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quarta-feira, 8 de abril de 2020

Em pleno século XXI, homens e mulheres renascem sedentos pelos poderes obscuros. Por mais que
os profetas de diversas crenças ‘tocassem suas trombetas’ anunciando o retorno desses espíritos inconformados e rebeldes, não conseguiram findar a sede de vingança da matilha renascida. Se assassinaram nossos antepassados das formas mais cruéis e irracionais, hoje devem nos respeitar e até nos temer, por nada mais funciona segundo as leis hipócritas dos velhos códigos da ‘Santa Inquisição’. Somos o povo da noite, escolhidos pela vitória e portamos as fagulhas dos Deuses ‘esquecidos’. Quem escolhe esse caminho sabe que em sua cabeça pode brilhar uma coroa, com a mesma luz emitida pela maravilhosa ‘Estrela Matutina’. ...

Sejam bem vindos a um dos afluentes de Hades, as velas do santuário de Ahndrus, aos cumes dos vulcões adormecidos e aos tornados em formação. Apreciem as melodias de cura e doença, de vida e morte, de amor e ódio e de deuses e demônios. pg 11/13

TEMPLO DE AHNDRUS é um livro escrito por Danilo Coppini, com 167 páginas divididas em 6 capítulos e foi publicado no ano de 2010 pela Madras editora.

Magia. Esta palavra conhecida por todos que costuma gerar reações no mínimo ambíguas quando proferida. Sinônimo de prestidigitação, truque e enganação para alguns, e de poder e fascínio  para tantos outros, são estes últimos aqueles que costumam tomá-la com o devido respeito que a mesma merece. Respeito esse que nada tem a ver com uma visão supersticiosa - quando devidamente compreendida –, mas que se relaciona a certeza de que através dela, o bruxo ou magista tem a capacidade de alterar, modificar e transformar aquilo que deseja.

A magia, quando vista sob este viés, nem mesmo precisa ser acreditada como uma manifestação espiritual, visto que em tempos modernos muitos são aqueles que atribuem à mesma um caráter puramente psicológico, embora isso também não signifique que através de seu toque indivíduos possam alcançar as escadas da autoconsciência, e consequentemente do sucesso, ou da completa loucura, e a derrota absoluta. Um caminho de mão dupla? No mínimo.

Já em sua introdução, o autor salienta que embora sejam muitos aqueles que se erguem em pleno século XXI demonstrando interesse por estes conhecimentos malditos, coragem, responsabilidade e autocontrole são essenciais para descer as escadas da escuridão.

Muitos são os livros que tratam o tema sob seu aspecto filosófico e teórico. Mas este não é o caso aqui. Em Templo de Ahndrus, Coppini nos apresenta um livro introdutório, pensado para os iniciantes que não apenas tem interesse pela parte prática da magia, mas especificamente por seu lado esquerdo, o lado obscuro desta Arte, o caminho da Magia Negra. 

Renascer é o objetivo de qualquer prática magística, quebrar os grilhões, rasgar véus de séculos de imposições religiosas e proporcionar 'vida' aos desejos. O homem é o dono do seu destino, guardião da sua eternidade e manipulador das Leis da Natureza (visto que são imutáveis). A Arte Negra é a liberdade de manipular, jogar, prorrogar e vencer todos os obstáculos cotidianos. Somos, antes de tudo, buscadores da liberdade na dança das reencarnações.  pg.11

Dividido em três partes, Templo de Ahndrus começa tratando das Armas e materiais a serem usados dentro das cerimônias mágicas. As condições ideais para as consagrações e o modus operandi são apresentados antes de cada um dos elementos. Tabelas de correspondências, listas de ervas, e o uso do athame, bastão, espada, espelho, taça, sino, óleos e pantáculo, dentre diversos outros itens e elementos tradicionais da Magia Cerimonial.

Em sua segunda parte, destinada aos feitiços, o autor salienta que feitiços são ações mágicas direcionadas a objetivos específicos, frutos de desejos pessoais e praticados para o cumprimento dos mesmos. Aqui não existe certo ou errado, e pecado, sem dúvidas, são os outros. Ideias como "Lei do Retorno", "Tríplice" ou similares são conceitos vulgares, e segundo sua concepção, as Artes Negras estão acima disso. A regra é a própria consciência individual. Se você está em paz com seu intento, não há o que temer. A união do seu desejo ao feitiço são provas da sua pureza de intenção, sendo assim, o resultado esperado é simplesmente justo. Com o auxílio da Lua, e suas posições no céu, o momento mais propício para esta ou aquela forma de magia é indicado. Os tipos dividem-se em feitiços para atração, dinheiro, sedução, dominação, amarração, poder, dentre outros.

Por fim, Danilo nos apresenta capítulos destinados a tratar da importância dos números dentro da tradição mágica, e a necessidade de conhecer bem seus significados. Ensina a maneira de produzir círculos mágicos, destacando sua importante função de proteção e projeção das energias que se opera, circundando o magista com os nomes de Lúcifer, Satã, Leviatã e Belial. E finaliza tratando dos Reis e Rainhas da Mão Esquerda, sua descrição, refeições e bebidas preferidas de Abadoon, Beelzebuth, Hecate, Leviatã, Lilith, Mammon, dentre outros.

Este livro cumpre aquilo que promete: é introdutório e essencialmente prático. Possui uma linha de pensamento própria, embora todos os elementos tradicionais sejam encontrados em sua estrutura. Destina-se aqueles que buscam o caminho da magia negra, embora isso não necessariamente represente sempre fazer o mal para outrem. Especialmente se levarmos em consideração que aquilo que é mal para uns, pode ser bem para outros...

por Allan Trindade


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domingo, 13 de novembro de 2016

Se raros são os indivíduos nos dias atuais que possuem conhecimento sobre a existência de grimórios medievais, mais raros ainda são aqueles que cumprem o ofício de encará-los de forma crua e literal, dedicando-se na dura labuta de construir suas Armas Mágicas, investir em itens e ingredientes raros, e sacrificar sua comodidade em nome da Obra. 



Se o discurso modernista aponta para as subtrações da ritualística, com seus psicologismos e ‘positivismos’ baratos, tornando-a, em muitos casos, seca e relapsa, atraindo com sua luz artificial os olhos dos impressionáveis e efêmeros magos e bruxos de internet, são os Tradicionalistas que mantém a observância da santidade dos atos, estudos e rituais, e em Silêncio, perpetuam a Magia Cerimonial que nos é dada e herdada. 


E é neste sentimento que somos gratos àqueles que descobrem suas Coroas encapuzadas e nos presenteiam com sua experiência, através do uso consciente das tecnologias que a atualidade nos oferece, com seus livros, blogs e demais difusores de conhecimento, compartilhando instrução e inspiração para as novas gerações de magistas verdadeiramente interessadas, provando que modernização não é sinônimo de ignorância ou omissão.



[O livro a seguir é baseado no título Magus, de Francis Barrett, apresentado aqui no número anterior. Caso não tenha lido ainda esta resenha, recomendamos então que faça sua leitura antes desta.] 



GATEWAYS THROUGH STONE AND CIRCLE é um livro escrito por Ashen Chassan, no ano de 2013, com 170 páginas e publicado pela editora Nephilim Press. Com cerca de 8 capítulos, o título trata da experiência e prática do autor, a partir das instruções contidas no livro de Barrett, sobre como atrair espíritos para dentro de cristais e estabelecer comunicação com eles.



Chassan é vanguardista e nadando contra a corrente dos movimentos atuais, assumiu para si a labuta
de trabalhar não apenas de forma Tradicionalista, mas, resolveu, junto a um grupo de outros estudiosos, incorporar a seu dia a dia a prática de evocação de espíritos planetários. De uma forma geral, tais magistas reuniram-se com a intenção de criar uma egrégora em comum, para gerar saúde e prosperidade em abundância, para cada um deles, através das energias Jupiterianas. Mas este foi apenas o começo para o autor, que com vontade e dedicação, reuniu experiência e instrução sob o título que dá nome a sua obra.



A ideia central do livro está intimamente ligada não apenas ao título Magus como um todo, mas a um capítulo em específico, de conteúdo curto e nome pomposo: A Magia e a Filosofia de Trithemius de Spanheim Contendo Seu Livro de Coisas Sagradas e a Doutrina dos Espíritos Com Muitos Segredos Curiosos e Preciosos (Até Agora Desconhecidos Pela Maioria) da Arte de Atrair os Espíritos Para Dentro de Cristais, Etc. Com Muitas Experiências Nas Ciências Ocultas, Nunca Antes Publicadas Na Língua Inglesa. Traduzido de um Manuscrito Latino Valioso por Francis Barrett, Estudioso de Química, Filosofia Natural e Oculta, a Cabala, etc.



Sugerindo que a tradução do título acima, atribuído a Trithemius, foi feita para um amigo, Francis lhe explica que esta arte não é dedicada àqueles que têm por finalidade objetivos vãos e egoístas, mas que deve servir para elevar sua existência ao Mais Alto. Diferentemente de outros sistemas bem
fonte: http://bryanashen.blogspot.com/
mais complexos em seu Arsenal, a prática de Atrair Espíritos Para Dentro de Cristais exige apenas: uma bola de cristal, presa a um suporte e rodeada por um círculo de ouro com nomes divinos; um círculo mágico, não muito grande, já que o ritual não exige movimentação; dois castiçais; um turíbulo e uma varinha de ébano negro com caracteres de ouro; além dos itens pessoais comuns aos sistemas cerimoniais, exigidas para uso do magista, como seu manto, pantáculos, etc.



Note que não há indicação para o uso de adagas ou espadas, uma provável sugestão para o fato de que tentar forçá-los a cumprir sua vontade não seja o caminho ideal.


Com todas as ferramentas em mãos e todo contexto pronto, dá-se então início a prática. Muito mais uma arte de comunicação que de pedidos, o sistema de Trithemius sugere que os espíritos planetários, também chamados de (Arc)Anjos, exigem dedicação e vontade pura de objetivo, e que antes de mais nada, é preciso saber a razão de se querer estar em contato com tais seres, e o que quer saber deles. Para isso é preciso, previamente, fazer uma seleção de perguntas que irão compor a sessão e que devem estar intimamente ligadas ao ofício de cada Anjo, a qual é relacionado a cada dia da semana e aos sete planetas antigos.


Tal como o fez o autor de Gateways Through Stone and Circle , não há dúvidas que as informações contidas em Magus seriam suficientes para que você iniciasse os rituais com este sistema. Porém, a exigência de conhecimentos prévios e o sobejo de proselitismo do livro de Barrett, poderiam ser empecilhos desnecessários a um praticante menos sabido, e que com a lapidação dos excessos feita por um magista mais experiente, o objetivo final da obra poderia ser melhor aproveitado. E é esse o trabalho que Ashen Chassan nos traz em sua publicação.



As palavras chaves aqui são instrução e praticidade. Seu livro não tem por objetivo grandes dissertações morais, espirituais ou históricas. É de se supor que o autor tenha deixado de lado tais componentes, típicos de textos grimóricos, pela consciência de os mesmos serem encontrados no livro a qual este título está relacionado. Não obstante, em uma página ou outra, até mesmo sugere que, se você não for uma pessoa simpática ao Cristianismo, alterações nas orações possam ser feitas desde que se respeitando o cerne da ideia.



Em seu princípio, Ashen dedica algumas páginas para comentários gerais sobre a prática mágica e alguns elementos históricos, que parecem ser de interesse de alguns, como a questão se esta arte foi de fato descrita por Trithemius, ou se foi apenas atribuída a ele por Francis. Segue tratando dos elementos psíquicos e espirituais relacionados a alguns sistemas, como a nem sempre tão objetiva indicação, encontrada em alguns livros antigos e pinturas, da parceria com um vidente para a recepção das mensagens dos Anjos, tal como o caso de John Dee e Edward Kelley, responsáveis pelo recebimento do Sistema Angélico, vulgo Enochiano. 



Traz ao leitor os nomes, sigilos, signos, características, desenhos - conforme sua própria experiência -
das formas humanoides destes seres. Segue descrevendo, item a item, a maneira como construiu e/ou adquiriu suas Armas Mágicas, e dá todas as instruções, passo a passo, de como fazê-las ou dos locais onde comprá-las. Destaca ainda a importância da mistificação da técnica mágica, desde a observância de seus estudos como santos, até a preocupação com o templo externo, um quarto ou local destinado exclusivamente para rituais, e o templo interno: seu próprio corpo. Encerra sua sequência trazendo o relato do contato com o espírito Cassiel. 



Considerar a objetividade do livro de Ashen parcial, por não se preocupar tão arraigadamente aos elementos religiosos contidos em Magus, seria o mesmo que desperdiçar a oportunidade de tomar este título não apenas como um grimório moderno para suas práticas pessoais, mas perder a chance de ter como referência seu método de estudo, prática e ensino. 



A ideia de publicar um livro baseado em um grimório antigo, respeitando os fundamentos apresentados em sua forma original, e atualizando componentes de modo a, não favorecer os baixos egos sedentos por pirotecnias e resultados fáceis, mas a contribuir para o progresso do conhecimento mágico, é uma prática que deve ser não apenas adquirida, mas reproduzida e ampliada. 



Se Magus pode ser considerado a ferramenta mágica para a prática de Atrair Espíritos para Dentro de Cristais, Gateways Through Stone and Circle é, sem dúvidas, seu manual de instruções. 


por Allan Trindade


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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Na antiguidade o conhecimento era algo restrito e elitista. Reservado em muitos casos as altas hierarquias sociais, e ao clero, saber ler e escrever era um privilégio de poucos. Livros eram difíceis de serem confeccionados, caros e em muitos casos, perigosos! Escrever sobre aquilo que mexia com o imaginário popular era sempre um risco...principalmente quando o assunto era religião. Em função de dar credibilidade para alguma obra, ou ainda para se isentar de eventuais problemas futuros, muitos livros publicados na Idade Média eram então atribuídos a personalidades famosas, com um bom apelo social, que podiam oferecer três vantagens: dar visibilidade para a obra, alavancar sua venda, e ainda salvar o verdadeiro autor de virar "churrasco" nas mãos dos cristãos...

Clavícula de Salomão é publicado pela Pallas Editora, adaptado por Irene Liber, com 199 páginas, capa dura e um ótimo acabamento gráfico. Apesar de uma pequena introdução sobre sua origem mitológica, no qual descreve o pseudo recebimento deste conhecimento por Salomão através de um dos anjos do Deus de Israel, o livro é essencialmente prático e muito útil para consultas rápidas. Repleto de tabelas, pantáculos planetários, rituais diversos, e toda uma atualização moderna para a construção e consagração do seu templo pessoal, vestimentas e armas mágicas. Seu subtítulo, "As Chaves para a Magia Cerimonial" parece fazer jus, ao menos em princípio, à seu conteúdo.

A autora foi feliz em sua participação: adaptou linguagem e elementos antigos do título original para a logística e praticidade dos tempos modernos. É um livro de ótimo apelo para ocultistas interessados em um manual atual de magia. Dividido em duas partes, no Livro I, intitulado de "Fundamentos da Arte Mágica", você encontrará informações sobre os Espíritos que governam os planetas, utilização do uso de perfumes e defumadores, as oferendas corretas a serem ofertadas paras os Espíritos, roupas, armas e paramentos gerais, suas funções, inscrições e consagrações. Já o Livro II, "Operações da Arte Mágica", descreve rituais específicos para objetivos específicos, tais como: operações para interrogar os Espíritos, operações para amizade e amor, para proteção em viagens, contra roubos e logros, para obter riqueza e prosperidade, etc...

Mas há também aquilo que (infelizmente) não está lá...

O Clavicula Salomonis, seu título em latim, não é apenas famoso per se, mas também por, conforme acreditado por alguns, ter contido em sua origem um capítulo inteiramente dedicado a algumas entidades infernais, classificadas por 72 nomes, pantáculos, aparência e áreas de atuação, conhecidas como os Demônios da Goétia.
Intitulado de Lemegeton, e referido por muitos como o sistema Goético, ou simplesmente Goétia, tal livro - seja ele considerado um capítulo ou um grimório em si - não faz parte do conteúdo desta publicação em específico. A falta deste, que para alguns seria o único motivo para adquirir o grimório como um todo, não parece desfalcar em nada a qualidade desta edição publicada pela editora Pallas.

Ter este livro em sua biblioteca pessoal não só lhe facilitará em muito a consulta sobre questões que necessitam de uma resposta rápida, como poderá lhe fornecer o conhecimento necessário para o sucesso a médio e longo prazo, para operações realmente transformadoras...

por Allan Trindade


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