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domingo, 13 de novembro de 2016

Se raros são os indivíduos nos dias atuais que possuem conhecimento sobre a existência de grimórios medievais, mais raros ainda são aqueles que cumprem o ofício de encará-los de forma crua e literal, dedicando-se na dura labuta de construir suas Armas Mágicas, investir em itens e ingredientes raros, e sacrificar sua comodidade em nome da Obra. 



Se o discurso modernista aponta para as subtrações da ritualística, com seus psicologismos e ‘positivismos’ baratos, tornando-a, em muitos casos, seca e relapsa, atraindo com sua luz artificial os olhos dos impressionáveis e efêmeros magos e bruxos de internet, são os Tradicionalistas que mantém a observância da santidade dos atos, estudos e rituais, e em Silêncio, perpetuam a Magia Cerimonial que nos é dada e herdada. 


E é neste sentimento que somos gratos àqueles que descobrem suas Coroas encapuzadas e nos presenteiam com sua experiência, através do uso consciente das tecnologias que a atualidade nos oferece, com seus livros, blogs e demais difusores de conhecimento, compartilhando instrução e inspiração para as novas gerações de magistas verdadeiramente interessadas, provando que modernização não é sinônimo de ignorância ou omissão.



[O livro a seguir é baseado no título Magus, de Francis Barrett, apresentado aqui no número anterior. Caso não tenha lido ainda esta resenha, recomendamos então que faça sua leitura antes desta.] 



GATEWAYS THROUGH STONE AND CIRCLE é um livro escrito por Ashen Chassan, no ano de 2013, com 170 páginas e publicado pela editora Nephilim Press. Com cerca de 8 capítulos, o título trata da experiência e prática do autor, a partir das instruções contidas no livro de Barrett, sobre como atrair espíritos para dentro de cristais e estabelecer comunicação com eles.



Chassan é vanguardista e nadando contra a corrente dos movimentos atuais, assumiu para si a labuta
de trabalhar não apenas de forma Tradicionalista, mas, resolveu, junto a um grupo de outros estudiosos, incorporar a seu dia a dia a prática de evocação de espíritos planetários. De uma forma geral, tais magistas reuniram-se com a intenção de criar uma egrégora em comum, para gerar saúde e prosperidade em abundância, para cada um deles, através das energias Jupiterianas. Mas este foi apenas o começo para o autor, que com vontade e dedicação, reuniu experiência e instrução sob o título que dá nome a sua obra.



A ideia central do livro está intimamente ligada não apenas ao título Magus como um todo, mas a um capítulo em específico, de conteúdo curto e nome pomposo: A Magia e a Filosofia de Trithemius de Spanheim Contendo Seu Livro de Coisas Sagradas e a Doutrina dos Espíritos Com Muitos Segredos Curiosos e Preciosos (Até Agora Desconhecidos Pela Maioria) da Arte de Atrair os Espíritos Para Dentro de Cristais, Etc. Com Muitas Experiências Nas Ciências Ocultas, Nunca Antes Publicadas Na Língua Inglesa. Traduzido de um Manuscrito Latino Valioso por Francis Barrett, Estudioso de Química, Filosofia Natural e Oculta, a Cabala, etc.



Sugerindo que a tradução do título acima, atribuído a Trithemius, foi feita para um amigo, Francis lhe explica que esta arte não é dedicada àqueles que têm por finalidade objetivos vãos e egoístas, mas que deve servir para elevar sua existência ao Mais Alto. Diferentemente de outros sistemas bem
fonte: http://bryanashen.blogspot.com/
mais complexos em seu Arsenal, a prática de Atrair Espíritos Para Dentro de Cristais exige apenas: uma bola de cristal, presa a um suporte e rodeada por um círculo de ouro com nomes divinos; um círculo mágico, não muito grande, já que o ritual não exige movimentação; dois castiçais; um turíbulo e uma varinha de ébano negro com caracteres de ouro; além dos itens pessoais comuns aos sistemas cerimoniais, exigidas para uso do magista, como seu manto, pantáculos, etc.



Note que não há indicação para o uso de adagas ou espadas, uma provável sugestão para o fato de que tentar forçá-los a cumprir sua vontade não seja o caminho ideal.


Com todas as ferramentas em mãos e todo contexto pronto, dá-se então início a prática. Muito mais uma arte de comunicação que de pedidos, o sistema de Trithemius sugere que os espíritos planetários, também chamados de (Arc)Anjos, exigem dedicação e vontade pura de objetivo, e que antes de mais nada, é preciso saber a razão de se querer estar em contato com tais seres, e o que quer saber deles. Para isso é preciso, previamente, fazer uma seleção de perguntas que irão compor a sessão e que devem estar intimamente ligadas ao ofício de cada Anjo, a qual é relacionado a cada dia da semana e aos sete planetas antigos.


Tal como o fez o autor de Gateways Through Stone and Circle , não há dúvidas que as informações contidas em Magus seriam suficientes para que você iniciasse os rituais com este sistema. Porém, a exigência de conhecimentos prévios e o sobejo de proselitismo do livro de Barrett, poderiam ser empecilhos desnecessários a um praticante menos sabido, e que com a lapidação dos excessos feita por um magista mais experiente, o objetivo final da obra poderia ser melhor aproveitado. E é esse o trabalho que Ashen Chassan nos traz em sua publicação.



As palavras chaves aqui são instrução e praticidade. Seu livro não tem por objetivo grandes dissertações morais, espirituais ou históricas. É de se supor que o autor tenha deixado de lado tais componentes, típicos de textos grimóricos, pela consciência de os mesmos serem encontrados no livro a qual este título está relacionado. Não obstante, em uma página ou outra, até mesmo sugere que, se você não for uma pessoa simpática ao Cristianismo, alterações nas orações possam ser feitas desde que se respeitando o cerne da ideia.



Em seu princípio, Ashen dedica algumas páginas para comentários gerais sobre a prática mágica e alguns elementos históricos, que parecem ser de interesse de alguns, como a questão se esta arte foi de fato descrita por Trithemius, ou se foi apenas atribuída a ele por Francis. Segue tratando dos elementos psíquicos e espirituais relacionados a alguns sistemas, como a nem sempre tão objetiva indicação, encontrada em alguns livros antigos e pinturas, da parceria com um vidente para a recepção das mensagens dos Anjos, tal como o caso de John Dee e Edward Kelley, responsáveis pelo recebimento do Sistema Angélico, vulgo Enochiano. 



Traz ao leitor os nomes, sigilos, signos, características, desenhos - conforme sua própria experiência -
das formas humanoides destes seres. Segue descrevendo, item a item, a maneira como construiu e/ou adquiriu suas Armas Mágicas, e dá todas as instruções, passo a passo, de como fazê-las ou dos locais onde comprá-las. Destaca ainda a importância da mistificação da técnica mágica, desde a observância de seus estudos como santos, até a preocupação com o templo externo, um quarto ou local destinado exclusivamente para rituais, e o templo interno: seu próprio corpo. Encerra sua sequência trazendo o relato do contato com o espírito Cassiel. 



Considerar a objetividade do livro de Ashen parcial, por não se preocupar tão arraigadamente aos elementos religiosos contidos em Magus, seria o mesmo que desperdiçar a oportunidade de tomar este título não apenas como um grimório moderno para suas práticas pessoais, mas perder a chance de ter como referência seu método de estudo, prática e ensino. 



A ideia de publicar um livro baseado em um grimório antigo, respeitando os fundamentos apresentados em sua forma original, e atualizando componentes de modo a, não favorecer os baixos egos sedentos por pirotecnias e resultados fáceis, mas a contribuir para o progresso do conhecimento mágico, é uma prática que deve ser não apenas adquirida, mas reproduzida e ampliada. 



Se Magus pode ser considerado a ferramenta mágica para a prática de Atrair Espíritos para Dentro de Cristais, Gateways Through Stone and Circle é, sem dúvidas, seu manual de instruções. 


por Allan Trindade


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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Uma busca rápida pelo tema Ocultismo na internet e dois nomes se apresentarão sem muita demora em sua pesquisa: Aleister Crowley e Goetia! Aleister Crowley? Um Mago britânico que cruzou o mundo em sua Busca através do conhecimento e do desvelar dos mistérios da Magia...Goetia? um sistema mágico por muito tempo evitado tamanha a força de seu rito e a potencialidade de seus 72 demônios. O quê eles tem em comum? A fama! A fama de serem capazes, a fama de serem terríveis! Entretanto, a fama nem sempre acompanha a realidade e é função dos buscadores da verdade descobrirem, por si mesmos, o quanto de realismo há entre as histórias fantásticas e os buchichos do vulgo...

A Goetia Ilustrada de Aleister Crowley é um livro escrito por Lon Milo DuQuette e Christopher Hyatt, com 158 páginas e publicado no Brasil pela Madras editora. O livro divide-se em dois aspectos básicos que se interpenetram: o relato das experiências dos autores com evocações goéticas e instruções básicas sobre os processos evocatórios, incluindo-se nestes a adaptação para conceitos atuais de Magia e Thelema, tais como: substituição dos nomes usados no exergo e triângulo para o panteão thelêmico, adaptação prática de alguns itens do Arsenal Mágico prescrito nos grimórios originais, sugerem uma nova visão sobre o que é um demônio segundo conceitos modernos e como tratá-los, além de novas ilustrações dos espíritos e seus sigilos feitos por David Wilson.

Crowley “participa” de forma direta e indireta no livro. Em seu aspecto indireto, contribui com o sistema desenvolvido por ele mesmo para dar uma nova roupagem, segundo a organização dos autores neste livro específico, para as prescrições evocatórias encontradas no grimório original, o Lemegeton. De forma direta, possui um capítulo inteiro chamado “A interpretação iniciática da Mágicka Cerimonial” , no qual dá a sua opinião sobre o que são os demônios evocados, que para ele, podem ser explicados como “os espíritos da Goetia são porções do cérebro humano. Seus selos representam, portanto, métodos de estimular ou regular essas regiões particulares (através do olho).” p.20

Os autores (e não nos fica claro quem, já que os capítulos não são assinados) parecem colocar em pauta a opinião dos "psicologistas", que defendem uma opinião puramente psicológica das manifestações, através de relatos de experiências pessoais que sugerem uma consciência parahumana, e uma individualidade dos seres evocados, que não concebe o conceito absolutista e antropocêntrico de que os demônios são meras expressões da nossa psiquê. E só por isso o livro já vale a leitura. Toda essa conceitualização absolutamente psicológica da Magia surge no séc. XIX e exclui, sob alguns aspectos, a existência de seres que possuem sua própria individualidade e vida, em planos existenciais que não aqueles necessariamente relacionados ao ser humano.

No campo prático, o livro não nos traz os elementos originais, portanto, caso você não tenha lido As Clavículas de Salomão/Lemegeton ainda, recomendamos que o faça previamente à leitura deste título. O ritual é dedicado a thelemitas, que também sejam familiarizados com o Sistema Enochiano, uma vez que traz, como evocação preliminar, uma das Chamadas deste sistema. E continua com descrições técnicas sobre o uso do Ritual Menor do Pentagrama, etc...e segue sugerindo, como uma possibilidade de trabalho a ser executado, evocações para a solução de problemas psicológicos, que nos fazem concluir que, segundo a visão dos autores, psicologia e espiritualidade caminham juntos, sem se excluir.

Como ponto negativo, nos parece extremamente desnecessário o uso do subtítulo Evocação Sexual para o livro, uma vez que apenas um curto capítulo à seu final disserte sobre a prática do sexo como uma alternativa ritualística, porém, que de tão pobre em sua descrição, mais trará dúvidas sobre o tema, que virá a instruir de alguma maneira...  

O livro apresenta paralelos entre Tradição e modernidade; Psicologia, Magia, Thelema e Magia Salomônica...para os já familiarizados com tais sistemas, vale a leitura, para todos os outros, recomendamos a aquisição prévia de um título mais introdutório.


"O mal é o inimigo. O mal são os deuses de outros homens. O mal são os terrores da noite. O mal é o esmagador sentimento de desmoronar.
Contudo, todas essas imagens são contrassensos. O mal, assim como outras ideias, existe porque nós, como humanos, existimos.
A natureza não conhece o Mal, nem o Bem, nem, aliás, a Lei. Estas são criações da mente humana, "explicações" que nos ajudam a aquietar os "terrores da noite". A mente humana exige a crença em "sua" ideia de "ordem" unicamente pelos propósitos da mente humana.

Assim, a natureza do mal é a natureza humana." p.35

por Allan Trindade



segunda-feira, 30 de março de 2015

Encontrei este livro por um acaso, se é que podemos dizer que o acaso existe. Como de costume, antes ou depois da escola, sempre entrava em uma livraria que fica próxima ao prédio. Naquele tempo, eu tinha prometido para mim mesmo que não ia mais comprar livros físicos, já que eles pesam e ocupam espaço...e espaço é sempre um problema quando sua casa são praticamente suas malas. 

Caminhando entre algumas estantes, na ilha de novidades, no centro do setor de ocultismo, pilhas e pilhas de livros em promoção. Minha mente insistia: 'livros físicos não!',...mas meus olhos me conduziam ao pecado. E foram eles os culpados da visão deste título que com um belo adesivo vermelho de 5,00 euros chamava ainda mais minha atenção. Um pouco impressionado pela quantidade de páginas, 562 para ser mais exato, dei uma folheada despretensiosa para ver seu conteúdo. Muito bem editado, com imagens, fotos, notas e um índice a qual relacionava seus 12 capítulos. Após ler o prefácio, concluí: sou de fato um pecador, e o pior, sem o menor arrependimento!

The Book of English Magic, escrito por Philip Carr- Gomm & Richard Heygate é uma daquelas graciosíssimas surpresas que são colocadas em nossos caminhos em momentos em que menos esperamos. O livro contém doze capítulos divididos em diferentes temas e que basicamente são uma introdução bastante completa para estudantes iniciantes e avançados de ocultismo. Sua leitura é de um inglês acessível, mesmo para aqueles que não são totalmente fluentes no idioma, e ainda contém uma extensa introdução a cada tema exposto, entrevista com praticantes dos sistemas pesquisados, bibliografia e indicações de cursos e websites para se aprofundar na matéria de seu interesse, além de servir como um ótimo guia turístico para todos aqueles que pretendem visitar a Inglaterra.

Como o nome pode sugerir para alguns, o título é razoavelmente pretensioso, no que tange a ideia dos autores quanto aos sistemas mágico-esotéricos expostos em seu conteúdo. Conforme dito anteriormente, o livro é de fato uma introdução e um resumo dos principais sistemas mágicos utilizados e/ou estudados por grande parte dos ocultistas ocidentais nos dias atuais. Sendo assim, é sempre importante manter em mente que apesar de a maioria destes sistemas terem tido uma maior visualização após grandes nomes do esoterismo britânico, eles não são necessariamente ou exclusivamente pertencentes ao Reino Unido, seja por sua origem ou desenvolvimento.  

A citação de grandes nomes, tais quais, Samuel Lidell Mathers, Wyllian Wynn Westcott, William Robert Woodman (fundadores da Golden Dawn) Dion Fortune (uma das mais proeminentes membros da Ordem), Aleister Crowley (membro de igual destaque e organizador do sistema Thelêmico), Arthur Edward Waite (responsável pela criação de um dos baralhos de tarô mais famosos do mundo ilustrado pelas mãos de Pamela Colman Smith), são como que uma obrigatoriedade quando tratamos do tema, porém, é preciso lembrar ainda que muitos destes foram influenciados por indivíduos que não eram ingleses, tal como Eliphas Lévi, francês nascido sob o nome Alphonse Louis Constant, que foi por sua vez, segundo os próprios citados, o grande inspirador para o renascimento da magia ocidental no século XX, além de outros.

Não obstante, os próprios sistemas em si são oriundos de diferentes regiões da Europa, e em alguns casos, África e Ásia...logo, apesar de seu florescimento e merecido mérito pertencerem a terra da Rainha, mais justo seria intitular o livro como The Book of European Magic.

Detalhes a parte, o resumo da obra pode ser descrito como; indispensável! The Book of English Magic é um livro para se ter, ler, reler, praticar, curtir e compartilhar!

por Allan Trindade

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segunda-feira, 23 de março de 2015

“Aleister Crowley e o Tabuleiro Ouija” é um livro curioso por vários fatores, que incluem desde o seu título, até seu conteúdo. Publicado no Brasil pela Madras editora, com um total de 158 páginas, é escrito por Jerry Edward Cornelius, ex-membro da OTO e thelemita há décadas. Porém, pouquíssima referência a estes temas serão encontradas no interior deste título...

Como era de se esperar, o autor inaugura o livro relatando uma parte da história e desenvolvimento do tabuleiro Ouija. Sem citar casos famosos como os das Irmãs Fox, foca sua descrição em grande parte sobre aspectos judiciais e disputas de patentes do tabuleiro...o que é certamente interessante notar, vide o quanto de materialidade está por trás de algo tão comumente relacionado à espiritualidade.

Cornelius intitula o livro com o nome de Crowley, pois baseia parte de seus argumentos em uma nota escrita pela Besta para um jornal, sobre a utilização do jogo dos espíritos. Entretanto, vai além, e possui uma intenção clara de tentar elevar o tabuleiro - que segundo o autor possui sua má fama em função da indústria de cinema e sua má utilização pelo vulgo - a uma Arma mágica que deveria fazer parte do Arsenal de todos os magistas. Para isso, ao invés de criar um sistema novo que pudesse então ser utilizado como uma contribuição extra aos sistemas já existentes, prefere, através de um discurso profundamente proselitista, relacionar a Ouija ao Sistema Enochiano...e é sobre esta base que grande parte do livro é desenvolvida.

Se você é uma pessoa que espera uma visão imparcial ou mais “científica” sobre os “por quês” do tabuleiro, terá que se acostumar com as afirmações constantes e incisivas de que, por exemplo, os seres evocados através da Ouija são elementais que se utilizam das Cascas astrais para enganar os participantes de uma sessão, fingindo desta forma serem entes queridos ou personalidades famosas. Segundo o autor, seja para seu bel prazer, ou ainda para o ganho de algum tipo de recompensa, tais entidades - se não evocadas através de um sistema mágico Tradicional - tal qual o é o Enochiano, só trarão aos partícipes problemas de menor ou maior intensidade. 

Acredito, que ao ter escrito tal livro, o autor tenha posto seus argumentos a prova e, portanto, tenha praticado o que indica ser eficiente antes de todas suas afirmações. Baseado nisso acho válida a ideia de experimentar unir estes dois métodos tão aparentemente distintos. Entretanto, não me parece que tal junção seja realmente necessária, visto que ambos os sistemas possuem cada um a sua maneira, seus próprios procedimentos, objetivos e são completos per si...portanto, e como sempre, a escolha é sua!

Considerações à parte sobre seu conteúdo didático cabem ainda alguns comentários sobre a péssima tradução e revisão feita para este livro no Brasil. A seguir relaciono alguns dos pontos aos quais em princípio pensara serem apenas exceções, mas que logo em seguida, por sua constância, notei serem infelizes erros grosseiros, inadmissíveis em alguns pontos, que infelizmente me fazem desconfiar da obra traduzida como um todo:

pg 83:     Livro da Revelação ao invés de Apocalipse
pg 95:     “é imaterial” ao invés de “é irrelevante
pg 142:   “The Temple of the Holy Ghost” como “O Templo do Espectro Sagrado” ao invés de “O Templo do Espírito Santo”.

Aleister Crowley e o Tabuleiro Ouija não é um livro para inexperientes no campo do psiquismo, do espiritualismo ou da magia. Sua versão brasileira, vide os problemas citados acima, que podem ser ainda maiores em número, não é recomendada para qualquer um!


por Allan Trindade