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quinta-feira, 5 de agosto de 2021


Este é um tarô dedicado às deidades da religião iorubá e ao candomblé brasileiro.

Os iorubá são um povo africano da Nigéria que imbuíram muitos trabalhos artísticos, especialmente cerâmicas, com cultura e um senso de beleza, revelando grande respeito e admiração pela natureza. Muitos desses trabalhos são o resultado de uma inspiração artística ligada ao mundo espiritual.

Durante os séculos passados, os iorubá, como muitos outros povos africanos, foram deportados à América, contribuindo inocentemente para uma das páginas mais obscuras da História da humanidade: a escravidão.

O TARÔ AFRO BRASILEIRO é um baralho idealizado por Alice Santana e desenhado por Giuseppe Palumbo, contém 78 cartas acompanhadas de um livreto explicativo, e fora publicado no ano de 2014 por Lo Scarabeo.

A grande tenacidade e lealdade que sentiam por suas raízes e tradições os permitiu manter os princípios fundamentais da antiga religião africana viva no candomblé brasileiro e em Cuba, na santeria. Mas não é apenas isso: esses princípios desenvolveram-se lado a lado por aproximadamente 400 anos e até hoje são fortes as semelhanças entre as tradições. A religião iorubá que se desenvolveu no Haiti, porém, tem aspectos diferentes e uma direção um pouco mais obscura.

Em todo caso, esse baralho se inspira, primariamente, tanto no candomblé brasileiro quanto na santeria cubana, com uma face mais brilhante e benigna.

As primeiras evidências de tráfico de escravos data de 1538 quando milhões de negros da Guine, Angola e especialmente, Dahomey (hoje, Benin) foram levados ao Brasil. O tráfico ilegal continuou depois do ano de 1888, quando foi decretada a Abolição da Escravatura, quando muitos iorubás ainda chegaram ao Brasil, até o século XIX.

A cidade de Salvador, na Bahia, tornou-se um ponto de encontro das raças africanas e culturas muito diferentes se misturaram. As crenças iorubás se espalharam e se tornaram um princípio unificado na cultura dos escravos. Elas também foram enriquecidas por aspectos trazidos por outros grupos étnicos envolvidos. 

Assim, os escravos se encontraram lutando contra a destruição sistemática de sua identidade cultural e o banimento da manifestação da sua fé, sendo que apenas o catolicismo era permitido. Esta falta de liberdade deu abertura ao sincretismo nos cultos, fazendo com que as deidades iorubás se encontrassem com os santos católicos.

Os deuses iorubás são chamados Orixás. Cada um representa uma forma de energia da natureza e podem ser ligados à energia do tarô, particularmente, com os 22 arcanos maiores.

Os praticantes do candomblé acreditam que cada pessoa é guiada por um ou mais Orixás, o que dá a ela as características dessa deidade; como na astrologia existem pessoas com diferentes aspectos pessoais dependendo do seu signo e seu ascendente.

Os Orixás não são representados de forma antropomórfica ou zoomórfica, mas por símbolos. Para comunicarem-se com os mortais em seus encontros espirituais, porém, as deidades assumem uma forma humana, acostando ou incorporando um médium, batizado e consagrado na cultura e no culto do candomblé.

Nessas práticas, os Orixás se revelam, proferindo sua imensa sabedoria àqueles presentes; sugerem orações, curas e tudo mais que estiver em seu poder, com o propósito simples de ajudar e melhorar a experiência humana.

[texto extraído do livreto que acompanha o deck]


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domingo, 28 de março de 2021

Otiot é uma palavra hebraica que significa "letras" (ot, no singular). Nada além disso. De acordo com a tradição cabalística, foi através da permutação das otiot que Hashem criou tudo que existe.

Mesmo a escolha da letra Beit para dar início à Criação foi uma decisão minuciosamente calculada, quando todas
as demais se apresentaram para cumprir esse papel e foram recusadas com argumentos que fundamentavam cada decisão.


OTIOT é um oráculo criado por Marcelo Bueno, contém 22 cartas e foi publicado no ano de 2018 pela Daemon editora.

E é assim que Marcelo Bueno começa descrevendo em seu manual as razões para a criação deste oráculo que se utiliza das 22 letras do alfabeto hebraico. Manual este que, embora não acompanhe o deck, pode ser adquirido através do contato direto com o autor ou seu site.

Bueno deixa claro que o uso de oráculos não é uma prática aprovada pela Lei judaica, conforme expresso em Deuteronômios 18 : 9 -13 mas que entende que homens de grande desenvolvimento espiritual são capazes de ler tais letras em tudo, visto serem elas, segundo a perspectiva judaico-cabalística, as formadoras de todas as coisas que existem e as palavras os códigos da criação. 

Gematria, notariqon, cálculos, transposições, são apenas alguns dos diversos meios utilizados por cabalistas para descobrir a real natureza das coisas e os oráculos são, em sua opinião, meios para se trabalhar tanto aspectos premonitórios (quando usados para prever eventos futuros) ou divinatórios ( destinados ao auto conhecimento e evolução espiritual). Mas destaca que seus usos não devem servir como muletas que tornem seus praticantes dependentes de suas predições, mas que os resultados devem servir como orientadores, conselheiros sobre aquilo que seja mais viável de ser feito, mantendo sempre em mente que o destino não está traçado, que o livre arbítrio é regra, e que as coisas podem sempre mudar. 

Outro elemento presente nos fundamentos cabalísticos e apresentado pelo autor é a Árvore da Vida. Aqui Marcelo diz que a Árvore é usada para representar os fluxos da criação, e que decidiu por usar o diagrama luriânico da Árvore para correlacionar seu oráculo. Para além disso, traz as associações existentes entre o Tarô e as letras hebraicas, as diferenças entre as Escolas ocultistas da Inglaterra e da França nestas correspondências, deixando claro que tais preferências sobre este ou aquele sistema são de cunho pessoal e nada interferem no uso deste deck. 

Cada carta possui letra, nome, seu valor numérico, posição na Árvore da Vida,  e correlações outras como dias da semana e datas, signos e planetas astrológicos, significado oracular e correspondência com as partes do corpo. Elementos próprios para serem usados e interpretados durante a leitura de acordo com a natureza das perguntas.

Segundo Bueno, qualquer método de disposição das cartas usado no Tarô ou mesmo em outros tipos de oráculo podem ser adaptados para o uso deste baralho, mas traz como exemplo o método de cruz, na qual cinco cartas são dispostas neste formato onde cada casa representa uma sephirah da Árvore da Vida.

Otiot tem cartas de ótima qualidade para o jogo, que podem ser embaralhadas sem dificuldades e possuem tamanho padrão de cartas de tarô. Tem uma aparência com cores agradáveis que transitam do amarelo claro a vários tons de azul e verde dando uma ótima impressão gráfica no resultado. Serve tanto para aqueles que queiram usar o deck como método oracular ou ainda para aqueles que queiram memorizar o significado de cada uma das letras do alfabeto hebraico e meditar sobre suas diversas associações cabalísticas. 

por Allan Trindade


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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Quero dizer que o que os pagãos sacrificam é oferecido aos demônios e não a Deus, e não quero que vocês tenham comunhão com os demônios. Vocês não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios; não podem participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.

I Coríntios 10:20-21


THE DAEMON TAROT é um livro escrito por Ariana Osborne, com 143 páginas, 69 cartas e publicado no ano de 2013 pela Sterling Ethos.

A passagem destacada acima certamente não é a única encontrada na Bíblia que faz referência a demônios. Antigo e Novo Testamento dão indicativos diretos e indiretos sobre a existência destes seres, variando, porém, na descrição e forma como são entendidos. Se a partir de Jesus tais criaturas são descritas de maneira quase sempre genérica, agrupados sob uma mesma categoria, é nos tempos da vigência da lei de Moisés que eles costumam ter nomes mais específicos.

E talvez tenha sido sob esta perspectiva que Jacques Auguste Simon Collin de Plancy tenha se inspirado para escrever sua obra mais conhecida, Le Dictionnaire Infernal, lançada em 1818, ainda mais cristianizada em 1830 quando se convertera ao Catolicismo, e famosa por classificar uma série de demônios e atribuir-lhes diversos títulos nobilitários. Entretanto, embora tenha sido Collin o autor do Dicionário, seu grande sucesso só seria alcançado em 1863, já em sua 6° edição, através da arte de Louis Breton, o artista que imortalizaria a forma como enxergamos cada um dos seres apresentados naquela obra, que é copiada até os dias de hoje.

E foi assim que inspirada pelo Dictionnaire e as belas imagens de Breton, que Ariana nos apresenta seu título, que embora carregue o nome de tarô, em nada se relaciona com aquele livro, sendo este melhor definido como um oráculo. The Daemon Tarot vem em uma caixa resistente de papelão, com um livro e 69 cartas. Cada demônio, um para cada carta, fora explicado sob três perspectivas pela autora: annotation, inspiration e divination.


  • Em Annotation estão reunidas as informações históricas oriundas de suas pesquisas de diversas fontes - não apenas do Dicionário - que estão indicadas na bibliografia do livro.



  • Em Inspiration encontram-se suas interpretações e insights sobre cada carta, mas deixa claro que, cada um é livre para reinterpretá-las a sua própria maneira.



  • Em Divination traz o significado oracular da carta e diz que este, ao menos em sua experiência, melhor funciona com tiragens de 1 ou 6. No método de 1 carta, basta que pense em uma pergunta e consulte a resposta no livro. No método de 6, cinco cartas são dispostas em forma de cruz, uma para cada braço e uma no centro +, além de mais uma a ser posta do lado direito. Este método é destinado para questões mais complexas.


Os 69 arcanos trazem o nome no topo, a imagem no centro e a descrição do demônio em sua base. São eles: Abigor, Abraxas, Adramelech, Agares, Alastor, Alocer, Amduscias, Amon, Andras, Asmodeus, Astaroth, Azazel, Bael, Balan, Barbatos, Beelzebub, Behemoth, Belphegor, Berith, Beyrevra, Brooms, Buer, Bufonite, Caacrinolaas, Cali, Cerberus,Deumus, Eurynome, Flaga, Flavros, Forcas, Furfur, Ganga-Gramma, Garuda, Gomory, Haborym, Ipes, Lamia, Lechies, Leonard, Lucifer, Malphas, Mammon, Marchochias, Melchom, Moloch, Mycale, Nickar, Nybbas, Orobas, Paimon, Picollus, Pruflas, Rahovart, Ribesal, Ronove, Sabbat, Scox, Stolas, Tap, Torngarsuk, Ukobach, Volac, Vuall, Witch's Round, Xaphan, Yan-Gant-Y-Tan, Zaebos.


The Daemon Tarot é sem dúvidas um título primoroso, que reúne qualidade, pesquisa, divinação e história em um só conjunto. Observar cada uma das ilustrações de forma tranquila e despretensiosa é um prazer a parte, e dá mesmo a impressão de estar imerso em um museu antigo admirando as telas de um criativo artista que com sua mente inventiva, tem a capacidade de encantar pelas estranhezas de suas composições que misturam homens, bestas e objetos diversos, além de, com a devida concentração, nos dar a capacidade de nos conectar a tais seres para que possam nos auxiliar a sanar nossas dúvidas. Mas para isso, quem sabe o ideal seja que tu estejas sentado a mesa, com os 69 demônios dispostos a sua frente, degustando um ótimo cálice de vinho... e então, aceitas?



por Allan Trindade




segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Thelema; uma das muitas religiões que surgiram no advento desta nova era. Com pouco mais de uma centena de anos, e desconhecida pela grande maioria da população mundial, este novo formato de fé que mistura filosofia, religião, política, misticismo e magia, ainda levanta muitos questionamentos sobre suas práticas e fundamentos. "O quê significa isso?", "Faze o que tu queres? Então posso fazer o que eu quiser?", "Crowley? Aquele satanista?", "Mas vocês acreditam em Deus?"...Muitos hão de pensar que tais questões estão exclusivamente ligadas ao vulgo, aqueles que estão de fora, que apenas ouviram falar sobre essa estranha palavrinha grega e seu Profeta...mas será que esta é de fato a realidade?

Segundo os fundamentos thelêmicos, para declarar-se thelemita o indivíduo precisa apenas: aceitar o Livro da Lei como livro sagrado e Faze o que tu queres!*

A aparente simplicidade destes pré-requisitos, podemos supor, servem com perfeição aqueles que veem em Thelema apenas um sistema filosófico ou de fé, pura e simplesmente. Entretanto, não demora muito para que qualquer um perceba em seu conteúdo, uma série de detalhes ocultos e intrincados, que se apresentam sem qualquer aviso prévio aos incautos.  Thelema é uma religião complexa, repleta de elementos absorvidos de outras religiões e sistemas esotéricos, que formam não apenas sua cosmogonia como essencialmente sua aplicação prática.

Para aqueles que não se pretendem aprofundar em sua complexidade; pensamento e crença são suficientes. Para todos os outros, muito estudo e fundamento são uma 'obrigatoriedade'! E é com foco nesta ideia que David Shoemaker nos apresenta seu livro "Living Thelema", publicado pela editora Anima Solis Books, com 274 páginas e 30 capítulos. Living Thelema não é um livro para iniciantes, sua terminologia e citações diversas deixam claro que se este é o seu primeiro contato com o tema, é melhor começar com um livro mais introdutório. Ainda sim, Shoemaker inicia seu título com um capítulo inteiro dedicado a cabala e sua influência dentro do sistema thelêmico.

Dividido em três partes, o autor nos fornece informações práticas e teóricas, bibliografia e indicações de leitura, além de abordar, de maneira bastante sensata mas não menos direta, algumas questões mais "sensíveis" de dentro do universo thelêmico, como aquelas relativas a Ordens e a legitimidade de suas linhagens.

Em sua primeira parte, intitulada "Tools of the Journey", o autor se dedica a tratar exclusivamente dos aspectos místicos e mágicos do Caminho. Fala sobre rituais e suas nuances, fornece métodos e práticas desenvolvidas por ele próprio, para auxiliar em sua Busca. Ressalta a importância de tornar-se um receptáculo para seu Sagrado Anjo Guardião, inflamando a si mesmo, durante todo o tempo, para este objetivo maior.

Na segunda etapa, "Perspectives on the Path of Attainment", trata de elementos mais internos, levando em consideração os sentimentos, questionamentos, vitórias e desafios de cada etapa do caminho iniciático de um thelemita. Destaque para a ótima explanação sobre a importância do ego na jornada do magista e as diferenças, tão comumente ainda tratadas sob a visão do antigo aeon, das fórmulas de LVX e NOX.

Em sua parte final, "Life Outside the Temple", David finaliza seu título tratando de elementos científicos, suas prováveis relações com os ensinamentos Tradicionais, física quântica, psicologia e demais assuntos relacionados.

Muitos podem pensar que este livro, em consideração ao seu título, trate do passo a passo da vida de um thelemita, ou que ao menos lhe sirva como guia neste sentido. Não se engane. Como dito inicialmente, o título é voltado para aqueles que possuem uma aspiração mística e/ou mágica dentro do caminho thelêmico, sem dar grandes introduções aos temas abordados, partindo do princípio de que:

 1°  você saiba o que quer nesta religião 
 2° conheça minimamente seus fundamentos e estrutura. 

Mas, ainda sim, se estiver em dúvida sobre de que forma exercer o seu "Faze o que tu queres", não se sinta intimidado, esta pode ser uma ótima indicação para a sua decisão neste sentido.


Living Thelema fala para thelemitas que optaram pelo caminho operacional de Thelema. Para aqueles que além da filosofia e da fé, estão dispostos a viajar no Astral, jogar Tarô, fazer rituais evocatórios e invocatórios, além de estudar e praticar tudo aquilo que lhes for possível! David Shoemaker nos traz não apenas contribuição de conhecimento prático e intelectual, como alternativas para diversas situações psicológicas e mágicas. Com sua larga experiência nestes dois campos, além do ótimo trabalho que já desempenha em seu podcast no youtube, chamado Speech in Silence, o autor nos fornece imparcialidade em sua escrita, e incentivo ao senso crítico racional, sugerindo que cada um, apesar de suas colocações, encontre sempre, por si mesmo, o método que melhor lhe aprouver! 

por Allan Trindade



* Há muitos anos atrás, enquanto estudava para a Fraternidade da A.'. A.'. , penso ter encontrado esta afirmação em algum dos libri sagrados. Entretanto, em pesquisa recente, de sites e pessoas do Brasil e do exterior, até a presente data de 14/04/2016, não encontrei tal fundamento para esta afirmação. Portanto, tratar a sentença dada acima como uma errata e desconsiderá-la totalmente. Em caso de atualização de informações uma nova nota será incluída aqui.




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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Posted by Resenha Oculta | File under : , , , , , , ,
"Vervm sine mendacio, certvm et verissimvm:
Qvod est inferivs est sicvt qvod est svperivs, et qvod est svperivs est sicvt qvod est inferivs, ad perpetranda miracvla rei vnivs." 

Se a Astrologia está para os céus, é a Geomancia, arte de adivinhação através de símbolos pré-estabelecidos, que está para a Terra. Sua origem se perde nos anais da história, e segundo a afirmação de alguns autores, a Geomancia foi largamente utilizada por diferentes povos ao redor do mundo, sob diferentes formas; desenhos intuitivos, sementes lançadas a esmo, ossos e, nos tempos modernos, cartas, compõem o aparato de possibilidades de uso que este tipo de arte nos oferece. No ocidente, parece ter alcançado seu ápice e desenvolvimento por volta do século XVI, entretanto, caiu em desuso quase absoluto pelos ocultistas modernos, e parco, ou nulo, é seu ensino e uso por magistas e Sociedades Secretas dos dias de hoje. Entretanto, uma autora francesa foge a regra, e nos fornece um livro que nos faz um convite para deixar de olhar tanto para o céu, e buscar um pouco mais de conhecimento sobre o solo que pisamos.

Geomancia - o Tarô da Terra é um livro escrito por Chantal Mehiel, com 212 páginas, publicado pela editora Pensamento. O livro traduzido para o português perde o efeito de seu título homônimo original em francês. Geomancia em francês é géomancie, e esta é a razão da autora para usar o título Geomancia para designar seu método, que causa um efeito para os falantes de língua francesa que é totalmente nulo para nós, lusófonos, uma vez que Geomancia para nós seja exatamente geomancia.
O livro vem em formato de kit, acompanhado de um livreto adicional - como daqueles que acompanham caixas de tarô - e 64 cartas.

A autora inicia seu título dando uma introdução aos leitores sobre sua experiência mística, onde fora salva, segundo ela, graças a uma intervenção divina de uma santa a qual sua mãe era devota. Tanto quanto a inutilidade deste meu comentário nos parece essa introdução, que, ao menos segundo o teor da descrição, não tem a menor relação com o tema do livro.

Segue então introduzindo o leitor aos tipos de leitura indicadas e os métodos de tiragem das cartas. No campo intuitivo, assim como em qualquer outro oráculo, será preciso que você conheça cada um dos 16 símbolos oferecidos pela geomancia, seus nomes e significados. Ter uma noção básica de latim pode ajudá-lo, uma vez que todas suas figuras sejam tratadas por esta língua, e saber sua tradução há de auxiliar no processo da associação e significado do símbolo. Outra dica é manter em mente que eles são sempre opostos uns aos outros, portanto oito pares, que se complementam em um sentido positivo e negativo. Por exemplo:

Puella e Puer
Puella em latim é menina e Puer, menino. Conhecer os aspectos comuns associados à feminilidade e a masculinidade automaticamente te levarão a sugerir o significado de cada um destes símbolos. O resultado é mais simples do que possa parecer, mas não se preocupe, você encontrará tudo isso dentro do conteúdo do livro.

Seu método é um ótimo facilitador para iniciantes que estão acostumados ao uso de cartas como sistema divinatório. 64 são as que acompanham o livro e são compostas, metade por um ponto, metade por dois pontos. Ao embaralhá-las, seu único trabalho será de retirar quatro delas do monte, em posição horizontal e dispô-las na vertical, formando assim uma figura geomântica.

O pequeno livreto que fecha este conjunto é mais uma repetição do mesmo conteúdo do livro principal, em formato menor e reduzido, e funciona apenas como um guia rápido, talvez para uso em consultas pessoais nas quais você leve as cartas dentro de uma caixa ou algo do tipo...essa nos parece ser a única explicação plausível para a existência dele.

A autora nos oferece uma obra introdutória, simples no conteúdo, mas bastante útil e eficiente para aquilo que se propõe. Seu método é prático e limpo, objetivo e bastante direto. Nele você encontrará informações sobre como jogar e respostas pré-prontas para perguntas de diferentes aspectos da vida pessoal e social. Divididas sob os temas: consultas do cotidiano, consultas mensais, consultas de aniversário, dentre outras, cada grupo deste é subdividido em diferentes aspectos que vão lhe dar as respostas para questões que mais lhe aprouver.

O resultado é esse: um conjunto de cartas que compõem figuras geomânticas acompanhadas de um livro para consultar as respostas.  

Não espere por grandes explanações esotéricas, ou históricas sobre a geomancia. Este título é essencialmente prático e consultivo...uma ótima sugestão para todos aqueles que nunca tiveram contato com o tema.


por Allan Trindade


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Posted by Resenha Oculta | File under : , , , , , , , , ,

Nem sempre o Tarô foi o que ele é nos dias de hoje. Com um curioso histórico que mistura mito e realidade, este conjunto de 78 cartas, carrega em si algumas centenas de anos de sabedoria, crença e superstição. Não são poucos os autores que tentam atribuir-lhe uma origem mítica, milenar e divina, mas hoje, graças à dedicação de pesquisadores sérios e avanço da ciência, é possível afirmar que o Tarô seja um jovem senhor que ainda nem alcançou seus mil anos de existência.

“Mitos e Tarôs – A Viagem do Mago” é um livro escrito por Dicta e Françoise, com 192 páginas, publicado pela Editora Pensamento. Após uma curta introdução ao tema, e um estranho capítulo que trata sobre cabala - que não parece ter a menor relevância para o contexto geral do livro – a intenção das autoras se faz clara: relacionar os 22 arcanos maiores do Tarô a mitologias de diferentes religiões existentes ao redor do mundo. A proposta é ousada, e concebe que há uma similaridade tamanha entre os Arcanos e determinados mitos, que estes são associáveis e de certa maneira, podem ser o fundamento da origem daquela carta.

A introdução a cada capítulo, que é também a justificativa para relação feita, em geral, não ultrapassa o número de dois parágrafos. O primeiro deles, o Arcano I, por exemplo, é associado ao mito de Orfeu, justificado como tendo sido este de maneira igual, um mago. E isso é tudo! Todo o restante do capítulo segue tratando exclusivamente do mito em questão, ignorando a premissa inicial em correlacionar verdadeiramente os elementos encontrados no Arcano, com o personagem exposto.

A proposta do livro em unir mitologias aos Atos não se sustenta, vide a falta de elementos históricos e gráficos, que de fato, façam sentido para um sincretismo de conceitos tão distintos. O Tarô, em sua proposta inicial, não tem por objetivo ter suas lâminas engessadas a pensamentos filosóficos outros que não aqueles que ele próprio possa fornecer. Veja que um mito, uma história mitológica, possui uma estrutura muito própria, associada à cultura, crenças e perspectivas de um determinado povo. O Tarô se cria de forma independente a estes elementos básicos, e, portanto, tal associação soa como tendenciosa e sem sentido. Lembremos que desde a sua criação até os dias de hoje, o Tarô foi e é usado também como jogo lúdico, sem qualquer apelo místico ou esotérico.

Como dito anteriormente, a formatação a qual concebemos o Tarô atualmente, é recente. Nem sempre este conjunto de Arcanos possuiu 78 cartas ou teve em sua estrutura os mesmos elementos simbólicos que são representados nos dias de hoje. Portanto, a insinuação de que sua origem tenha sido formatada em algum ponto específico da história, ou em outras palavras, que cada carta tenha sido posta ali de maneira pensada, em um momento único por autores contemporâneos, e não como uma consequência natural de diferentes percepções em diferentes momentos, mais uma vez, não encontra fundamento em um argumento verdadeiramente científico, por assim dizer.

O livro é falho, incompleto e dispensável. Mitos e Tarôs seria melhor descrito como “Mitos e uma pitada de Tarô – A viagem das autoras”.


por Allan Trindade


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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Se tivéssemos de classificar uma Ordem de primeira importância dentro do esoterismo ocidental quando o assunto é magia, esta certamente seria a Golden Dawn. Fundada em 1888 por três maçons saídos da Societas Rosacruciana in Anglia, a Ordem Hermética da Aurora Dourada destacou-se dentre os meios ocultistas de sua época, como uma das Ordens Mágicas mais importantes, surgidas após muitos séculos de obscurantismo e ignorância.

De completos anônimos a celebridades, de 'santos a bestas', a Ordem reuniu em suas fileiras gente de todas as estirpes, de todos os anseios... Num mundo onde a ciência finalmente respirava os novos ares do progresso, onde a religião era finalmente posta em seu devido lugar de coadjuvante descartável para a história humana vindoura, as expectativas de um novo século traziam consigo as esperanças de um novo misticismo.

Muitas foram as Ordens criadas, muitas foram as lendas inventadas, muitas foram as histórias contadas, mas pouquíssimos foram os nomes imortalizados. E foi nesse furacão de novas promessas que surgiram aqueles que seriam os precursores de uma nova era do conhecimento oculto. Aqueles que seriam legitimados como organizadores de um conjunto de sistemas esotéricos, que tinham por objetivo conhecer o passado, alterar o estado do presente, ou as tendências do futuro, de acordo com suas próprias vontades.

Magia! Se as pessoas temiam tanto esta palavra, a ponto de mandar outras para serem queimadas vivas em fogueiras, talvez fosse esta a solução para os problemas que a vida podia oferecer. Porém, para evitar que tais ensinamentos fossem utilizados de forma desmedida e irresponsável, era preciso que todo conhecimento fosse organizado de forma sistemática, e processado de forma gradativa, para que cada adepto, a seu próprio tempo, tivesse então a chance de compreender a profundidade dos conceitos expostos.

Tanta liberdade, tantas expectativas, e tanto poder foram como um “Big Bang” que explodiu criando através de si um universo de novas realidades. Porém, tal qual um reflexo natural do nosso mundo, assim o é com a Golden Dawn: uma Ordem de objetos visíveis e invisíveis.

Sobre os visíveis, Israel Regardie nos deixou um ótimo legado...sobre os invisíveis, R. A. Gilbert nos abrilhanta com mais uma de suas obras.

O FEITICEIRO E SEU APRENDIZ é uma antologia organizada por R. A. Gilbert, publicado pela Editora Pensamento, com 225 páginas. O título é sugestivo, transfere a ideia da organização de seu conteúdo. Dividido em duas partes, cada capítulo é completo em si, e não possui qualquer conexão com a monografia anterior, ou sucedente. Isso porque, tal qual sugere seu subtítulo "Escritos Herméticos Desconhecidos", o livro reúne diversos textos esparsos, de diferentes idades e origens, que até o presente momento eram desconhecidos do público em geral, por nunca terem sido previamente publicados.

Samuel Lidel Matthers ocupa seu primeiro capítulo, trazendo a público comentários sobre Cabala, Qliphot, análises bíblicas, opiniões sobre a origem e complexas tiragens do Tarô, etc ...sem grandes introduções ou dissertações, mas que funcionam bem para a necessidade de uma consulta rápida. Sua participação é curta, e é fato que, fosse só por isso, o livro não valeria tanto investimento. Porém, a importância da obra encontra-se em seu segundo capítulo. Seu autor, J. W. Brodie-Innes apresenta-se como um pesquisador de qualidade rara dentre o contexto ocultista. Diz ele:

"Defendo o ponto de vista de meu velho amigo de infância, Charles Darwin, de que o dever de um investigador honesto é registrar imparcialmente todos os fatos que puder apurar e, depois, declarar com clareza as deduções que deles extraiu, deixando os leitores à vontade, para aceitar ou rejeitar suas teorias, mas estando certo de lhes haver relatado todos os fatos de que tem conhecimento."

Tal introdução é mais que confortante para um mundo onde o achismo impera sobre o saudoso senso crítico. Seus capítulos resumem-se, em sua maioria, a relatos de experiências vividas pelo autor em suas diversas buscas investigativas sobre os mistérios do oculto. Mediunidade, Mitologia, Tarô, Khemetismo, Astrologia, Bruxaria são alguns dos temas abordados. Innes é imparcial, expõe suas vivências de modo claro, objetivo, sem proselitismo ou tendencionismos infundados, mas com o bom senso e a clareza sincera de quem apenas deseja saber e compartilhar. Bastava que tal antologia trouxesse os escritos de Brodie-Innes e esta já valeria o investimento.

Comparativamente falando, nos parece estranho que Gilbert sugira que o Feiticeiro seja Mathers e o Aprendiz seja Innes. Mathers será para sempre lembrado na história como um dos homens que fundou uma das Ordens Mágicas mais importantes da história da humanidade, mas é fato que, como Aprendiz, John Willian Brodie-Innes era um ótimo mestre!

por Allan Trindade



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segunda-feira, 30 de março de 2015

Encontrei este livro por um acaso, se é que podemos dizer que o acaso existe. Como de costume, antes ou depois da escola, sempre entrava em uma livraria que fica próxima ao prédio. Naquele tempo, eu tinha prometido para mim mesmo que não ia mais comprar livros físicos, já que eles pesam e ocupam espaço...e espaço é sempre um problema quando sua casa são praticamente suas malas. 

Caminhando entre algumas estantes, na ilha de novidades, no centro do setor de ocultismo, pilhas e pilhas de livros em promoção. Minha mente insistia: 'livros físicos não!',...mas meus olhos me conduziam ao pecado. E foram eles os culpados da visão deste título que com um belo adesivo vermelho de 5,00 euros chamava ainda mais minha atenção. Um pouco impressionado pela quantidade de páginas, 562 para ser mais exato, dei uma folheada despretensiosa para ver seu conteúdo. Muito bem editado, com imagens, fotos, notas e um índice a qual relacionava seus 12 capítulos. Após ler o prefácio, concluí: sou de fato um pecador, e o pior, sem o menor arrependimento!

The Book of English Magic, escrito por Philip Carr- Gomm & Richard Heygate é uma daquelas graciosíssimas surpresas que são colocadas em nossos caminhos em momentos em que menos esperamos. O livro contém doze capítulos divididos em diferentes temas e que basicamente são uma introdução bastante completa para estudantes iniciantes e avançados de ocultismo. Sua leitura é de um inglês acessível, mesmo para aqueles que não são totalmente fluentes no idioma, e ainda contém uma extensa introdução a cada tema exposto, entrevista com praticantes dos sistemas pesquisados, bibliografia e indicações de cursos e websites para se aprofundar na matéria de seu interesse, além de servir como um ótimo guia turístico para todos aqueles que pretendem visitar a Inglaterra.

Como o nome pode sugerir para alguns, o título é razoavelmente pretensioso, no que tange a ideia dos autores quanto aos sistemas mágico-esotéricos expostos em seu conteúdo. Conforme dito anteriormente, o livro é de fato uma introdução e um resumo dos principais sistemas mágicos utilizados e/ou estudados por grande parte dos ocultistas ocidentais nos dias atuais. Sendo assim, é sempre importante manter em mente que apesar de a maioria destes sistemas terem tido uma maior visualização após grandes nomes do esoterismo britânico, eles não são necessariamente ou exclusivamente pertencentes ao Reino Unido, seja por sua origem ou desenvolvimento.  

A citação de grandes nomes, tais quais, Samuel Lidell Mathers, Wyllian Wynn Westcott, William Robert Woodman (fundadores da Golden Dawn) Dion Fortune (uma das mais proeminentes membros da Ordem), Aleister Crowley (membro de igual destaque e organizador do sistema Thelêmico), Arthur Edward Waite (responsável pela criação de um dos baralhos de tarô mais famosos do mundo ilustrado pelas mãos de Pamela Colman Smith), são como que uma obrigatoriedade quando tratamos do tema, porém, é preciso lembrar ainda que muitos destes foram influenciados por indivíduos que não eram ingleses, tal como Eliphas Lévi, francês nascido sob o nome Alphonse Louis Constant, que foi por sua vez, segundo os próprios citados, o grande inspirador para o renascimento da magia ocidental no século XX, além de outros.

Não obstante, os próprios sistemas em si são oriundos de diferentes regiões da Europa, e em alguns casos, África e Ásia...logo, apesar de seu florescimento e merecido mérito pertencerem a terra da Rainha, mais justo seria intitular o livro como The Book of European Magic.

Detalhes a parte, o resumo da obra pode ser descrito como; indispensável! The Book of English Magic é um livro para se ter, ler, reler, praticar, curtir e compartilhar!

por Allan Trindade

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domingo, 15 de março de 2015


Brida.
Este livro marcou minha pré-adolescência e por isso decidi que ele deveria ser o primeiro título deste blog...

 Já não me lembrava mais exatamente o contexto da história, apenas que tratava de bruxaria e algo descrito no livro como a "Tradição do Sol"...sentei-me para iniciar a releitura e para minha estranha surpresa, o livro se passa na Irlanda, país a qual passei quase um ano da minha vida morando. Coincidência? Talvez... mas para mim, estes eram motivos mais que suficientes para continuar a leitura...


Com 190 páginas, o livro conta a história de uma jovem adulta, que intrigada pelas questões existenciais características da idade, direciona seu foco para o aprendizado da magia. Com uma introdução que nos leva a crer que aquela seja a história real de uma Irlandesa dentre os meandros da bruxaria, o livro possui um desenvolvimento leve, bastante carente na descrição de cenários que compõem a paisagem Irlandesa, e clichê, já que foca sua narrativa sobre a temática da busca de uma pós-adolescente pelo amor de sua vida. O título contém passagens interessantes, como aquelas máximas de efeito que muitas vezes nos levam a refletir sobre algo que tenha passado despercebido, mas estas são exceções no livro.

Brida, que mora em Dublin, parte de sua cidade em busca de um famoso mago que vive como um eremita, no meio de uma floresta em uma cidade afastada. Ele é um mago da "Tradição do Sol" que - sem dar a entender exatamente do que se trata tal denominação - lhe explica que, para aprender sobre os Mistérios, terá de descobrir se seu caminho será o mesmo que o dele, ou seu exato oposto: "A Tradição da Lua".

Dentre idas e vindas, e uma busca sem muito esforço, após quase ter desistido de tudo já na primeira experiência, a jovem conhece aquela que seria sua mestra; "Wicca"...seu nome é Wicca. E é neste ponto que as imagens se tornam um pouco distorcidas...


Como dito anteriormente, já no prólogo, o autor nos leva a entender que aquela é uma história real. Sendo assim, partimos do princípio de que nomes, rituais e sistemas citados terão suas correlações minimamente respeitadas quando mencionadas de forma direta no livro. Qual sentido haveria de ter em uma personagem, descrita como uma bruxa, mestra de uma Tradição, se chamar Wicca se não para insinuar que aquela seja exatamente a Tradição a que ela pertença? E se é este o caso, não faz o menor sentido que rituais sejam rituais pagãos com orações e citações cristãs! (O que faz a "Virgem Maria" no meio de um Sabbat?!...estou até agora tentando entender...)


A tentativa constante do autor em sincretizar sistemas religiosos absolutamente opostos desce goela abaixo causando estranheza ao paladar e torções involuntárias aos músculos da face. Para os laicos e sincréticos, como era o meu caso há 13 anos atrás, tais detalhes podem até ser ignorados, mas para aqueles que já viveram e conviveram com bruxas e magistas, e que possuem histórias reais para compartilhar, Brida não passa de um livro de auto ajuda para adolescentes carentes...

por Allan Trindade

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