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segunda-feira, 16 de julho de 2018

A primeira impressão é a que fica. Ou ao menos assim nos diz o dito popular. Não vou discordar, já que por agir justamente desta forma, acabei por protelar a oportunidade de conhecer muitas realidades interessantes. Foi assim com a Magia do Caos. Numa época onde redes sociais basicamente se resumiam a Orkut e MSN, alguns tipos estranhos já populavam as comunidades thelêmicas e emporcalhavam os tópicos com uma série de postagens que tinham o estranho objetivo de converter, ou simplesmente, desvirtuar qualquer assunto sério que ali estivesse sendo discutido. 

Os tipos, estampados ou autodeclarados, eram dois: gnósticos e caoistas, nesta ordem de ação. Bastava um destes aparecer para eu desaparecer do assunto, afinal de contas, o diálogo era mesmo impossível com essa gente, e nossos objetivos pareciam bem distantes quando o assunto era espiritualidade.

Desenvolvi um certo preconceito. Não contra eles, pois afinal, eu os julgava por experiência, sendo assim, criara um pós conceito, um conceito com conhecimento de causa; os que se apresentavam eram sempre fanáticos ou desordeiros, se orgulhavam disso e ponto. Meu preconceito e erro foi estender as impressões que me passaram aos sistemas que diziam representar. Acreditar nisso foi o mesmo que considerar que a atitude hipócrita da maioria dos cristãos representa o que a Bíblia diz ser o Cristianismo.

Mas o estudo nos ensina que não, não necessariamente se conhece uma árvore por seus frutos, afinal de contas, maçãs podem ser fruto do pecado, envenenadas ou de ouro, sem que a macieira tenha qualquer responsabilidade nisso.

Foram anos até perceber que o Gnosticismo era muito mais rico e diverso que o comportamento que alguns coprófagos poderia limitar. O mesmo tempo até perceber que a riqueza artística e mágica de Spare e Carroll, não podia ser confundida com as sandices de gente que usava a internet para expressar seus desejos de serem malkavianos do plano virtual.

A primeira impressão pode até ser a que fica, mas é tolice se limitar a uma única impressão. A primeira impressão fica, mas é preciso permitir-se ter a experiência para ter uma segunda, terceira, ou quantas forem necessárias até perceber que os fundamentos de um sistema não são necessariamente definidos pelo comportamento de seus adeptos. Foi assim com a Magia do Caos. Que bom!

LIBER NULL E PSICONAUTA é uma publicação escrita por Peter James Carroll com 239 páginas, divididas em dois livros internos e publicado no ano de 2016 pela Penumbra Livros.


Ordem! Sim, ela existe aqui e dá a base para o curso de teorias, técnicas e rituais que o título apresenta. A IoT - Iluminados de Thanateros é uma ordem criada por Ray Sherwin e Peter Caroll, o autor desta publicação. Herdeiros mágicos do Zos Kia Cultus e da A.'. A.'., a magia da IoT é definida como prática, personalista e dedicada a experimentação. Entretanto, o autor salienta que suas práticas são destinadas a estudantes sérios, levando em consideração a potencialidade de seus rituais, e devem ser apenas praticados por aqueles que estejam em perfeitas condições de saúde.

Peter ressalta que é relativamente comum que mestres tenham inspirado adeptos a criarem Ordens e que, apesar de não ter uma história, a IoT transmite uma tradição milenar e que é constituída como território Illuminati. Sendo assim, são iluminados, mas não os mesmos da Baviera ou de qualquer outro tipo, mas de Thanateros, um amálgama dos deuses Thanatos (morte) e Eros (sexo), feito para expressar a junção de opostos para a consciência mágica como caminho, praticado por eles, e a iluminação, como finalidade de suas práticas.

Caos! Tido como sinônimo de tudo aquilo que é desordenado, sem sentido, bagunçado. Cremos ser uma interpretação possível, mas não se limite a ela, pois é certo que este entendimento pode não se adequar de todos os modos a realidade deste livro. Ou melhor, destes livros, uma vez que embora esta publicação esteja em formato único, ela comporta em si dois títulos distintos.

LIBER NULL 

é de cunho essencialmente individual e prático, sem entretanto fugir as devidas explicações didáticas. Este livro dá título para o conjunto de alguns outros libri que tem por finalidade guiar o estudante a uma série de exercícios gradativos que o tornarão apto a ingressar em outros planos de trabalho da Ordem. Há de se salientar porém, que embora o livro seja organizado para os membros ou candidatos da IoT, não há qualquer obrigação de relação com a mesma para a execução dos ritos aqui apresentados. Seus libri são:

  • Liber MMM - que discorre sobre as práticas de Controle da Mente, Magia e Sonhos.
  • Liber LUX - sobre Gnose, Evocação, Invocação, Libertação, Augoeides, Divinação e Encantamento.
  • Liber NOX - sobre Feitiçaria, O Duplo, Transmogrificação, Êxtase, Crenças Aleatórias, O Alfabeto do Desejo e O Milênio.
  • Liber AOM - sobre questões Etéricas, Transubstanciação, A Caosfera, Aeônicas e Reencarnação.


Organizado de modo a levar o estudante ao domínio de suas habilidades físicas e espirituais, seus rituais objetivam o aprimoramento e o alcance de alterações mentais induzidas, dentre elas aquele estado conhecido como Gnose, para, dentre outros, a consecução mágica de um dos elementos mais conhecidos da Magia do Caos: os Sigilos. Esta técnica, que une elementos da Magia Tradicional com aqueles desenvolvidos por Austin Osman Spare, consiste na criação de elementos gráficos que geralmente são fabricados a partir de frases com intenções mágicas. Estes desenhos tem por objetivo ocultar intentos da mente consciente, de modo a lançá-los no vácuo criado a partir destes estados alterados de consciência, tendo sua forma física destruída em seguida, para serem de todos os modos esquecidos pela mente ativa.


PSICONAUTA

Na introdução deste, Carroll salienta que apesar de todo preconceito da ciência vulgar em relação a magia, um novo olhar tem sido lançado para todo este cenário e um novo intendimento vem se dando. Interpretada como uma ferramenta de contrariedade ao materialismo, a magia aqui é pensada de modo a dar acesso aos seres humanos para aqueles aspectos inexplorados de nossa existência, sem o medo de se arriscar em experiências físicas, mentais e espirituais para objetivos específicos.

Destaca a possibilidade de aumentar o poder de rituais ao praticá-los em grupo, além de que em tais situações, as habilidades de cada um podem ser divididas e melhor exploradas de acordo com suas potencialidades. Além disso, trata ainda das interpretações que a psicologia dá para as divisões cerebrais, que considera arbitrárias, e sobre o modus operandi de ataques mágicos, seus riscos e motivos.

A partir deste ponto, elenca cinco rituais denominados os Ritos do Caos, baseados nos princípios do Xamanismo Gnóstico do Novo Aeon, destinados a tratar de situações em que os sacerdotes do Caos possam estar. Estes são: a Missa do Caos, Iniciação, Ordenação, Exorcismo e Extrema Unção.

Em seguida, discorre sobre a pouca influência que os astros têm sobre a Terra, à exceção do Sol e da Lua, criticando assim o destaque que a Astrologia dá para os outros planetas, considerando-a vaga e imprecisa. Sobre o uso de drogas em operações mágicas, as diferenças entre os materialistas, religiosos e magistas, o Caos e sua relação com a magia e a consciência, Deus, o Demônio e as mudanças ocorridas através das eras sobre a percepção destes conceitos, além de tratar sobre Armas Mágicas e demais definições filosóficas que discorrem sobre paradigmas e previsões futuras.

Nestas obras, todas as impressões externas que fazem com que que a Magia do Caos se pareça com apenas mais um sistema de feitiçaria, não se sustentam. Existe aqui uma percepção de que a consciência humana geral muda através das eras e que através de trabalhos mágicos específicos reside a possibilidade desta condução.

Liber Null e Psiconauta propõe uma visão de mundo e práticas novas para adeptos que buscam uma relação mais empírica e menos mistificada com a magia. Aqui tudo é essencialmente prático, sem entretanto fugir a conceitos tradicionais encontrados nos sistemas esotéricos ocidentais. Todo estudante aplicado nestas Ciências, perceberá que o novo aqui reside em grande parte na liberdade em que o sistema dá para se adaptar os conceitos fundamentais à sua própria maneira, sem estabelecer nenhum revés de ideal moral em função disso. O foco é mental e energético, e o senso de Arte e Ciência aqui são levados ao seu sentido mais radical, para que então a mágica se faça. Diagramação, arte e capa dura são belezas a parte que dispensam comentários.

 Post Scriptum: e se nada é verdadeiro, e tudo é permitido...permita-se tê-lo, você não vai se arrepender.

por Allan Trindade



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quarta-feira, 6 de junho de 2018

ILLUMINATI. ILLUMINATI. ILLUMINATI. ILLUMINATI. ILLUMINATI. ILLUMINATI. ILLUMINATI. ILLUMINATI. ILLUMINATI. ILLUMINATI. ILLUMINATI. ILLUMINATI. ILLUMINATI.

Achou estranho que esta palavra apareça tantas vezes nesta introdução? Pois saiba que esta é a mesma estranheza que nos causam os diversos vídeos, blogs, sites, revistas e livros que pululam dia após dia nos meios de comunicação que tratam sobre este tema, alegando que tudo é Illuminati. Esta histeria desmedida soa absolutamente estúpida as vistas de qualquer pessoa minimamente sensata, mas parece fazer total sentido para as mentes daqueles conspiracionistas que consideram que sociedades secretas são entidades homogêneas, que estão em todos os lugares, regidas por um governo central, que incute mensagens subliminares em cada centímetro dos seus passos, da sua música, dos seus filmes, dos seus livros, das suas empresas e do que mais sua delirante criatividade - ou insanidade - for capaz de inventar para justificar sua crença de que, não obstante, todos seus membros agem como uma unidade organizada, disposta a dominar e destruir o mundo tal como conhecemos.

ILLUMINATI é um livro escrito por Sergio Pereira Couto com 126 páginas, divididas em 11 capítulos e publicado no ano de 2009 pela editora Universo dos Livros.

Pelos idos dos anos 2000, um dos maiores romancistas policiais que o mundo já conhecera, lançava o terceiro título de sua carreira. Seu nome? Dan Brown. Seu livro? Anjos e Demônios. A partir daquela data o mundo começaria a viver através de suas mais de 450 páginas as aventuras do professor simbologista Robert Langdon e sua empreitada na intenção de salvar a Igreja Católica Apostólica Romana das mãos dos terríveis Illuminati. Entretanto, apesar do maior destaque que esta sociedade secreta ganhara através de suas linhas, o mundo já os conhecia há muitos séculos.

Tudo aparentemente começou mais especificamente no século XVIII, embora a alguns grupos já fosse atribuída a alcunha de iluminados desde o século XIII. Estes, tais como a Irmandade do Espírito Livre, Iluminados, Alumbrados da Espanha, Profetas de Cevenas, diferentes em suas perspectivas e influências, foram desaparecendo com a mesma velocidade com que surgiam, mas um, dentre vários, permaneceu.

Segundo nos conta Sergio Couto, estes eram os Iluminados da Baviera, grupo surgido no ano de 1776 através das mãos de Adam Weishaupt, um alemão nascido no ano de 1748 em Ingolstadt, estudante de ocultismo e com uma certa predileção pelos Mistérios Gregos que influenciariam não apenas os motos usados pelos membros de sua Ordem, que em muitos casos faziam referências aos heróis helênicos, mas também a forma cifrada de sua comunicação em relação as cidades alemãs, que eram disfarçadas com nomes de cidades gregas. Chamada igualmente de Sociedade dos Mais Perfeitos, e também de Antigos e Iluminados Profetas da Baviera, foi através do nome Illuminati que a Ordem se fixou como aquela sociedade que inspiraria a mente dos conspiracionistas e das muitas obras de ficção modernas. Mas nem tudo pode ser considerado loucura ou invenção quando tratamos deste tema. 

Sua missão era de estabelecer um sistema totalmente novo e revolucionário, para pôr fim aos governos monárquicos e religiões - mais especificamente o Cristianismo -, e consideravam que para isso, os fins justificariam quaisquer meios. Adam teria encontrado terreno fértil então dentro da Maçonaria, e dali, captaria muitos dos membros que precisava para por seus planos em prática. 

Weishaupt considerava que "poucos, mas bem colocados" membros eram suficientes para que tudo fluísse conforme imaginava. A ideia era de que ao agregar pessoas influentes, sem revelar de forma imediata os objetivos finais da Ordem, mas expondo de forma gradativa e através dos graus internos seus planos, poderiam sistematicamente mudar a estrutura dos governos - uma vez que muitos dos seus membros pertenciam a áreas deste setor -, até o ponto de destruí-los totalmente. Tal como um parasita que se instala em organismos até consumi-los por completo, os Illuminati objetivavam se infiltrar sorrateiramente na monarquia e no Cristianismo, aniquilando-os de dentro para fora, fazendo surgir do cadáver putrefato destas organizações uma Nova Ordem Mundial.


Mas ao que parece, nem tudo funcionou como planejavam. Em 1785 as suspeitas sobre eles começaram a aumentar, junto das perseguições, prisões e torturas, pondo um fim a Ordem. A partir deste ponto os Illuminati teriam então se tornado ainda mais ocultos, infiltrando-se não apenas nos segmentos citados, mas também dentro de sociedades secretas outras, indicando através dos graus de muitas destas, sua presença. Teriam, de forma igual, se alinhado com grandes famílias de trilionários , tais como os Rotschild e os Rockefeller, migrado para os Estados Unidos da América, influenciando a formação daquela nação junto da Maçonaria, registrando sua existência nas notas de dólares, monumentos históricos e instituições dos mais diversos tipos. Mudariam de nome, teriam envolvimento com os Protocolos dos Sábios de Sião, Hitler e a Segunda Guerra, Crowley e a OTO e estariam tão envolvidos sob tantas camadas de mentiras,  notícias falsas e especulações, que hoje ninguém poderia mesmo dizer mais o que é real ou mito em relação aos famosos Iluminados da Baviera.

O livro de Sergio Couto levanta todas estas questões, e ainda muitas outras, de forma imparcial e sensata, não se deixando levar pelo sensacionalismo comum encontrado em muitos dos textos deste tema. Há um aprofundamento de cada um dos tópicos levando sempre em consideração os limites do bom senso, uma vez que, ao se tratar de sociedades secretas, o campo da pesquisa é sempre limitado pela especulação sobre o que seja, e o mistério sobre o que de fato é, uma vez que muitas das informações relacionadas a este universo sejam restritas a seus membros. E se estes membros não existem mais, ou fazem questão de se esconder, o que nos resta por fim é argumentar sobre aquilo que se tem, como registro histórico e imaginar aquilo que se deduz, como consequência destes registros. Ao menos aqui, estas fronteiras estão muito bem delineadas. 

De nossa parte pensamos que se os Illuminati de fato ainda existem, algo parece ainda não ter se encaixado, pois a monarquia pode ter caído, mas o Cristianismo ainda caminha e dita muito do pensamento religioso comum. Sendo assim, só nos resta mesmo concordar com Caetano e cantar; "alguma coisa está fora da ordem, fora da Nova Ordem Mundial"

por Allan Trindade

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