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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Rio de janeiro, 12 de dezembro de 2004. Domingo

É noite. Eu fujo. Fujo de algo ao qual não sei o que é, mas sinto sua forte presença se aproximando cada vez mais rápido. Corro até que finalmente chego a um lugar que me parece seguro, um lugar com um grande gramado iluminado por numerosas velas fixadas no chão, velas que eu sei que são de oferendas. Não toco em nenhuma. No fim do caminho algo se destaca a vista: uma enorme chaminé de fábrica, daquelas com tijolos vermelhos. Minha mente permanece inquieta, talvez pelo fato de saber que estou sendo seguido, mas o pior é não saber por quem ou pelo quê.

Por um momento tento mas em vão, concluo que continuar correndo não irá me salvar do contato com a coisa... então fecho meus olhos e me concentro no meu objetivo: corro e salto. É fascinante, a gravidade simplesmente não existe pra mim! Voo pelos ares apenas com meu impulso e vontade. Vejo a chaminé se transformar em miniatura perante meus olhos. 

Minha velocidade me preocupa, subo rápido demais. Giro como um pião e num movimento súbito abro braços e pernas, e meu corpo para no ar. Estou entre as nuvens, as estrelas acima da minha cabeça e o mundo a meus pés. 

Êxtase! ...nada mais me preocupa, posso finalmente relaxar.

SONHOS LÚCIDOS é um livro escrito por Dylan Tuccillo, Jared Zeizel e Thomas Peisel, com 255 páginas, divididas em 6 capítulos e publicado no ano de 2015 pela editora Sextante.

Sonhamos todos os dias! Sim, você sonha todos dias, mesmo que não se lembre sempre de seus sonhos, eles aconteceram e acontecerão todos os dias.

Mas se sonhamos todos os dias, por que não lembramos de todos nossos sonhos? Os motivos podem ser diversos e explicados através de perspectivas científicas, ocultistas ou ainda das duas. Mas a razão principal pode ser bastante simples: você sempre sonha mas não se lembra sempre porque acredita que não sonha todos os dias, e que é normal se esquecer dos seus sonhos. Esta teoria parece mesmo plausível se levarmos em consideração que é bastante comum ouvirmos esse tipo de fala vindo da maioria das pessoas. Mas segundo alguns especialistas devemos evitá-la. De acordo com os autores, é assim que desprogramamos este boicote mental e mudamos nossa relação com o mundo onírico.

Falando assim parece fácil, mas se estamos tratando de vícios, não é de uma hora pra outra que conseguimos mudá-los, correto? Sendo assim, é por isso que precisamos substituir os hábitos que nos levam a apagar da memória nossos sonhos, por aquelas práticas que nos farão não apenas lembrar de cada um deles, mas ter consciência e fazermos lá todas as coisas que por um motivo ou outro não fazemos aqui. Mas como fazer isso então? É através deste livro que você aprenderá!

Talvez você ainda esteja se questionando sobre os benefícios de desenvolver a habilidade de lembrar e controlar seus sonhos, mas se teve a experiência de lucidez ao sonhar ao menos uma vez na vida, sabe o quão maravilhosa é esta sensação. A liberdade é praticamente absoluta e as limitações estão quase sempre restritas a sua capacidade imaginativa. Voar costuma ser um dos feitos mais marcantes para a maioria dos onironautas. Mas nem só de sensações vivem aqueles que desafiam as águas do esquecimento e muitos são aqueles que através do sonhar conquistaram coisas novas, como o caso de Paul Mcartney que sonhou com a melodia de Yesterday, Elias Howe que criou a máquina de costura, Dmitri Mendeleev e a tabela periódica, assim como muitos outros casos onde pessoas encontram seus entes queridos já desencarnados e podem com isso superar os traumas da separação, ou ainda os clássicos exemplos do Xamanismo onde indígenas tratam das questões pertinentes a tribo e seu futuro com seus guias espirituais.

Mas para entender melhor sobre quando as técnicas de controle dos sonhos deixaram os muros das religiões e sociedades secretas e alcançaram o mundo do vulgo, vamos partir do começo. Tudo se iniciou em meados da década de 70, onde dois cientistas, Keith Hearne e Alan Worsley, e anos mais tarde, Stephen LaBerge, queriam provar que sonhos lúcidos eram reais. Levando em consideração a atonia do sono - estado onde o corpo fica inerte e só o diafragma e os olhos se movem - fizeram o teste: Worsley deveria movimentar os olhos oito vezes da esquerda para a direita enquanto estivesse dormindo. Aparelhos conectados, tudo pronto, Alan dormiu e voilà! Seus olhos se mexeram conforme combinado. Assim, os cientistas puderam concluir que mesmo dormindo, algumas pessoas tinham a capacidade de manter certo nível de consciência. A partir daquele experimento então, as técnicas de viagem astral se ampliariam, e se tornariam bem menos místicas e mais pragmáticas.

Este título disserta sobre uma série de questões científicas que tratam da relação do homem com o sonho e ainda os diversos questionamentos, tais como o local de sua existência e função, que tem sido feitos durante toda a história da humanidade, passando pelos sumérios, egípcios, gregos, romanos, hindus, cristãos, até dúvidas e definições mais modernas como aqueles de Freud, Jung, Aserinsky, Kleitman dentre outros. E embora o livro tenha um caráter bastante materialista se comparado aqueles de origem ocultista, uma coisa parece ainda conectar os dois mundos: a vontade. E aqui, saímos de seu aspecto teórico, e partimos para seu aspecto prático.

Segundo os autores, é muito importante que o pretendente a viajar conscientemente pelo mundo dos sonhos queira realmente fazê-lo, e por isso deve afirmar esta intenção no presente: estou sempre lúcido nos sonhos! Para além disso, um ambiente tranquilo é importante, além de hábitos alimentares que não favoreçam tanto os estágios absolutamente profundos de sono, tais como o consumo de cigarros, maconha e café. Ter um caderno específico para anotá-los também será fundamental. Dada esta preparação básica a técnica é apresentada, uma técnica que propõe a interrupção do sono após seis horas dormidas, contendo instruções de sensações auto induzidas e afirmações positivas com a intenção da lucidez.

O livro dá dicas sobre como treinar sua consciência para viajar por lá de forma tranquila e proveitosa, sempre respeitando seu tempo. Uma vez que tenha alcançado a lucidez, aproveite! Se você não acha que pode voar por si mesmo, crie asas. Se precisa ir para um outro país, use uma máquina de teletransporte. Se quer explorar o fundo dos mares, vire um peixe. Sua imaginação é o seu limite. Os autores tratam ainda de pesadelos, curas, incubação de sonhos, predição do futuro e dos seres - humanos e não humanos - que podemos encontrar por lá, o nível de consciência deles e de que forma esta relação pode lhe ser proveitosa, mas ressaltam que deve se tratar seus habitantes com educação, afinal de contas você não sabe quem ou o que são eles de fato...

Sonhos Lúcidos é um daqueles livros que dá prazer de ler e ver. É ricamente ilustrado e tem uma diagramação em estilo de revista, com caixas de relatos independentes espalhadas aqui e acolá, e capítulos que sempre são finalizados com um resumo. É feito tanto para aqueles que nunca ouviram falar em viagem astral, como para aqueles já familiarizados com este universo, uma vez que sua neutralidade não apele nem para o campo científico ou esotérico, estando mais preocupado em apresentar técnicas leves, descontraídas e efetivas a todos os interessados. Prático e ideal.

por Allan Trindade



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segunda-feira, 26 de março de 2018

Era tarde da noite. Conversávamos na cozinha enquanto ela preparava uns tira-gostos para acompanhar a cerveja gelada. A conversa foi se apimentando junto aos olhares de desejo e as insinuações sexuais. Nos beijamos com a mesma intensidade da primeira vez. Ao tentar tocar seu sexo, segurou minha mão e sussurrou no meu ouvido como quem confessasse um pecado: estou menstruada!

Não esperava por isso. Esfriei. Disse e olhou-me nos olhos como que esperando que eu tomasse a decisão a partir daquele ponto, afinal de contas, fui eu quem sempre deixou claro que bandeira vermelha é sinal de impedimento. Fomos para o quarto. Pedi então que ao menos apagássemos a luz desta vez. Não saímos do básico. Gozamos.

Fui direto para o chuveiro. Por toda a extensão do meu pênis via-se o vermelho-sangue que agora pingava da ponta da minha glande e escorria pelo piso branco em direção ao ralo. Minha pressão baixou. Fiquei meio zonzo. Não, nunca foi por frescura, mas um certo nível de hematofobia. Ela, preocupada, veio ver como eu estava:

- Você está bem, Allan?
- Não exatamente, mas vou superar...

LUA VERMELHA é um livro escrito por Miranda Gray, com 294 páginas, divididas em 6 capítulos e publicado no ano de 2017 pela editora Pensamento.


Os novos sistemas de magia, algumas religiões modernas, além de outros tantos movimentos políticos, ideológicos e artísticos parecem combinar em uma coisa: a mulher precisa ser vista, ouvida, compreendida e acima de tudo, respeitada nestes novos tempos. Por mais lógico que isso possa parecer para muitos de nós, acostumados com os discursos igualitários modernos, basta muito pouco para perceber que a realidade em cada um destes campos era deveras diferente para elas em tempos outros. Por isso, para muitas, ainda há muito o que mudar e melhorar.


Se as causas para grande parte das mazelas são oriundas da ignorância, é na busca do conhecimento que nos livramos das correntes que nos limitam e nos impedem de compreender a realidade do outro. Não se deveria considerar que o fato de sermos homens há de nos livrar da necessidade desta compreensão, especialmente pela inconteste realidade de sermos gerados e, de uma forma geral, criados por mulheres. Muitos de nós casam-se com elas, e são elas que dão origem a nossos filhos e perpetuam nossa existência através deles, contribuindo e cumprindo assim a função instintiva e inerente a todo ser vivo de reproduzir seus genes e imortalizar-se através de novos seres. Portanto, nos cabe levar em conta que como coautoras fundamentais para nossa vida, devemo-nas algo, e se o que querem é ser ouvidas, então que abramos nossos ouvidos de forma empática para tudo aquilo que elas tem para nos dizer. 

Este nem sempre é um exercício fácil para a maioria de nós, homens acostumados a darmos violência e indiferença como recompensa para o tratamento de cuidado e amor que muitas vezes recebemos delas, mas é preciso romper padrões caso queiramos estabelecer uma relação mais respeitosa para ambos os lados frente aos novos tempos que virão, e a literatura pode ser um ótimo começo para isso. Caso seja homem, acostume-se com a ideia dos pronomes femininos nesta leitura e com as referências a coisas que você provavelmente evita ou desconhece. Caso você seja mulher, este livro foi feito para você. 

O assunto principal aqui costuma incomodar a muitos, de ambos os sexos: menstruação. A autora inicia seu livro falando sobre a percepção de que seu trabalho - ela, uma ilustradora - variava do preciso ao mais abstrato de acordo com seu período menstrual e que frequentemente sofria com essa oscilação, uma vez que estas mudanças nem sempre estavam em acordo com suas perspectivas profissionais. Foi assim que começou então a pesquisar sobre o ciclo de sangramento, inclusive no campo religioso através de deusas e mitologias, e ao perceber conexões diversas entre estes elementos e com outras mulheres, dera início a este título.

Miranda nos esclarece que Lua Vermelha fora escrito para reorientar a percepção deturpada e negativa que a mulher tem sobre seus ciclos e tem ainda uma proposta de buscar os elementos subjetivos existentes nos folclores e lendas sob a luz da interpretação positiva da menstruação. Assim, nos traz exemplos de culturas que tanto exaltaram a mulher sangrenta como divina e poderosa, como aquelas outras tantas que as sentenciaram ao isolamento, e chegavam a extremos de condenar a morte aqueles que ousassem tocá-las. Seu objetivo é claro: mulheres precisam se observar. Precisam manter diários sobre seus períodos, registrando datas, fases da lua, sonhos, sentimentos, estados de saúde, inspirações e tudo mais que puderem relacionar.

Logo em seu princípio, a autora nos traz a história de Eva, uma menina que vai para o Plano Astral e tem uma série de experiências com entidades e deidades femininas até a menstruação. Este conto é usado como base de forma mais ou menos simbólica, para indicar ideias e exercícios que serão propostos no decorrer do livro. A autora investe constantemente no argumento de que no passado as mulheres eram por muitos respeitadas em seus períodos, já que muitas culturas antigas baseavam seus calendários e mitos na Lua, e a relacionavam a mulher e suas diversas fases, tais como: a donzela, sendo aquela que nunca fora penetrada ou que ainda não alcançara a menarca; a senhora, aquela independente e que teve sua primeira menstruação ou ainda grávida;  a bruxa como aquela velha que chegou na menopausa, etc...as correlações são várias e não se limitam ao campo religioso, uma vez que reinterpretara também os contos infantis, tais como Branca de Neve e Bela Adormecida, sob o argumento de que tais contos contém alusões a estes períodos.


Como uma das propostas principais desta edição, nos é apresentada a Mandala Lunar, um painel passível de ser feito de diversas maneiras, contendo um registro detalhado dos eventos menstruais de modo que se estabeleça uma percepção consciente de todos os benefícios e reveses oriundos destas fases, para que assim, se possa ter a exata noção de aquele momento é apenas consequência da menstruação, e que no devido tempo, vai passar. 


Este livro tem um único objetivo: fazer com que a mulher observe seus ciclos e reinterprete suas consequências de modo positivo. O mesmo faz a autora sobre muitos aspectos mitológicos, religiosos e literários, reinterpretando-os sob uma perspectiva exclusiva: a da menstruação. É radical sob alguns aspectos sem ser política, como quando sugere que mulheres vivam a experiência de não usarem tampões e absorventes externos, de modo a sangrarem de forma livre e romperem certos estigmas sociais. É aqui que Gray também vai sugerir que a TPM e as dores - sentidas por algumas mulheres - fazem parte de todo o processo, e que estas sensações, ao invés de amaldiçoadas, devem ser compreendidas e dominadas. Por fim, sugere uma série de rituais, exercícios de visualização e práticas físicas relacionadas a cada uma das fases.

Lua Vermelha é em grande parte repetitivo, passando por vezes a impressão de que 'ela já disse isso antes'. Apesar das constantes referências religiosas, os rituais contidos aqui não possuem um caráter mágico, mas muito mais psicológico: são viagens guiadas, muitas delas relacionadas a história que ela criara no começo do livro. Fala para mulheres e nada ou praticamente nada da relação destas para com seus maridos ou filhos: a proposta é que a mulher dedique-se e olhe para si neste momento. 

Como homem e leitor de uma realidade completamente diferente da minha, certamente me fez refletir que é preciso olhar com mais carinho para estes momentos tão sensíveis de nossas mães, irmãs, esposas, amigas, parceiras, mulheres.

por Allan Trindade
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sábado, 21 de janeiro de 2017



Em um primeiro contato com os conceitos espiritualistas e esotéricos, um dos assuntos que mais atraem o interesse dos iniciantes é a projeção astral. Com um escopo considerável de denominações que variam sempre de acordo com a natureza da linha de pensamento que lhe atribui características, suas descrições oscilam desde similaridades facilmente assimiláveis e cognoscíveis, até o nível de nomenclaturas e neologismos tão específicos e intrincados, que parecem, por vezes, ter o objetivo de não apenas patentear aquela descrição, como também de confundir os menos entendidos sobre o tema.


Viagem astral, projeção astral, desdobramento astral, duplo astral, corpo de luz, corpo de desejos...são apenas alguns exemplos de uma ação que é indiscutivelmente a mesma para todos: a capacidade de viajar com sua consciência para outras realidades, inseridas num plano onde nada é exatamente como é, mas quase sempre, como se pensa.

A ideia de visitar o espaço 'entre mundos', onde não se encontram as amarras ou limitações características do plano material, sejam elas de natureza mórfica ou física, surge como um convite à liberdade e um alívio para nossas fatigantes rotinas diárias, que em sendo leves ou pesadas, nos cansam e por vezes nos fazem questionar qual há de ser, afinal de contas, o sentido da vida.

O corpo físico não nos dá trégua: se usado em excesso, quebra, se não for exercitado, atrofia. E é no momento do descanso, no sono, que de uma maneira geral nos desprendemos das regras e exigências de todo este materialismo, para adentrar naquele plano onde nem matéria nem realidade pesam, e é por isso que quase sempre lá, optamos por voar.

Neste local, que talvez devêssemos chamar de 'Universo Astral', dada a sua vastidão de possibilidades, nos encontramos com tudo aquilo que compõe nossa realidade e a realidade de todos aqueles conhecidos e desconhecidos seres, aos quais compartilhamos a existência. De uma natureza anárquica, a única regra para o Astral parece ser a sua (in)consciência: seus medos e anseios, desejos e ambições, experiências e traumas, estão todos lá, acessíveis, criáveis e recriáveis com a força de um milésimo de pensamento.

Poucos se arriscam em tentar explicar a composição deste local, e enfatizamos o quanto consideramos de fato um risco a criação de qualquer conceito que tente engessar toda a volatilidade e inconstância deste lugar, que não se permite outro comportamento que não o fluídico. Mas independentemente do quão selvagem possa ser um território, ou do quão escasso sejam os mapas e descrições sobre os mesmos, sempre existirão aqueles dispostos a desbravar os campos imaculados do físico, do mental e do espiritual...

O PLANO ASTRAL é um livro escrito por Charles Webster Leadbeater, com 126 páginas, 5 capítulos, publicado no Brasil no ano de 1998, pela editora Pensamento.

O livro é prefaciado por Annie Besant, uma das mais destacadas teosofistas de seu tempo, que ressalta a importância deste título, que surge como um introito ao tema, para aqueles iniciantes queixosos sobre a linguagem pouco introdutória comum aos textos da doutrina iniciada por Madame Blavatsky. Sob esta perspectiva, faz votos de que este escrito possa ser proveitoso para todos, independentemente de seu nível de instrução neste campo.

Em seguida, C. Jiranadasa nos fala sobre o surgimento da obra e como Leadbeater adquiriu seus poderes como clarividente, dando-lhe assim a possibilidade para esmiuçar e  relatar os detalhes destes Planos.

O Plano Astral é fruto de uma conferência dada pelo escritor, em 21 de novembro de 1894, na casa de Alfred Percy Sinnet, então presidente da Loja de Londres da Sociedade Teosófica. Referido por Jiranadasa como Bispo Leadbeater, uma vez que tenha se sagrado a tal título pela Igreja Católica Liberal no ano de 1916, foi sua a incumbência de reunir os diversos escritos do autor que, ao serem compilados, dariam origem então a obra que se apresenta.

Em seu primeiro capítulo, chamado de Apreciação Geral, Leadbeater nos leva a um vislumbre inicial sobre o posicionamento e função do Astral. Indicando que este plano está "abaixo" do plano espiritual, o que por princípio já nos dá uma indicação de divisão trina para os planos existenciais, se observados como; material, astral e espiritual. Faz comparativos com as descrições deste local intermediário, visitado por encarnados e habitado também por desencarnados, descrito por diversos nomes em diferentes filosofias e religiões:

Quando, por ocasião dessa transição a que vulgarmente chamamos morte, o homem se despoja totalmente do corpo físico, é nesse mundo invisível que ele ingressa e lá fica vivendo durante longos séculos que medeiam entre as suas encarnações nesta existência terrestre. A maior parte destes longos períodos, a sua quase totalidade mesmo, é passada no mundo-céu, ou Devachan. O presente trabalho é dedicado à parte inferior desse mundo invisível, ao estado em que o homem ingressa imediatamente após a morte - o Hades ou mundo inferior dos gregos, o purgatório ou etapa intermediária dos cristãos, e que os alquimistas da Idade Média chamavam ' Plano Astral '. pg 21

Toda esta multiplicidade descritiva é sempre encontrada em filosofias espiritualistas, que se propõem a explicar os planos não materiais de existência, em menor ou maior intensidade e minúcia. O desafio neste contexto está em compreender que apesar das nuances de diferença que podem caracterizar uma em detrimento de outras, a convicção é sempre a mesma: o plano astral é uma realidade!


Nestas condições, é de se esperar que a presente descrição do plano astral, embora necessariamente incompleta, possa, dentro dos limites que lhe impusemos, inspirar absoluta confiança aos nossos leitores. A primeira ideia a fixar nessa descrição é a absoluta realidade do plano astral. O plano 
astral existe. pg.22

Em O Cenário, seu segundo capítulo, o autor se dedica a detalhar o processo de formação.

Embora, por causa da pobreza da nossa linguagem, sejamos forçados a chamar esses planos 'superiores e inferiores', não se julgue que esses subplanos (ou antes os planos maiores de que estes, são apenas subdivisões) são localidades separadas no espaço, uns por cima dos outros como as prateleiras de uma estante, ou uns exteriormente aos outros como as camadas de uma cebola. Não: A matéria de cada um deles interpenetra a matéria do imediatamente superior, de modo que aqui à superfície da terra existem todos no mesmo espaço, embora as variedades superiores de matéria se estendam para mais além da terra física do que as inferiores. pg. 29

Num total de sete níveis, divididos em três partes, as camadas 1,2 e 3 compõem os estados menos densos, estando mais próximos de seres mais elevados, e mais distantes dos níveis 4,5 e 6, componentes mais próximos da materialidade terrestre, e 7, o mais profundo de todos, onde está localizada - segundo o autor - a condição mais desgraçada para qualquer ser humano.

Na terceira parte, fala sobre Os Habitantes destes locais, divididos entre seres humanos, não humanos e artificiais. Destaque para o processo de morte sofrido por todos nós no plano material, e porque certas pessoas ligadas por seus hábitos, tem dificuldades em sutilizar suas consciências para o desprendimento contínuo dos planos outros, e a evolução continuada. Ainda neste sentido, destaca a importância do estudo de religiões comparadas como elemento libertador das religiões escravagistas, que infelizmente, consideramos nós, ainda são vigentes e dominantes no mundo:

Também a horrível doutrina da punição eterna é a culpada de grande dose do terror, grandemente lamentável e profundamente injustificado, com que os mortos ingressam na vida superior. Em muitos casos passam longos períodos de um sofrimento mental de intensa agudeza enquanto não conseguem libertar-se desta monstruosa blasfêmia, e convencer-se de que o mundo é governado, não segundo o capricho de qualquer demônio, ávido de angústias humanas, mas segundo a grande lei da evolução, profundamente benévola e maravilhosamente paciente. pg.56/57


Fala ainda sobre os Fenômenos, oriundos das interseções entre os planos, e conclui sua obra fazendo alusões ao Yoga e das vantagens e desvantagens de ter acesso as estes locais e suas visões.

Se na primeira obra de Leadbeater apresentada aqui, de nome Os Espíritos da Natureza, ressaltávamos a falta de elementos palpáveis e didáticos para um melhor entendimento do conteúdo apresentado, é em O Plano Astral que estes problemas são solucionados. A obra é de fácil leitura; por não ser tão extensa e possuir pouca quantidade de páginas, além de ser de fácil compreensão; pois não usa nenhuma linguagem rebuscada e nem mesmo deixa pontos em aberto: todo conhecimento que se acrescentar ao exposto por Charles neste livro será um bônus.

Se você já sonhou um dia, você não apenas tem a certeza que o Plano Astral existe, como certamente já esteve lá!

por Allan Trindade


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terça-feira, 28 de julho de 2015

Como prêmio por ter ido bem na escola, tio conta a seu sobrinho, a história de um pobre menino chamado Ojesed. Com uma forte sede por conhecimento, e sem condições financeiras de ter seus sonhos realizados, Ojesed se sente injustiçado pelo destino por não ter recursos para estudar. Considerando o fato de não ter tido uma madrinha para lhe abençoar no dia de seu batismo, como um dos motivos para seu triste destino, ignora os argumentos de sua mãe de que fora entregue as bençãos de "Nossa Senhora", sendo desta forma tão ou mais abençoado que os outros. Convicto de que isso não passa de uma desculpa, esbraveja a esmo sua infeliz condição, quando, neste momento, é surpreendido por uma fada, a Estrela D'Alva, enviada por sua então madrinha, para lhe ensinar sobre os reinos elementais...

Ojesed é desta forma levado para o primeiro destes reinos, o reino dos pigmeus, ou, como o autor passará a chamar doravante, o reino dos gnomos!...

No Mundo dos Elementais é um livro escrito por Vasariah S. I. , publicado no ano 2000 , com 248 páginas, pela editora Vasariah . O livro conta o início da saga de Ojesed e tem uma intenção didática, disfarçada pelo romance literário. Dividido em 15 capítulos, sempre introduzidos por breve diálogos entre tio e sobrinho, é repleto de lições ocultistas, que se dão entre a Fada e o menino em sua viagem.  Com uma intenção clara de expor conceitos esotéricos e mágicos em suas linhas, o autor nos fornece orações, pantáculos, rituais e até mesmo receitas de plantas e ervas, tanto para uso cerimonial, quanto para a labuta medicinal. É um livro introdutório para os conceitos da Alta Magia, que tem por objetivo trazer ao leitor um entendimento geral sobre práticas, ideias, e fórmulas esotéricas.

Vasariah assina seu nome com as siglas S. I. , provável referência para seu grau dentro de alguma Ordem martinista, uma vez que estas sejam as iniciais de Superior Incógnito usado por estas Sociedades. Sendo assim, não nos impressiona o teor proselitista encontrado em seu romance, onde não mede esforços para deixar claro o fundo religioso do livro, profundamente cristão em suas orações e conceitos. Levando em consideração que o autor se coloca apenas como narrador de sua história, e não como um dos presentes, poderíamos considerar que toda esta conceitualização tendenciosa faz parte apenas da personalidade dos personagens apresentados, entretanto, pelo teor didático que o livro possui, além dos motivos de Ordem já citados, não nos resta dúvidas sobre as intenções evangelistas de Vasariah apresentadas neste romance.

O primeiro conceito exposto é o da Viagem Astral, seguido pelo uso de paramentos, ensinado pela fada ao menino, para que possam transitar com segurança por outros planos. Introduz o leitor a diferença entre elemental e elementar, e ao fabrico e uso de pantáculos e inclui ainda um curioso cálculo que mede o raio de atuação de um pantáculo em relação a seu tamanho. Faz referências a Cabala, apresentando classificações de anjos e suas hierarquias, à Astrologia, à Botânica Oculta, fala longamente sobre a Alquimia Espagírica, e até sobre Macumba, na tentativa de fazer uma distinção entre Umbanda e Quimbanda, elevando a primeira e denegrindo a segunda.

No campo filosófico, não bastasse o excesso de cristianismo contido no livro, o título ainda nos leva a reflexões curiosas sobre alguns conceitos apresentados. Em um dos primeiros casos observados pela dupla, um dos gnomos, fala longamente sobre os "por ques" que eles, elementais, devem atender aos chamados de nós, seres humanos, que, segundo a apresentação do autor; estamos para servir a deus assim como os elementais estão para servir a nós. Porém, a estranheza nos surge quando, dentre grande parte da narrativa, além dos elementais apresentados serem profundamente organizados em sua sociedade, possuindo inclusive um código penal, e demonstrar tão ou mais equilibrada  a relação que que eles possuem com a natureza em comparação a relação humana para esta, dizem eles almejarem acima de tudo a possibilidade de um dia encarnarem como membros da nossa raça! Que superioridade há de ser esta humana então?...resta saber!

No campo esotérico e literário, além das matérias citadas, o autor se utiliza de algumas técnicas básicas de ocultamento para dar nome a alguns de seus personagens. Ojesed é nada mais que a palavra Desejo lida de trás para frente. Ramak, um gnomo que obsedia um menino, é um jogo de letras para Karma, assim como seu defensor no julgamento, Sacpuldes, é Desculpas.

No Mundo dos Elementais é fraco em sua história e só vale a leitura caso você consiga separar romance, de proselitismo, de ensino didático!

por Allan Trindade