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quarta-feira, 12 de junho de 2019


Há alguns anos atrás me tornei hindu, devoto de sri Ganesha. Dentro desse período não era incomum que pessoas, especialmente cristãos, ao saberem disso, me confrontassem de forma debochada.

 - Quer dizer que você acredita num deus gordo com cabeça de elefante?
 - Sim, pratico meus pujas diariamente. Algum problema?
 - Não, só acho engraçado você acreditar nisso.
 - Pois é, também acho engraçado você acreditar que cobras um dia falaram, tal qual em Gênesis. Ou que um ser humano pode viver dentro de uma baleia, tal como o relato de Jonas. Ah, a Bíblia não fala de baleia mas peixe gigante? Como queira. Ou que teu deus precisa falar através de jumentas como no caso de Balaão, ou plantas como no caso de Moisés. Ou que esse mesmo deus seja capaz de mandar duas ursas arrancarem pernas, braços e cabeças de 42 crianças simplesmente porque chamaram Eliseu de careca. Ou ainda que é normal destruir duas cidades 'por pederastia', como Sodoma e Gomorra, mas deixar que os sobreviventes, Ló e suas filhas, transem a vontade, regados a muito vinho, mesmo depois de sua esposa/mãe ter morrido, num caso no mínimo bizarro de incesto. E isso porque eu nem citei os anjos do Apocalipse e suas formas bem mais exóticas que aquela do deus que eu sigo...

Mas o melhor mesmo deve ser rir também dos ribeirinhos que dizem que o boto sai do rio para engravidar meninas, mas achar absolutamente normal que Jesus tenha nascido de uma virgem, não é mesmo?

Vamos continuar essa conversa e rir mais um pouco?

O LIVRO DOS SANTOS é um livro em capa dura, escrito por Rogério de Campos, com 366 páginas, divididas em 16 capítulos e foi publicado no ano de 2012 pela editora Veneta.

Este livro chega assim: sem introduções ou explicações sobre sua estrutura, metendo o pé na porta da Igreja para, tal qual no dia do Apocalipse, reerguer os corpos empoeirados de santos e santas chamados a darem suas opiniões, ou relatar um pouco de suas vivências para nós. De tom cômico, irônico ou mesmo tenso em alguns momentos, cada uma de suas páginas contém um quadro onde a história é apresentada, tudo organizado por temas que vão desde o machismo característico de muitos santos conhecidos do grande público - conhecidos por sua imagem mas dificilmente por suas ideias -, perpassando pelo estranho hábito que outros tantos tinham de ficar andando por aí sem cabeça, até sua estranha adoração pelo sofrimento e pela morte. Os capítulos aqui são:


Da Perversidade Natural das Mulheres
Onde são apresentadas histórias ou falas de santos misóginos

Dos Milagres Milagrosos
Milagres diversos do tipo histórias que o povo conta e a igreja assina embaixo


Donde se Constata que Existem Algumas Mulheres que, de Tão Virtuosas, São Quase Homens
Que lista mulheres santas que em geral não queriam contatos com homens


Donde se Aprende Que, Para um Bom Cristão, a Cabeça é Algo Dispensável
Onde apresenta alguns santos cefalóforos, ou seja, que andavam por aí literalmente sem cabeça e até falavam


Da Vontade Própria: a Semente do Mal
Sobre o quanto a vontade própria é perniciosa para um cristão


Do Porque Só os Virgens Agradarem ao Senhor
Onde os santos evitam ou condenam o sexo e exaltam a virgindade como caminho para o Céu

Do Casamento: um Pecado Menor
Que trata de casamentos diversos e o quão condenável isso é para alguns santos

Do Amor Puro
Sobre os "vários tipos de amor cristão"

Da Justiça Cristã
Onde apresenta casos de amor e justiça praticados pela cristandade católica

Da Ciência Cristã
Onde apresenta o quão científica a Igreja é...só que não

Da Virtude, Conduta e Afins
Histórias diversas sobre hábitos, atos e consequências

Das Delícias da Dor
Sobre o prazer que os santos têm em praticar BDSM

Do Cemitério como Jardim Cristão
Sobre morrer quando bem entender e relíquias da morte

Da Utilidade dos Santos
Onde são indicados os santos padroeiros e do que.


Os capítulos seguintes trazem uma Nota Semibibliográfica e um Índice Onosmático.

O Livro dos Santos é leve e descontraído, mas acima de tudo divertido, embora possa ser considerado pesado ou herético por aqueles menos espirituosos. Carrega a virtude da honestidade em seu interior, porém, peca pela falta de beleza exterior: sua capa embora dura, é feia. Indicado para todos aqueles que, em sendo capazes de rir da fé dos outros, sejam igualmente capazes de rirem de suas próprias. Afinal de contas, água benta na cara dos outros é refresco.

por Allan Trindade.



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sábado, 13 de maio de 2017


Duas palavras. Basta que apenas duas palavras sejam ditas, e como num passe de mágica, as mais diversas reações são extraídas dos mais variados tipos de pessoas ao redor de todo o mundo. Do constrangimento ao riso, da curiosidade desavergonhada a pesquisa oculta e temerosa dos olhares críticos, são elas que dão título a este livro e através dos séculos  atravessam gerações, nos desafiando a questionar sobre qual deva ser o motivo para tamanha fama.



Sexo!...é a primeira resposta que nos vem a mente. Propagado como um manual perfeito para a arte do prazer, para a maioria de nós, não há dúvidas de que este título é sempre uma alternativa acertada para o tédio da rotina de um casal. Se este fosse um daqueles jogos de charadas, é bem provável que com estas dicas você já tivesse adivinhado sobre que livro estamos falando. 



Ousamos afirmar que não importa em que lugar do globo se esteja, a idade que se tenha, a convicção política que apoie, a religião que se professe, todos já ouviram falar nestas duas palavrinhas que dão nome a este famigerado texto hindu, que apesar de idoso, carrega a fama do tesão e criatividade de um jovem de apenas 20 anos...



O KAMA SUTRA é um livro escrito por Vatsyayana, publicado no ano de 2013 pela editora L&PM Pocket com 237 páginas divididas em 7 partes.



Esta é uma versão integral, reproduzida tal qual sua versão original, e especula-se que tenha sido escrita em algum momento dentre os séculos I ao VI, pelas mãos de um homem religioso a qual se tem pouca informação sobre as condições que possuía ou da vida que levava.



Vatsyayana é seu autor, mas em 1883 foi Richard Burton o responsável pela tradução do texto para a língua inglesa dando assim um dos pontapés iniciais para a grande fama dos Aforismos Sobre o Amor no mundo ocidental. Com uma biografia repleta de aventuras e disfarces literais pelos meandros exóticos de vários continentes, digna de um legítimo Indiana Jones, Burton fora um cronista dedicado e um inveterado explorador de novos mundos. 



Em seus comentários, Richard nos explica as razões que o levaram a traduzir esta obra em específico – graças as constantes citações dos sacerdotes hindus ao sábio Vatsyayana e sua curiosidade sobre quem teria sido, e o que teria dito, esta figura emblemática -, além de referenciar uma série de outros textos eróticos, produzidos sob influências deste título. Nota-se que desde seu princípio este livro tem sido usado como inspiração para outros trabalhos. Entretanto, nos dias de hoje, o que existe é uma apropriação do título como forma de propaganda, para expor um conteúdo por vezes absolutamente pornográfico que se distancia consideravelmente de seu contexto original.



Consideramos pertinente ressaltar ainda que erótico e pornô são conceitos distintos.



Em sua introdução, Vatsyayana esclarece que seu livro é na verdade uma compilação de outros escritos, aos quais perdidos e espalhados pelas adversidades do tempo, se viam em estado praticamente impossível de serem obtidos de maneira integral. Desta forma, apresenta esta obra como um resumo dos textos destes outros autores que o antecederam. 



Antes de mais nada é preciso que se compreenda que o Kama Sutra se apoia sobre um conceito: pretende-se como um manual para a prática e experiência do Kama. As ideias, quando resumidas, são aparentemente simples, mas podem confundir as mentes daqueles não familiarizados com a cultura e religião hindu. Estas premissas são aqui classificadas como conhecimento, Kama, Artha e Dharma. 



Segundo ainda seu autor, na infância o homem deve se preocupar com o conhecimento. Na velhice com o Dharma, ou seja, com o trabalho religioso e a obediência as Sagradas Escrituras Hindus. Mas é com a juventude e meia-idade, ou com Artha – a obtenção de riquezas – e mais especificamente o Kama – a prática e vivência do amor -, que se ocupa seus escritos. A partir desta conjuntura entende-se que apesar da indicação para o estudo do Kama Sutra, o homem que ignora as outras três práticas está fadado ao fracasso.



Longe de ser um manual de posições sexuais, o livro apresenta uma série de indicações sobre como deve ser a conduta das pessoas na vida social com foco no relacionamento. 



É majoritariamente destinado a homens, e dentre suas diversas classificações e recomendações, que oscilam entre o cômico e útil, - supomos para aqueles encerrados naquele período e recorte cultural - fala sobre como deve ser uma casa ideal, de seus cuidados para com seus criados, da boa recepção com os amigos em seu lar e da lida pública com prostitutas. Sobre a relação com homossexuais, quase exclusivamente referenciados para a prática do sexo oral, além de maneiras de criar consolos e receitas para aumentar seu pênis.



Como conquistar sua mulher, trair ou convencer a esposa do outro, incluindo neste conjunto alguns métodos considerados criminosos pelas leis modernas; como a aplicação de drogas na pessoa desejada e estupro da mesma – recomendado apenas em último caso.  



Para as mulheres, destinam-se indicações para serem zelosas por seus maridos e artes, e no caso de não casadas, sobre como serem bem sucedidas no ofício da prostituição.



Mas é por vezes também ingênuo, por listar tipos e dar nomes a abraços, beijos, arranhões e mordidas, supostamente praticados durante o ato sexual como indicativos de determinados sentimentos ou intenções...como se tais coisas fossem possíveis classificar. 



Além de meia dúzia de descrições sobre as posições sexuais, as famosas e extravagantes imagens contidas em livros outros que roubam o nome deste título para vender, e que muitas vezes desafiam até os mais experientes dos yoguins para sua execução, simplesmente não existem aqui. E quando falamos meia dúzia não estamos necessariamente exagerando já que isso é o que menos se vê neste livro.



O Kama Sutra tem uma inegável importância histórica e é sem dúvidas um dos livros mais conhecidos do mundo e só por isso, sua leitura pode vir a ser recomendada. Entretanto, os conceitos sobre conhecimento, Kama, Artha e Dharma continuam atuais, e com as devidas adaptações aos nossos tempos, podem servir como referenciais de base para a conduta de homens e mulheres, de modo a levarem uma vida plena e satisfatória. 



E isto é tudo. Sua fama definitivamente não faz jus a seu conteúdo: está velho e ultrapassado, e por que não dizer; broxante!
Para aprender sobre sexo vale mais ouvir as mentiras que o povo conta sobre esse livro do que lê-lo.

por Allan Trindade

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Pode não parecer, mas a facilidade de comunicação instantânea é um advento bem recente da história da humanidade. Especificamente falando sobre celulares multifuncionais, computadores e internet em quase todos os lugares, toda esta realidade ainda comemora sua primeira década de existência. Para muitos, nascidos e criados com conexão direta ao plano virtual, vislumbrar contextos anteriores talvez seja uma tarefa no mínimo difícil: disquetes, k7s, Lps,...foram divindades menores, que tiveram uma importante participação neste mundo, mas que caíram com a chegada de um novo deus único. Aquele que, sendo onipotente, onipresente e onisciente, depois do tetragrammaton com seu YHVH, do pentagramaton com seu YHSVH, seguiria esta curiosa progressão, sendo então o hexagramaton dos nossos tempos, com seu G O O G L E. 

Antes dele a vida era bem mais difícil, ao menos no campo da pesquisa: era preciso se dedicar de verdade para encontrar informações sobre os temas que lhe interessavam; bibliotecas seriam seu browser, jornaleiros suas lojas virtuais, cartas seu whatsapp, e seus amigos seu site de notícias. Paciência seu loading, papel seu word, lápis seu ctrl+c e caneta seu pdf, porém, considerando no mínimo um dia inteiro para a execução de todas estes "rituais". 



Se para assuntos comuns a tarefa já não era fácil, o que dizer sobre temas de menor apelo  popular, como religião e ocultismo? 



Lembro com certa clareza das minhas idas semanais as bancas de revistas em busca de novidades. Certos assuntos eram recorrentes e já não supriam mais minhas necessidades: sociedades secretas e "TODOS OS SEGREDOS da Maçonaria finalmente revelados"...curioso é pensar que todo este sensacionalismo parece funcionar até os dias de hoje. Frustrante. Porém, um dia tudo mudou, e recebi um convite em minha casa - não de nenhuma Ordem, como eu tinha a ilusão de que um dia aconteceria, mas - para me tornar assinante de uma nova publicação da editora Abril: A Revista das Religiões! Li a sinopse e quase não acreditei: uma revista que abordava especificamente o tema religião de forma imparcial?! Devo até ter me emocionado...porém disso eu não lembro. Assinei! No mês seguinte recebi meu primeiro exemplar.


COLEÇÃO DIVINDADES é um conjunto de quatro livros publicados pela editora Abril, no ano de 2004, com 98 páginas cada, sob o título da Revista das Religiões.



O primeiro título chama-se Divindades Gregas, traz em seu prefácio a notável diferença de percepção existente do nosso ponto de vista para com o dos gregos antigos, quando tratamos seus Deuses como símbolos e sua religião como mitologia. Traz ainda apontamentos sobre os fatores possíveis para o surgimento da religião helênica, ou Helenismo, com seus cultos domésticos, e da mudança radical que marcou  o fim da era olimpiana: o advento do Cristianismo. Em sua lista de Deuses e Semi-Deuses apresentados através de suas histórias e curiosidades, destacam-se: Zeus, Hera, Hades, Posêidon, Afrodite, Dioniso, Atena, Apolo, Hermes, Héracles, Asclépio, Orfeu e Prometeu.





O segundo exemplar, intitulado como Divindades Afro-Brasileiras, aborda os tipos africanos que chegaram ao Brasil e suas misturas. Nos traz boas referências para pesquisa, que se contropõem a ignorância popular de considerar a África como um lugar único, tal qual um país, sem diferenças étnicas, religiosas ou linguísticas, que mais do que nunca, em tempos de orgulho pela ancestralidade preta, deveriam ser tratadas com muito mais rigor que se tem praticado por grupos ou pessoas em específico, que apelam para a demagogia em detimento do critério científico e histórico. Os Deuses comentados são: Exu, Ogum, Oxóssi, Omolu, Nanã, Iemanjá, Xangô, Oxalá, Iansã e Oxum.





O número três, Divindades Indianas, fala sobre o gigantesco número de adeptos da religião Hindu e as razões para, apesar de seus milhões de Deuses, esta religião também ser passível de ser considerada monoteísta. Aborda as origens históricas e sincréticas entre Drávidas e Árias, e os aglomerados de povos de compõem uma das maiores religiões do mundo. Além de curiosidades sobre os vários braços e cabeças das divindades e interessantes correlações com conceitos ocidentais, tais como a Trindade, ou Trimurti, e os novos movimentos vaishnavas. Os Deuses aqui são: Krishna, Vishnu, Shiva, Parvati, Brahma, Agni, Varuna, Indra, Kama, Ganesh e Skanda.




O último e não menos interessante, trata das Divindades Egípcias, e em seu prefácio também nos dá indicativos históricos sobre a formação do povo egípcio, e sua relação milenar com o rio Nilo. O Alto e Baixo Egito, a unificação e a formação da religião khemética, ou Khemetismo, sua adoração ao Sol, seus Deuses com cabeças de animais, o faraó como divindade encarnada, e a sucessão desses como influenciadores e modificadores não só para a religiosidade local, como para a eleição de uma divindade principal de seu panteão. Seus Deuses: Osíris, Ísis, Hórus, Rá, Seth, Amon, Hathor, Áton, Nut, Anúbis.

Como era de se esperar a revista não durou muito. Novamente recebi uma carta sendo informado que a publicação encerrava seu ciclo, e que eu poderia trocar o número de edições restantes da assinatura, por algum outro título da editora. Fiquei triste. Mas tal qual homens, espíritos e Deuses, tudo tem seu fim...mas será que este fim há de ser eterno?


por Allan Trindade





segunda-feira, 16 de março de 2015

Iniciar a leitura de "O Mundo Esotérico de Madame Blavatsky" foi uma experiência curiosa, por ver como alguns me observavam - quando dentro de algum transporte público - com este título na mão. As reações se deram por diferentes tipos de pessoas, que dentre olhares de curiosidade, e alguns pequenos sinais corporais, se destacaram até o ponto de uma abordagem direta. 

A primeira delas foi um homem, que já há algumas estações do metrô me olhava impaciente, como que na intenção de me falar algo ou puxar algum assunto. Não deu tempo, mas ao passar por ele para sair do vagão, subitamente pegou no meu braço e disse: "Blavatsky?! Muito bom!", com um sorriso meio desconcertado, ao que respondi também sorrindo de forma simpática, mas já de saída. 


O outro, num outro dia, entrou no vagão distribuindo algum tipo de livreto. Ao chegar a minha frente, olhou para a capa do livro e disse: "- Ah Blavatsky? Estou estudando sobre ela na faculdade!"...trocamos algumas frases até que ele me entregou o tal livreto, que era na verdade um pequeno fanzine de poesia, que vendia ao preço que quem quisesse pagar, mas que curiosamente tinha um “Sigilo Mágico” na capa. E por isso perguntei: 

"Você estuda magia ou esoterismo?" 
"Não, não...só faço poesia mesmo..." 
"Então quem fez este Sigilo pra você?" 
"Sigilo? (perguntou sem entender) Este desenho? Eu mesmo que fiz, na verdade juntei vários símbolos e transformei eles num só, tem um significado, mas é meio longo para explicar..." 
Eu, após dar um sorriso de satisfação por saber como curiosamente as coisas muitas vezes acontecem, disse: "Não precisa explicar, perguntei só por curiosidade mesmo...boa sorte!" 

Já o terceiro, estava do outro lado da estação, era um senhor, que lia uma edição do Kabbalah Revelada de Knorr von Rosenroth publicado pela Madras Editora. Se achegou para comentar sobre Blavatsky, se apresentar como Maçom, e dizer que achava muito importante que mais pessoas - e principalmente os jovens - tivessem interesse pelos escritos dela.


Mas, apesar das manifestações dos citados, o livro não é um livro de Helena Petrovna Blavatsky e sim sobre ela, esta figura que tanto povoou a fala e os ouvidos de tanta gente ao redor do mundo no século XIX - e me parece que até o século XXI...

A edição é uma coletânea de relatos reunidos por Daniel Caldwell e traz em seu conteúdo os argumentos contra, mas principalmente, a favor da defesa de Blavatsky como uma legítima Iniciada e detentora de certos dons especiais. Com um desenvolvimento um pouco maçante e repetitivo, o livro traz de maneira mais ou menos cronológica, através de diferentes relatos de diferentes pessoas, que, de uma maneira ou outra, tiveram a oportunidade de viver ou se relacionar com a madame - incluindo-se nestas, figuras de destaque da Sociedade Teosófica, tais como Coronel Olcott, Annie Besant e Leadbeater - a biografia de uma das mulheres que é uma das figuras mais significativas para o esoterismo ocidental.

Com 352 páginas, o livro pode ser um banho de água fria (do Ganges) sobre a fronte daqueles que se prendem demais aos aspectos humanos – e quem sabe mundanos – dos que por vezes são aclamados como mestres por aqueles de alma menos investigativa. Porém, a exemplo destes últimos, o livro é também um convite e nos instiga a querer entender como uma figura tão controversa, tão envolta em escândalos de supostas falcatruas e charlatanismo, possa ter sido mestra e criadora de uma Sociedade que influenciou e influencia, através de seus ensinamentos orientais, mentes das mais simples as mais sagazes, até os dias de hoje... 

por Allan Trindade


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