, segundo assim nos conta seu autor, o Outer Head of the Order da Ordo Templi Orientis teria entrado em contato com Aleister, alegando que o mesmo havia publicado os segredos de sua Ordem para-maçônica, tendo conferido a ele assim, o Grau IX da referida Sociedade. 

A partir desta publicação muitas coisas mudariam especialmente no contexto mágico e religioso de Thelema, mas isso já é assunto para uma outra história...

por Allan Trindade


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quinta-feira, 20 de junho de 2019


Embora a popularidade de Aleister pareça indicar o contrário, Crowley era essencialmente um intelectual. Educado em teologia cristã e profundo conhecedor da Bíblia, além de diversos outros assuntos, sendo também um qualificado alpinista e exímio jogador de xadrez, aproveitou-se de sua criação e herança milionária para dedicar toda sua vida ao desenvolvimento de seu intelecto, sua arte e principalmente, sua espiritualidade. Mesmo que muitos possam contestar isso, fato é que a obra e vida de Crowley, quando observadas de perto e sob uma perspectiva desprovida de preconceitos, parecem mesmo serem únicas para os padrões que até então se tinham dentro do universo do ocultismo do século XIX. 

Entretanto, o caráter deste livro não é aquele de mais uma vez tentar explorar as vivências e peripécias praticadas por este inglês tão costumeiramente difamado, mas de apresentar e buscar entender o resultado mágico delas.

A MAGIA DE ALEISTER CROWLEY é um livro escrito por Lon Milo Duquette, com 255 páginas, divididas em 13 capítulos e publicado no ano de 2007 pela editora Madras.

Crowley nos legou um conjunto que contém em si um sistema de práticas mágicas herdadas da Ordem Hermética da Aurora Dourada, adaptadas e aprimoradas a sua maneira de acordo com suas perspectivas, baseadas em sua crença da chegada de uma nova era e uma nova religião para a humanidade, conhecida como Thelema. A partir disso, criou uma série de outros rituais próprios para serem praticados por seus adeptos de modo que pudessem cumprir suas próprias vontades mágicas e espirituais, de maneira alinhada com as influências destes novos tempos, em uma nova Ordem a qual denominaria A.’. A.’. . 

Porém, o que parece muito atraente num primeiro momento, pode ser um tanto decepcionante num segundo. Isso porque, tal como destacado por nós em parágrafo anterior, toda a erudição de Crowley talvez tenha o feito esquecer-se que 'pessoas comuns' podem não possuir tempo, dinheiro, ou mesmo condições intelectuais de entender toda a gama de referências, relações e correlações a sistemas, mitologias, artes e religiões contidas em seus escritos. O mesmo pode se dizer especificamente sobre muitos de seus rituais. E a falta de textos próprios e introdutórios podem fazer o interessado pensar que Thelema é complexa demais para a vida cotidiana. Sendo assim, nada mais justo que um livro para tentar sanar este problema.

Em seu prefácio, Hymeneaus Beta fala sobre esta obra de Duquette servir como uma introdução para aqueles que podem não ter o conhecimento necessário para entender as especificidades  da obra de Crowley, não sem antes salientar que parte do que é apresentado aqui encontra-se também no campo da interpretação pessoal do autor, e que portanto, não deve ser encarado de forma dogmática. Em seguida, Lon nos fala sobre esta ser uma edição revisada e ampliada da primeira edição de 1993 e até se propõe a tocar no assunto sobre as calúnias e difamações propagadas contra Crowley, até os dias de hoje, antes de introduzir seus comentários sobre seus rituais. Aqui ele trata sobre o conceito da vontade entendido através da perspectiva thelêmica, como aquela vontade divina distinta da vontade comum. Sobre as diferentes eras astrológicas e os aeons de Ísis, Osíris e o atual, de Hórus. Do recebimento do Livro da Lei como uma confirmação de Crowley como o profeta da nova era. Para finalmente apresentar os libri de classe D, que contém os rituais e instruções oficiais da A.’. A.’. .

Duquette então nos apresenta os Rituais do Pentagrama, como por exemplo, mas não apenas, o Ritual Menor de Banimento do Pentagrama; os Rituais do Hexagrama, como o Ritual Menor do Hexagrama; os rituais de Conhecimento e Conversação com o Sagrado Anjo Guardião, como em Liber Samekh; os Ritos Solares, como a Missa da Fênix; do misticismo thelêmico, como em Liber Nu e ainda sobre os Ritos Elêusis, tal como praticados por membros da OTO desde a década de 70. Todos esses capítulos são organizados conforme comentários pessoais do autor seguidos pela apresentação do próprio liber em si. A conclusão do livro trata sobre Ordens thelêmicas e tece comentários específicos sobre esta religião, finalizando com o Liber XV, a Missa Gnóstica, rito central da Ordo Templi Orientis.

Uma breve busca por vídeos sobre rituais da Aurora Dourada ou mesmo da A.’. A.’. na internet sempre nos impressiona pela quantidade e, não raro,  pelos absurdos. A abertura de todos os documentos da Santa Ordem parece ter tido um efeito duplo: facilitou o acesso de novos aspirantes, porém, deu a oportunidade para que indivíduos nem sempre comprometidos com a honestidade, se aproveitassem da fama de muitos rituais para adaptá-los a suas próprias maneiras, e propagá-los como sendo genuínos. Perceba que não queremos dizer com isso que há qualquer tipo de proibição para adaptações pessoais, mas, que adaptações pessoais devem ser frisadas como adaptações pessoais.

Embora muitos thelemitas torçam o nariz para explicações públicas sobre os rituais da A.’. A.’., e o próprio Crowley tenha demostrado não gostar da ideia como exposto, por exemplo, em The Book of Lies, pensamos que livros como A Magia de Aleister Crowley, organizado e apresentado de forma honesta, distinguindo de forma clara opinião de escrito original, tem uma legítima função de existir.

por Allan Trindade

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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Posted by Resenha Oculta | File under : , , , , , , , , , , ,
Em um belo dia de primavera, uma jovem e virgem donzela faz a frente de uma procissão nas ruas da Grécia Antiga. Em suas delicadas mãos, um rústico e quase invisível incensário libera uma espessa fumaça aromática de Aloé, Rosas, Óleo de Oliva, Almíscar e Âmbar Gris. 

Fileiras e mais fileiras de bancos sustentam o peso de homens e mulheres ajoelhados em oração. Caminhando no centro em direção ao altar, um velho homem recita palavras em latim, ininteligíveis para a maioria dos presentes, enquanto balança um rico turíbulo de prata contendo incenso, na Inglaterra. 

Uma grande fogueira ao centro aquece todas as pessoas reunidas do lado de fora de suas cabanas, vestindo roupas de couro, penas na cabeça, e pinturas faciais, enquanto seu xamã lhes defuma com um amarrado de linhas de algodão e sálvia, na América do Norte.

Música, dança e alegria preenchem os corações de homens e mulheres vestidos de branco, dentro de um terreiro, enquanto entram em transe e defumam o lugar com orégano, café, manjericão e arruda, no Brasil.

Do oriente ao ocidente, de norte a sul, do esotérico ao exotérico, seja no passado ou no presente, as defumações sempre tiveram sua presença garantida dentro de rituais religiosos ou mágicos. Com diferentes peculiaridades que poderiam variar desde a inclusão de sangue e vísceras, até o uso de excrementos em sua composição; fosse para agraciar alguma divindade, cura, limpeza de ambientes, proteção, ou ainda para amaldiçoar a vida de alguém, o uso de defumações pode ser encontrado em praticamente todas as culturas antigas.

O Uso Mágico e Espiritual de Incensos e Defumadores, de M. E. Caland, publicado no Brasil pela Editora Pensamento, com 166 páginas nos dá um ótimo panorama sobre sua importância e uso ritualístico. Dividido em seis capítulos, o autor nos introduz a um mundo de teoria e prática desta arte tão negligenciada pelos magistas da modernidade. Caland é didático, classifica funções e métodos, origens e usos para cada uma das defumações apresentadas. Em seu argumento histórico, nos faz viajar para tempos antigos onde grandes rituais eram feitos em homenagem a Deuses e entidades, de diversas partes do mundo.

Apesar da aparente baixa quantidade de páginas, o livro é completo e faz jus a seu subtítulo: Aromas para curar, sonhar, amar, meditar e estimular, e vai além, já que dá instruções sobre como fazer seu próprio turíbulo, altar de incenso, tabelas de correspondência astrológica, associação de cores e dias da semana, dentre outras. Suas receitas não são apenas aromáticas, e grande parte delas incluem um objetivo mágico para seu fabrico e objetivo, tais como: incenso para prosperidade, incenso para vingança, incenso para círculos mágicos, incenso para favorecer os estudos... Além de incensos místicos, como: incenso de Pan, de Saturno, do Sol, etc...

Quem já sentiu o aroma de um incenso de rosa musgosa, quem já foi defumado dentro de um terreiro de macumba, ou ainda quem naquele momento de paz e tranquilidade acendeu um incenso para aromatizar e harmonizar o ambiente, sabe o quão poderoso é o cheirar de um aroma como esses. Entretanto, nos dias atuais, ervas são substituídas por produtos sintéticos que de longe são uma vaga memória do que seria o cheiro de determinado componente em seu estado herbal, ou natural.

Ir até a loja de produtos exotéricos e pagar menos do que o valor de um café na compra de um pacote de incensos, é o mesmo que querer investir miséria para obter riqueza...não dá! Produzidos de forma industrial, com bastões neutros, incensos combustíveis baratos são feitos a partir de óleos sintéticos que simulam, através de composições químicas, os aromas de ervas e demais elementos naturais, porém, de forma limitada e ruim.

Cada objeto ritual deve ser pensado de forma séria e dedicada, e o negligenciar de uma ferramenta tão importante, quanto os defumadores, pode empobrecer ou ainda, tornar o seu rito menos eficaz se levarmos em consideração, que sim, inteligências parahumanas existem e são atraídas para o nosso plano por associação e correspondência. Se não se oferta como presente um desodorante ao invés de um perfume para um alguém querido, então porque ofereces algo ruim, barato e sintético, ao invés de ervas naturais e aromáticas, a seus Deuses?

Adquirir o livro de Caland é não apenas investir em conhecimento prático, mas didático e mágico; é dar-se a chance de elevar seu ritual a um outro nível!

por Allan Trindade


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