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sábado, 22 de maio de 2021

Você sabe o que é Astrologia? É com esta pergunta que Anne inicia seu livro, questionando até que ponto os detratores deste conhecimento antigo de fato dominam suas especificidades para tecerem críticas minimante aceitáveis sobre esta ciência. É fato, nenhuma forma de conhecimento está isenta de críticas ou mesmo erros, e com a Astrologia não haveria de ser diferente, porém, devemos levar em consideração um ponto importante destacado pela autora: a Astrologia faz parte do contexto da humanidade há no mínimo 4.000 anos. Ora, será mesmo que um conhecimento tão antigo, praticado até os dias de hoje, poderia ser mesmo tão inútil, ou reduzido a um simples texto exposto em um jornal qualquer com meia dúzia de sugestões sobre seu signo ?

INTRODUÇÃO À ASTROLOGIA é um livro escrito por Anne Barbault, contém 297 páginas divididas em 13 capítulos e foi publicado no ano de 1987 pela editora Nova Fronteira.


Barbault não foge a luta e após introduzir a obra com uma série explicações sobre signos, planetas e seus significados, as doutrinas astrológicas, divididas aqui em duas basicamente: aquela que considera a influência dos astros sobre os seres, e aquela que apenas marca a sincronicidade de eventos, além de uma rápida - e nem tão entendível assim para leigos -explanação  sobre mapas astrais, destina sua obra a explicar para os críticos no que erram em seus argumentos ao acusarem a Astrologia de ser um mero corpo de conhecimentos supersticiosos e ilógicos.

Ela assim esclarece: a Astrologia não fora praticada apenas por indivíduos considerados ignorantes, que outrora acreditaram na existência de deuses e influências planetárias. Da Babilônia ao Egito, da China a Europa, da Índia até a América, por todos os continentes tal conhecimento fora praticado e estudado, de Tertuliano a Agostinho, Tomás de Aquino a Nostradamus, Dante a Shakespeare, Fernando Pessoa, Copérnico, Kepler, Plotino, Paracelso, Galileu, Newton e Giordano Bruno, nomes célebres, de grande importância e influencia para os diversos campos do conhecimento e da ciência humana, que de uma forma ou de outra estiveram envolvidos com esta forma do saber. Seriam estes homens tão sábios para desvendar os grandes mistérios da vida e do universo, e ao mesmo tempo tão toscos a ponto de não perceberem a ineficácia da Astrologia? Absurdo nos parece aqueles que creem nisso.

Longe de nós parecer com isto estarmos nos utilizando de qualquer tipo de falácia de apelo a autoridade, porém faz-se necessário expor aqui o conceito, embora os objetivos e forma desta resenha nos impeçam de aprofundar os detalhes apresentados pela autora ao citar tais indivíduos.

São vários os mapas comparativos de personalidades e eventos, de casos específicos de gêmeos que apresentam comportamentos e escolhas iguais mesmo quando separados na infância, de pessoas que tendo nascido com uma conjuntura astral específica tiveram destinos muito semelhantes, e uma série de outros exemplos que de fato nos fazem pensar sobre a real validade da Astrologia.

Você pode pensar que por mais que a autora apresente uma série de exemplos em forma de mapas, este quantitativo jamais abarcará um número realmente grande de análises comparativas para que se classifique a Astrologia como ciência. Caso pense assim, você está certo. Porém, segundo Anne, a Astrologia não pleiteia para si o posto de ciência conforme os 'métodos cartesianos' empregados pelas outras formas de conhecimento humano. Para a autora, tal como a Psicologia, que é aceita como ciência por grande parte daqueles que dela fazem uso, a Astrologia também assim deveria ser vista, pois tal como a Psicologia, também se utiliza de símbolos e métodos comparativos para indicar tendências futuras e comportamentos passados, cada qual, obviamente, a sua maneira.

Sendo, portanto, a Astrologia uma forma de conhecimento simbólico, de caráter associativo e psicológico, que não apregoa necessariamente que Planetas ou Signos influenciem o comportamento de pessoas de um jeito físico, metafísico ou espiritual, mas que pelo contrário, marca tendências que foram comparativamente registradas durante todos estes milhares de anos de existência, não fazendo sentido desta forma acusá-la de algo que esta forma de conhecimento não promete.

Entretanto, Barbault deixa claro que sim, existem astrólogos que creem em fatalismos, em influências planetárias, confecções de talismãs, poder de pedras e plantas, e coisas do tipo, mas segundo sua perspectiva, estes representam um tipo específico de astrólogos, e não podem ser usados como referência para definir o que seja a Astrologia como um todo, que poderia ser vista como uma forma de "psicologia dos astros", por assim dizer.

Diferentemente da maioria dos livros introdutórios sobre o tema, que mais se ocupam em dar explicações sobre signos, planetas e mapas, em Introdução à Astrologia você conhecerá igualmente a opinião de críticos das mais diversas áreas em contrapartida as opiniões de uma astróloga vivida e experiente com esta forma do saber humano. Bastante interessante.


por Allan Trindade

 



sábado, 16 de maio de 2020

Segundo Frater U.D, a prática dos sigilos, tal como cunhada por Austin Osman Spare, é uma das formas mais eficientes para convencer curiosos e praticantes sobre a eficácia da magia, justamente por sua simplicidade de execução, independência de misticismos e sistemas mais complexos.

Mas será tudo assim tão fácil?

PRACTICAL SIGIL MAGIC é um livro escrito por Frater U. D. com 140 páginas, divididas em 9 capítulos e foi publicado no ano de 2012 pela Llewellyn Publications.

Em seu primeiro capítulo, o autor nos apresenta as grandes mudanças vistas no final do século XIX  e começo do século XX, destacando a forte presença de Austin Osman Spare, sendo depois de Aleister Crowley, um dos ocultistas mais interessantes do mundo inglês. Fora este indivíduo, que seria usado como referência para grande parte das teorias envolvendo o uso dos sigilos, que a sua maneira fundamentou a base sobre a qual se apoiam muitos dos métodos de uso dessa ferramenta mágica.

Os tempos eram de florescimento de ideias sobre a psicologia humana, seu modus operandi, e personalidades que se consagrariam cada vez mais como fundamentais para o entendimento da psique do homem, tais como Freud e Jung, propagavam conceitos que influenciaram não apenas o mundo comum, mas de forma igual as mentes de ocultistas de seu tempo, transformando de maneira irreversível aquilo que seria produzido dentro do contexto esotérico vindouro. Assim, muito daquilo que era dito até então sobre como a magia funcionava, de um modo geral sua eficácia sendo atribuída a ação de espíritos, daria então lugar a teorias sobre o ID, ego e superego, consciente e subconsciente, neuroses e sincronicidades. 

A tradição mágica, por sua vez, sempre manteve em seu espaço desenhos estranhos, muitas vezes considerados rabiscos ininteligíveis pelo vulgo, que guardavam em si uma intenção própria, um objetivo pré-definido e oculto. As formas mais conhecidas, geralmente encontradas nos grimórios clássicos e presentes nos pantáculos planetários, de uma forma geral, eram produzidas a partir de métodos cabalísticos e na maioria dos casos, eram usados para a fabricação de talismãs.

A junção do clássico com o moderno então produziu o conceito de que o homem continha em si todas as potencialidades para alcançar seus próprios objetivos, sem a necessidade de atribuir a potências planetárias, espirituais, ou externas por assim dizer, a consecução de seus intentos. Os sigilos então passariam a ser fabricados não mais apenas por kameas, mas também através de fórmulas de desejos simples, e simplificadas, que uma vez absorvidas, burlariam o sistema de defesa mental do homem e tornariam seus intentos reais.

Aqui, pragmatismo é a palavra chave. Tudo deve ser feito de forma desprendida de ânsia de resultados ou mesmo crença. Fazer a coisa conforme manda a fórmula deve ser suficiente. E se a fórmula não funcionar, tente de outra maneira. Não há dogmas, não há limites, não há moral, você é seu próprio agente, medidor e guia.

Segundo U. D., baseando-se nas ideias práticas do já citado magista inglês, a magia ocidental se apoia sobre dois pilares: vontade e imaginação. Sendo assim, você precisa de não muito mais que isso para que a mágica seja feita. Seu principal  método é relativamente simples e consiste em primeiramente definir um desejo. Em seguida, faz-se necessário expressá-lo numa folha de papel em letras garrafais, por exemplo: É MEU DESEJO GANHAR O LIVRO X. Todas as letras repetidas devem ser então eliminadas, mantendo apenas a primeira: se a letra E aparece por duas ou mais vezes, elimine todas as outras, mantendo apenas uma. Deve-se então repetir este processo com todas as letras até que restem apenas um conjunto de letras que será unido, manipulado e transformado ao gosto do magista numa forma pictórica, um desenho, que será então usado para ser implantado no subconsciente através de métodos que alterem a consciência do indivíduo, produzindo um vácuo momentâneo, seja usando ilícitos, através do orgasmo ou outros, para  que assim aquela semente plantada possa germinar como advinda de algum lugar esquecido da floresta da sua mente. E pronto! Uma vez concluído todo o processo, basta continuar com a normalidade da vida.

O livro segue ainda tratando da evolução dos próprios conceitos da fabricação dos sigilos. Da relação com o Zos Kia Cultus, a IOT e Magia do Caos. De métodos outros como aqueles que usam o mesmo processo para criar mantras ou ainda acessar os aspectos animais presentes em nossa 'subconsciência biológica'. Do alfabeto do desejo, tema ainda bastante discutido nestes meios. E finaliza então fazendo uma volta as origens, tratando da fabricação dos sigilos através dos métodos tradicionais cabalísticos.

Frater U.D. mais uma vez expressa seu talento ao apresentar um livro que trata sobre um tema bastante popular, e normalmente vulgarizado, que através de sua escrita ganha os ares da fundamentação histórica, teórica e prática necessárias e esperadas por todo ocultista sério, sem com isso ser prolixo. Este livro resume e cobre as diversas formas da fabricação de sigilos, deixando claro para todos que a partir das informações contidas aqui, qualquer um terá o fundamento necessário não apenas para produzir os seus próprios, mas ainda inovar, criando métodos pessoais. Desnecessário dizer que este livro é obrigatório na biblioteca de qualquer um que a preze.

por Allan Trindade



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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Rio de janeiro, 12 de dezembro de 2004. Domingo

É noite. Eu fujo. Fujo de algo ao qual não sei o que é, mas sinto sua forte presença se aproximando cada vez mais rápido. Corro até que finalmente chego a um lugar que me parece seguro, um lugar com um grande gramado iluminado por numerosas velas fixadas no chão, velas que eu sei que são de oferendas. Não toco em nenhuma. No fim do caminho algo se destaca a vista: uma enorme chaminé de fábrica, daquelas com tijolos vermelhos. Minha mente permanece inquieta, talvez pelo fato de saber que estou sendo seguido, mas o pior é não saber por quem ou pelo quê.

Por um momento tento mas em vão, concluo que continuar correndo não irá me salvar do contato com a coisa... então fecho meus olhos e me concentro no meu objetivo: corro e salto. É fascinante, a gravidade simplesmente não existe pra mim! Voo pelos ares apenas com meu impulso e vontade. Vejo a chaminé se transformar em miniatura perante meus olhos. 

Minha velocidade me preocupa, subo rápido demais. Giro como um pião e num movimento súbito abro braços e pernas, e meu corpo para no ar. Estou entre as nuvens, as estrelas acima da minha cabeça e o mundo a meus pés. 

Êxtase! ...nada mais me preocupa, posso finalmente relaxar.

SONHOS LÚCIDOS é um livro escrito por Dylan Tuccillo, Jared Zeizel e Thomas Peisel, com 255 páginas, divididas em 6 capítulos e publicado no ano de 2015 pela editora Sextante.

Sonhamos todos os dias! Sim, você sonha todos dias, mesmo que não se lembre sempre de seus sonhos, eles aconteceram e acontecerão todos os dias.

Mas se sonhamos todos os dias, por que não lembramos de todos nossos sonhos? Os motivos podem ser diversos e explicados através de perspectivas científicas, ocultistas ou ainda das duas. Mas a razão principal pode ser bastante simples: você sempre sonha mas não se lembra sempre porque acredita que não sonha todos os dias, e que é normal se esquecer dos seus sonhos. Esta teoria parece mesmo plausível se levarmos em consideração que é bastante comum ouvirmos esse tipo de fala vindo da maioria das pessoas. Mas segundo alguns especialistas devemos evitá-la. De acordo com os autores, é assim que desprogramamos este boicote mental e mudamos nossa relação com o mundo onírico.

Falando assim parece fácil, mas se estamos tratando de vícios, não é de uma hora pra outra que conseguimos mudá-los, correto? Sendo assim, é por isso que precisamos substituir os hábitos que nos levam a apagar da memória nossos sonhos, por aquelas práticas que nos farão não apenas lembrar de cada um deles, mas ter consciência e fazermos lá todas as coisas que por um motivo ou outro não fazemos aqui. Mas como fazer isso então? É através deste livro que você aprenderá!

Talvez você ainda esteja se questionando sobre os benefícios de desenvolver a habilidade de lembrar e controlar seus sonhos, mas se teve a experiência de lucidez ao sonhar ao menos uma vez na vida, sabe o quão maravilhosa é esta sensação. A liberdade é praticamente absoluta e as limitações estão quase sempre restritas a sua capacidade imaginativa. Voar costuma ser um dos feitos mais marcantes para a maioria dos onironautas. Mas nem só de sensações vivem aqueles que desafiam as águas do esquecimento e muitos são aqueles que através do sonhar conquistaram coisas novas, como o caso de Paul Mcartney que sonhou com a melodia de Yesterday, Elias Howe que criou a máquina de costura, Dmitri Mendeleev e a tabela periódica, assim como muitos outros casos onde pessoas encontram seus entes queridos já desencarnados e podem com isso superar os traumas da separação, ou ainda os clássicos exemplos do Xamanismo onde indígenas tratam das questões pertinentes a tribo e seu futuro com seus guias espirituais.

Mas para entender melhor sobre quando as técnicas de controle dos sonhos deixaram os muros das religiões e sociedades secretas e alcançaram o mundo do vulgo, vamos partir do começo. Tudo se iniciou em meados da década de 70, onde dois cientistas, Keith Hearne e Alan Worsley, e anos mais tarde, Stephen LaBerge, queriam provar que sonhos lúcidos eram reais. Levando em consideração a atonia do sono - estado onde o corpo fica inerte e só o diafragma e os olhos se movem - fizeram o teste: Worsley deveria movimentar os olhos oito vezes da esquerda para a direita enquanto estivesse dormindo. Aparelhos conectados, tudo pronto, Alan dormiu e voilà! Seus olhos se mexeram conforme combinado. Assim, os cientistas puderam concluir que mesmo dormindo, algumas pessoas tinham a capacidade de manter certo nível de consciência. A partir daquele experimento então, as técnicas de viagem astral se ampliariam, e se tornariam bem menos místicas e mais pragmáticas.

Este título disserta sobre uma série de questões científicas que tratam da relação do homem com o sonho e ainda os diversos questionamentos, tais como o local de sua existência e função, que tem sido feitos durante toda a história da humanidade, passando pelos sumérios, egípcios, gregos, romanos, hindus, cristãos, até dúvidas e definições mais modernas como aqueles de Freud, Jung, Aserinsky, Kleitman dentre outros. E embora o livro tenha um caráter bastante materialista se comparado aqueles de origem ocultista, uma coisa parece ainda conectar os dois mundos: a vontade. E aqui, saímos de seu aspecto teórico, e partimos para seu aspecto prático.

Segundo os autores, é muito importante que o pretendente a viajar conscientemente pelo mundo dos sonhos queira realmente fazê-lo, e por isso deve afirmar esta intenção no presente: estou sempre lúcido nos sonhos! Para além disso, um ambiente tranquilo é importante, além de hábitos alimentares que não favoreçam tanto os estágios absolutamente profundos de sono, tais como o consumo de cigarros, maconha e café. Ter um caderno específico para anotá-los também será fundamental. Dada esta preparação básica a técnica é apresentada, uma técnica que propõe a interrupção do sono após seis horas dormidas, contendo instruções de sensações auto induzidas e afirmações positivas com a intenção da lucidez.

O livro dá dicas sobre como treinar sua consciência para viajar por lá de forma tranquila e proveitosa, sempre respeitando seu tempo. Uma vez que tenha alcançado a lucidez, aproveite! Se você não acha que pode voar por si mesmo, crie asas. Se precisa ir para um outro país, use uma máquina de teletransporte. Se quer explorar o fundo dos mares, vire um peixe. Sua imaginação é o seu limite. Os autores tratam ainda de pesadelos, curas, incubação de sonhos, predição do futuro e dos seres - humanos e não humanos - que podemos encontrar por lá, o nível de consciência deles e de que forma esta relação pode lhe ser proveitosa, mas ressaltam que deve se tratar seus habitantes com educação, afinal de contas você não sabe quem ou o que são eles de fato...

Sonhos Lúcidos é um daqueles livros que dá prazer de ler e ver. É ricamente ilustrado e tem uma diagramação em estilo de revista, com caixas de relatos independentes espalhadas aqui e acolá, e capítulos que sempre são finalizados com um resumo. É feito tanto para aqueles que nunca ouviram falar em viagem astral, como para aqueles já familiarizados com este universo, uma vez que sua neutralidade não apele nem para o campo científico ou esotérico, estando mais preocupado em apresentar técnicas leves, descontraídas e efetivas a todos os interessados. Prático e ideal.

por Allan Trindade



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segunda-feira, 26 de março de 2018

Era tarde da noite. Conversávamos na cozinha enquanto ela preparava uns tira-gostos para acompanhar a cerveja gelada. A conversa foi se apimentando junto aos olhares de desejo e as insinuações sexuais. Nos beijamos com a mesma intensidade da primeira vez. Ao tentar tocar seu sexo, segurou minha mão e sussurrou no meu ouvido como quem confessasse um pecado: estou menstruada!

Não esperava por isso. Esfriei. Disse e olhou-me nos olhos como que esperando que eu tomasse a decisão a partir daquele ponto, afinal de contas, fui eu quem sempre deixou claro que bandeira vermelha é sinal de impedimento. Fomos para o quarto. Pedi então que ao menos apagássemos a luz desta vez. Não saímos do básico. Gozamos.

Fui direto para o chuveiro. Por toda a extensão do meu pênis via-se o vermelho-sangue que agora pingava da ponta da minha glande e escorria pelo piso branco em direção ao ralo. Minha pressão baixou. Fiquei meio zonzo. Não, nunca foi por frescura, mas um certo nível de hematofobia. Ela, preocupada, veio ver como eu estava:

- Você está bem, Allan?
- Não exatamente, mas vou superar...

LUA VERMELHA é um livro escrito por Miranda Gray, com 294 páginas, divididas em 6 capítulos e publicado no ano de 2017 pela editora Pensamento.


Os novos sistemas de magia, algumas religiões modernas, além de outros tantos movimentos políticos, ideológicos e artísticos parecem combinar em uma coisa: a mulher precisa ser vista, ouvida, compreendida e acima de tudo, respeitada nestes novos tempos. Por mais lógico que isso possa parecer para muitos de nós, acostumados com os discursos igualitários modernos, basta muito pouco para perceber que a realidade em cada um destes campos era deveras diferente para elas em tempos outros. Por isso, para muitas, ainda há muito o que mudar e melhorar.


Se as causas para grande parte das mazelas são oriundas da ignorância, é na busca do conhecimento que nos livramos das correntes que nos limitam e nos impedem de compreender a realidade do outro. Não se deveria considerar que o fato de sermos homens há de nos livrar da necessidade desta compreensão, especialmente pela inconteste realidade de sermos gerados e, de uma forma geral, criados por mulheres. Muitos de nós casam-se com elas, e são elas que dão origem a nossos filhos e perpetuam nossa existência através deles, contribuindo e cumprindo assim a função instintiva e inerente a todo ser vivo de reproduzir seus genes e imortalizar-se através de novos seres. Portanto, nos cabe levar em conta que como coautoras fundamentais para nossa vida, devemo-nas algo, e se o que querem é ser ouvidas, então que abramos nossos ouvidos de forma empática para tudo aquilo que elas tem para nos dizer. 

Este nem sempre é um exercício fácil para a maioria de nós, homens acostumados a darmos violência e indiferença como recompensa para o tratamento de cuidado e amor que muitas vezes recebemos delas, mas é preciso romper padrões caso queiramos estabelecer uma relação mais respeitosa para ambos os lados frente aos novos tempos que virão, e a literatura pode ser um ótimo começo para isso. Caso seja homem, acostume-se com a ideia dos pronomes femininos nesta leitura e com as referências a coisas que você provavelmente evita ou desconhece. Caso você seja mulher, este livro foi feito para você. 

O assunto principal aqui costuma incomodar a muitos, de ambos os sexos: menstruação. A autora inicia seu livro falando sobre a percepção de que seu trabalho - ela, uma ilustradora - variava do preciso ao mais abstrato de acordo com seu período menstrual e que frequentemente sofria com essa oscilação, uma vez que estas mudanças nem sempre estavam em acordo com suas perspectivas profissionais. Foi assim que começou então a pesquisar sobre o ciclo de sangramento, inclusive no campo religioso através de deusas e mitologias, e ao perceber conexões diversas entre estes elementos e com outras mulheres, dera início a este título.

Miranda nos esclarece que Lua Vermelha fora escrito para reorientar a percepção deturpada e negativa que a mulher tem sobre seus ciclos e tem ainda uma proposta de buscar os elementos subjetivos existentes nos folclores e lendas sob a luz da interpretação positiva da menstruação. Assim, nos traz exemplos de culturas que tanto exaltaram a mulher sangrenta como divina e poderosa, como aquelas outras tantas que as sentenciaram ao isolamento, e chegavam a extremos de condenar a morte aqueles que ousassem tocá-las. Seu objetivo é claro: mulheres precisam se observar. Precisam manter diários sobre seus períodos, registrando datas, fases da lua, sonhos, sentimentos, estados de saúde, inspirações e tudo mais que puderem relacionar.

Logo em seu princípio, a autora nos traz a história de Eva, uma menina que vai para o Plano Astral e tem uma série de experiências com entidades e deidades femininas até a menstruação. Este conto é usado como base de forma mais ou menos simbólica, para indicar ideias e exercícios que serão propostos no decorrer do livro. A autora investe constantemente no argumento de que no passado as mulheres eram por muitos respeitadas em seus períodos, já que muitas culturas antigas baseavam seus calendários e mitos na Lua, e a relacionavam a mulher e suas diversas fases, tais como: a donzela, sendo aquela que nunca fora penetrada ou que ainda não alcançara a menarca; a senhora, aquela independente e que teve sua primeira menstruação ou ainda grávida;  a bruxa como aquela velha que chegou na menopausa, etc...as correlações são várias e não se limitam ao campo religioso, uma vez que reinterpretara também os contos infantis, tais como Branca de Neve e Bela Adormecida, sob o argumento de que tais contos contém alusões a estes períodos.


Como uma das propostas principais desta edição, nos é apresentada a Mandala Lunar, um painel passível de ser feito de diversas maneiras, contendo um registro detalhado dos eventos menstruais de modo que se estabeleça uma percepção consciente de todos os benefícios e reveses oriundos destas fases, para que assim, se possa ter a exata noção de aquele momento é apenas consequência da menstruação, e que no devido tempo, vai passar. 


Este livro tem um único objetivo: fazer com que a mulher observe seus ciclos e reinterprete suas consequências de modo positivo. O mesmo faz a autora sobre muitos aspectos mitológicos, religiosos e literários, reinterpretando-os sob uma perspectiva exclusiva: a da menstruação. É radical sob alguns aspectos sem ser política, como quando sugere que mulheres vivam a experiência de não usarem tampões e absorventes externos, de modo a sangrarem de forma livre e romperem certos estigmas sociais. É aqui que Gray também vai sugerir que a TPM e as dores - sentidas por algumas mulheres - fazem parte de todo o processo, e que estas sensações, ao invés de amaldiçoadas, devem ser compreendidas e dominadas. Por fim, sugere uma série de rituais, exercícios de visualização e práticas físicas relacionadas a cada uma das fases.

Lua Vermelha é em grande parte repetitivo, passando por vezes a impressão de que 'ela já disse isso antes'. Apesar das constantes referências religiosas, os rituais contidos aqui não possuem um caráter mágico, mas muito mais psicológico: são viagens guiadas, muitas delas relacionadas a história que ela criara no começo do livro. Fala para mulheres e nada ou praticamente nada da relação destas para com seus maridos ou filhos: a proposta é que a mulher dedique-se e olhe para si neste momento. 

Como homem e leitor de uma realidade completamente diferente da minha, certamente me fez refletir que é preciso olhar com mais carinho para estes momentos tão sensíveis de nossas mães, irmãs, esposas, amigas, parceiras, mulheres.

por Allan Trindade
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sexta-feira, 2 de março de 2018

Ao olhar para as estantes da minha biblioteca, percebi que um título estava desalinhado para com os outros em sequência. Normalmente minha ação seria a de endireitá-lo e tornar a fazer aquilo que estava fazendo. Entretanto, resolvi pegá-lo e abrir uma página a esmo, na qual se lia:

Um círculo de crânios é colocado em volta de mim e quatro espadas são fincadas ao meu redor. Cercado estou pelos Quatro Cruzeiros Negros que regem do fundo da Terra ao Alto do Espaço e imperam o Lado Obscuro dos Quatro Elementos da Criação. Eu clamo no centro desse círculo às Sombras da Sabedoria e da Força cujas cabeças são adornadas com coroas!...Eu levanto a cruz ao Alto e a inverto mostrando ao Inimigo que seu câncer não habita em meu corpo! Coloco minha mão na Terra e que todos os Exus e Pombagiras conectados com Maioral me escutem: se uma flecha em minha direção for lançada, um milhão de flechas negras voltarão em seu lugar! 


Foi suficiente, resolvi lê-lo.

QUIMBANDA Fundamentos e Práticas Ocultas VOL. 01 é um livro escrito por Danilo Coppini, com 200 páginas, publicado no ano de 2015 pela editora Cape Lobo.

Este livro surge como uma continuação aquele publicado primeiramente e já resenhado por nós, chamado Quimbanda O Culto da Chama Vermelha e Preta. Caso não tenha consultado aquela resenha ainda, recomendamos que o faça para um melhor aproveitamento desta. A proposta geral é que esta sequência será complementada ainda por mais dois livros, totalizando um total de quatro publicações, onde o enfoque será dado tanto para a filosofia quanto à prática desta religião.

Em sua introdução, Danilo mais uma vez destaca as diferenças entre a Quimbanda e a Kimbanda, e que este livro, tal qual o templo no qual ele nasce, é fruto de anos de práticas e pesquisas, e que não é destinado para mentes estagnadas uma vez que o dinamismo e a Evolução sejam forças motrizes que direcionam a ação e pensamento de seus eleitos.

Desejamos que os adeptos enxerguem na obra uma bússola que apontará a Luz de Lúcifer expandindo a mente e o espírito para novas práticas. A Quimbanda crê que a evolução individual é o caminho que prezará o que é útil, mudará segundo a necessidade e eliminará o desnecessário. Isso faz parte do fortalecimento do caráter que libertará o adepto dos entraves psíquicos e sociais. pg.6


Para os menos familiarizados com toda a conjuntura religiosa comparativa, alguns pontos expostos no primeiro livro podem ter causado certa ânsia por um maior desenvolvimento. Lá, em muitos pontos da exposição de sua filosofia, há uma constante referência, por vezes subjetiva, a ideias gnósticas que podem deixar os menos acostumados com todo este universo um tanto confusos sobre no quê afinal de contas eles acreditam. Sendo o Gnosticismo um conjunto de ideias historicamente dinâmico e heterogêneo, pensamos que um melhor desenvolvimento sobre este ponto seria bastante proveitoso para todos os interessados em saber mais sobre esta crença. 

Consciente deste ponto ou não, fato é que o autor, já no princípio desta edição, faz questão de dedicar um capítulo inteiro chamado "Exu - Entre o Cosmos e o Caos" destinado a esclarecer seus conceitos sobre estas polaridades, alegando que este último é erroneamente confundido com confusão. Ao destacar a linearidade e oscilação atreladas a cada um destes conceitos,  utiliza-se do conhecimento deixado pelos Iorubás e seus Itan e Orikis, para auxiliar na compreensão da função cósmica e caótica de Exu, assim como as diferenças de ação dos exus da Umbanda e da Quimbanda. É fato ser este capítulo de grande importância e complemento para o progresso do entendimento sobre sua cosmovisão.

Em seguida, fala que a Quimbanda Brasileira desenvolveu-se de diferentes maneiras através do trabalho daqueles que resistiram aos seus ordálios. Sobre a consciência do adepto em saber quando e porquê atacar ou recuar. E destaca a necessidade de compreender seus próprios instintos para usá-los quando necessário, já que a compreensão dos impulsos faz parte do caminho para a libertação destes.

A Natureza da Verdadeira Quimbanda, ao contrário das demais religiões e cultos, não está associada ao desenvolvimento de uma conduta moral e ética refinada e nem é influenciada pelas empenhas do período evolutivo da sociedade humana. Também não é um meio ao qual os adeptos sentirão a satisfação espiritual enquanto estiverem na matéria, pois o intuito da Quimbanda não é gerar satisfação e sim libertação, pois satisfação desprovida de libertação é ilusória. pg.29


O leitor sentirá que cada nova edição tem tornado as análises e o pensamento mais complexos. Aqui, discussões sobre o ego, ID, inconsciente, organização social e ética, e a relação de Exu com todos estes elementos, deixam claro que a evolução do saber fazem parte não apenas de seus objetivos, como serão exigidos daqueles que se pretendam compreender ou preencher suas fileiras.

De forma igual e como característica comum dos escritos do autor, informações históricas são apresentadas sobre o uso de búzios em diversas culturas ao redor do mundo, seu emprego vulgar e mágico, além de ensinar um método específico destas conchas como oráculo para uso pessoal do adepto, assim como também explora o conceito do Plano Astral e os seres que lá residem. Em seu aspecto prático, traz alguns procedimentos de limpeza espiritual, discorre sobre o tema e apresenta um ritual para a libertação do vício em drogas, o significado, função, consagração e uso de Armas Mágicas e uma série de ritos para os mais diversos fins.

Pensamos que o buscador interessado em se aprofundar nesta linha de Quimbanda deva ter em mente que o dinamismo verbalizado e pleiteado por Coppini, e os demais membros deste templo, exposto frequentemente em suas diversas obras, e continuado nesta, exigirá um constante aprofundamento dos estudos não apenas desta vertente em específico, mas do conhecimento esotérico e exotérico em geral. As constantes referências a conceitos ocultos e das ciências vulgares, como aqueles da psicologia, da história, da linguística etc, deixam claro que a preguiça e a ignorância passam longe daqui.

por Allan Trindade



segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Thelema; uma das muitas religiões que surgiram no advento desta nova era. Com pouco mais de uma centena de anos, e desconhecida pela grande maioria da população mundial, este novo formato de fé que mistura filosofia, religião, política, misticismo e magia, ainda levanta muitos questionamentos sobre suas práticas e fundamentos. "O quê significa isso?", "Faze o que tu queres? Então posso fazer o que eu quiser?", "Crowley? Aquele satanista?", "Mas vocês acreditam em Deus?"...Muitos hão de pensar que tais questões estão exclusivamente ligadas ao vulgo, aqueles que estão de fora, que apenas ouviram falar sobre essa estranha palavrinha grega e seu Profeta...mas será que esta é de fato a realidade?

Segundo os fundamentos thelêmicos, para declarar-se thelemita o indivíduo precisa apenas: aceitar o Livro da Lei como livro sagrado e Faze o que tu queres!*

A aparente simplicidade destes pré-requisitos, podemos supor, servem com perfeição aqueles que veem em Thelema apenas um sistema filosófico ou de fé, pura e simplesmente. Entretanto, não demora muito para que qualquer um perceba em seu conteúdo, uma série de detalhes ocultos e intrincados, que se apresentam sem qualquer aviso prévio aos incautos.  Thelema é uma religião complexa, repleta de elementos absorvidos de outras religiões e sistemas esotéricos, que formam não apenas sua cosmogonia como essencialmente sua aplicação prática.

Para aqueles que não se pretendem aprofundar em sua complexidade; pensamento e crença são suficientes. Para todos os outros, muito estudo e fundamento são uma 'obrigatoriedade'! E é com foco nesta ideia que David Shoemaker nos apresenta seu livro "Living Thelema", publicado pela editora Anima Solis Books, com 274 páginas e 30 capítulos. Living Thelema não é um livro para iniciantes, sua terminologia e citações diversas deixam claro que se este é o seu primeiro contato com o tema, é melhor começar com um livro mais introdutório. Ainda sim, Shoemaker inicia seu título com um capítulo inteiro dedicado a cabala e sua influência dentro do sistema thelêmico.

Dividido em três partes, o autor nos fornece informações práticas e teóricas, bibliografia e indicações de leitura, além de abordar, de maneira bastante sensata mas não menos direta, algumas questões mais "sensíveis" de dentro do universo thelêmico, como aquelas relativas a Ordens e a legitimidade de suas linhagens.

Em sua primeira parte, intitulada "Tools of the Journey", o autor se dedica a tratar exclusivamente dos aspectos místicos e mágicos do Caminho. Fala sobre rituais e suas nuances, fornece métodos e práticas desenvolvidas por ele próprio, para auxiliar em sua Busca. Ressalta a importância de tornar-se um receptáculo para seu Sagrado Anjo Guardião, inflamando a si mesmo, durante todo o tempo, para este objetivo maior.

Na segunda etapa, "Perspectives on the Path of Attainment", trata de elementos mais internos, levando em consideração os sentimentos, questionamentos, vitórias e desafios de cada etapa do caminho iniciático de um thelemita. Destaque para a ótima explanação sobre a importância do ego na jornada do magista e as diferenças, tão comumente ainda tratadas sob a visão do antigo aeon, das fórmulas de LVX e NOX.

Em sua parte final, "Life Outside the Temple", David finaliza seu título tratando de elementos científicos, suas prováveis relações com os ensinamentos Tradicionais, física quântica, psicologia e demais assuntos relacionados.

Muitos podem pensar que este livro, em consideração ao seu título, trate do passo a passo da vida de um thelemita, ou que ao menos lhe sirva como guia neste sentido. Não se engane. Como dito inicialmente, o título é voltado para aqueles que possuem uma aspiração mística e/ou mágica dentro do caminho thelêmico, sem dar grandes introduções aos temas abordados, partindo do princípio de que:

 1°  você saiba o que quer nesta religião 
 2° conheça minimamente seus fundamentos e estrutura. 

Mas, ainda sim, se estiver em dúvida sobre de que forma exercer o seu "Faze o que tu queres", não se sinta intimidado, esta pode ser uma ótima indicação para a sua decisão neste sentido.


Living Thelema fala para thelemitas que optaram pelo caminho operacional de Thelema. Para aqueles que além da filosofia e da fé, estão dispostos a viajar no Astral, jogar Tarô, fazer rituais evocatórios e invocatórios, além de estudar e praticar tudo aquilo que lhes for possível! David Shoemaker nos traz não apenas contribuição de conhecimento prático e intelectual, como alternativas para diversas situações psicológicas e mágicas. Com sua larga experiência nestes dois campos, além do ótimo trabalho que já desempenha em seu podcast no youtube, chamado Speech in Silence, o autor nos fornece imparcialidade em sua escrita, e incentivo ao senso crítico racional, sugerindo que cada um, apesar de suas colocações, encontre sempre, por si mesmo, o método que melhor lhe aprouver! 

por Allan Trindade



* Há muitos anos atrás, enquanto estudava para a Fraternidade da A.'. A.'. , penso ter encontrado esta afirmação em algum dos libri sagrados. Entretanto, em pesquisa recente, de sites e pessoas do Brasil e do exterior, até a presente data de 14/04/2016, não encontrei tal fundamento para esta afirmação. Portanto, tratar a sentença dada acima como uma errata e desconsiderá-la totalmente. Em caso de atualização de informações uma nova nota será incluída aqui.




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