Mostrando postagens com marcador egito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador egito. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de agosto de 2021

Embora alguns fundamentalistas torçam o nariz para a associação da palavra Cabala a expressão 'hermética', fato é que esta junção vem sendo praticada há centenas de anos, pelas mais diversas escolas e indivíduos ocultistas, evidenciando assim uma fusão histórica e sincretismo do esoterismo judaico àquele de origem ocidental em suas várias nuances. 

Se para alguns tal mescla representa uma 'corrupção e apropriação dos saberes de um povo', para outros tal fenômeno apresenta-se como uma consequência inevitável do tempo, contato e evolução do conhecimento.

E esta parece ser a linha de pensamento pela qual se baseia Marcelo Del Debbio, que apresenta nesta obra uma evolução progressiva daquilo que é Cabala em seu sentido mais puro e judaico, até sua partícula independente conhecida como Kabbalah Hermética. 

KABBALAH HERMÉTICA é um livro escrito por Marcelo Del Debbio, contém 672 páginas divididas em 10 capítulos e foi publicado no ano de 2016 pela Daemon editora.

Segundo o autor, tudo teria começado no Egito, terra de grandes conhecimentos e sabedorias antigas, que recebia entre suas dunas, pirâmides e oásis a visita de representantes dos mais diversos povos e etnias afim de não apenas aprender, mas intercambiar conhecimento. 

A grande influência do povo de Kemet sobre os demais povos se daria por sua grande preocupação com os aspectos mágicos da vida e da morte, que os tornaram grandes sábios não apenas das ciências físicas, mas igualmente daquelas de caráter espiritual. Gregos, judeus, romanos e até mesmo nigerianos teriam recebido e trocado tais saberes com eles e entre si, cada qual adaptando o desenvolvimento de suas conclusões as suas próprias culturas e simbolismos, fazendo com que, mesmo separados por fronteiras, tempo e línguas, pudessem compreender uns aos outros por arquétipos e conclusões comuns.

A Cabala judaica, referida também como merkabah ou bereshit, representaria então esta herança herdada desde aqueles tempos, atribuída pelos judeus ao próprio Moises, que das terras do faraó teria recebido e compartilhado com seu povo tal conhecimento. 

Os anos passariam e diversas seriam as Escolas de pensamento que dentro da cultura judaica transformariam os conceitos herdados por judeus de gerações e nações posteriores.  Da Espanha a Alemanha, a Europa veria o nascimento de livros conhecidos como Bahir, Zohar, dentre outros além de uma série de cabalistas que por suas ideias diferenciadas, marcariam seus nomes na história.

Com a perseguição perpetrada pelos cristãos contra o povo judaico, a expulsão de suas terras ou ainda a prática de conversões forçadas a Igreja de Roma, o ocidente testemunharia uma progressiva abertura destes conhecimentos cabalísticos, antes restritos aqueles que professavam a fé judaica, que pouco a pouco se mesclariam e sincretizariam a fé cristã, sem entretanto, perderem suas raízes originais. Assim, mesmo que da porta para fora a Cabala ganhasse novos ares, dentro das sinagogas ela ainda manteria suas características próprias. 

Tal abertura faria com que indivíduos de filosofias e religiosidades distintas pudessem perceber novamente aquilo que seus ancestrais faziam e praticavam: a troca de conhecimento. Assim, helenistas, cristãos, judeus, alquimistas, e os mais recentes, rosacrucianistas, veriam nestes conhecimentos comparados a similaridade, até então oculta, existente entre suas diversas concepções de vida e espiritualidade.

O Renascimento sustentaria com força este olhar direcionado para o passado, cativando a mais nova certeza de muitos naquele momento: há mais riqueza em juntar que separar.

A repetição das antigas práticas de intercâmbio cultural e espiritual faria surgir grandes personalidades deste contexto histórico, referidas até os dias de hoje, e que além de outros sistemas e religiões, passariam a citar, direta ou indiretamente, a Cabala em seus escritos. Aquilo que viria a ser conhecido genericamente como Kabbalah Hermética teria como base esoteristas independentes, ou de religiões diversas, tais como: Roger Bacon, Robert Fludd, Agrippa, Paracelso, Eliphas Levi, Isaac Newton, Guaita, Papus, Samuel Mathers, Aleister Crowley, Dion Fortune, dentre outros.

Assim, a Kabbalah Hermética mantém o nome original de sua fonte, a Cabala (judaica), porém  a diferencia de si própria, pois em seu aspecto hermético, mescla uma série de outros sistemas e formas de pensamento, representando assim um agregado sistemático do esoterismo ocidental em suas mais diversas formas.

Neste livro, Del Debbio nos abrilhanta com uma infinidade de associações tendo como base a Árvore da Vida, suas sephiroth e caminhos, correlacionando cada uma destas partes a centenas de imagens, deuses, oráculos, religiões, histórias e tudo mais que for possível para que se entenda esta curiosa conexão entre as coisas.

O livro tem uma estética enciclopédica, o que significa que além de poder ser estudado, ele também pode ser usado como uma espécie de fonte de consultas rápida para tirar dúvidas de correspondências, sincretismos e associações que se queira. Assim, além de informativo, é essencialmente prático, oferecendo texto e imagem em seu conteúdo do começo ao fim.

Mas é fato, destina-se aqueles de mente aberta, que mantém em suas ideias aquele antigo ensinamento semita que nos diz: "Deus nos fez com uma boca e dois ouvidos para que possamos falar menos, escutar e aprender mais."

por Allan Trindade


Gostou? Para adquirir KABBALAH HERMÉTICA, acesse:
https://daemoneditora.com.br/produto/kabbalah-hermetica/



 

domingo, 16 de maio de 2021

Louvado sejas Tu, Ó! Osíris, senhor da eternidade, Un-nefer,
Hoorkhuit cujas formas são múltiplas e cujos atributos são excelentes, que é Ptah-Seker-Tem em Yunnu, o senhor do lugar escondido, e o criador de Het-ka-Ptah e dos deuses daquele lugar, o guia do outro mundo, que os deuses glorificam quando tu estás em Nut. Ísis abraça a ti em paz, e ela guiou para longe dos teus caminhos os demônios de tua boca. Tu voltaste tua face para Amentet, e tu fazes a terra brilhar como cobre refinado. Os mortos se levantam para te ver, eles respiram o ar e procuram a tua face quando o disco se levanta no horizonte; seus corações estão em paz pois eles contemplam a ti, Ó! Tu que és eternidade e imortalidade. 

AS IDÉIAS DOS EGÍPCIOS SOBRE A VIDA FUTURA é um livro escrito por E.A Wallis Budge, contém 121 páginas divididas em 5 capítulos e foi publicado no ano de 2004 pela Madras Editora.

Budge é sem dúvidas uma das figuras mais fundamentais para a egiptologia. Seus livros tiveram uma inegável importância para muito daqueles trabalhos de pesquisa que se desenvolveriam com o passar dos anos dentro deste ramo científico e costumam representar a porta de entrada para aqueles que decidem se enveredar por estes estudos. Embora deva-se sempre ter em mente que a egiptologia é uma ciência viva, que está em constante processo de evolução, vide as constantes descobertas de tumbas e elementos outros, ninguém que tenha real interesse em saber sobre os mistérios da terra de Kemet pode dispensar os escritos de consagrado autor.

Wallis esclarece que as páginas contidas neste livro objetivam apresentar as ideias dos egípcios antigos sobre ressurreição e vida após a morte, embora saiba que em milhares de anos de existência daquele povo, crenças e hábitos mudaram, além de nunca ter havido realmente um único conceito exposto e aceito de forma dogmática por toda a gente ou sacerdotes. Muito de seu embasamento entretanto advém dos comparativos existentes entre diversos tipos de fontes primárias, sendo a principal delas o livro conhecido popularmente como Livro Egípcio dos Mortos, que embora obscuro sob muitos aspectos, deixa clara a crença na existência de vida além da vida material.

Aqui o autor nos apresenta uma série de textos oriundos de diversas fontes originais que atestam o fato da crença em um ser único e superior, referido como Netjer, que tem a capacidade de manifestar-se de diversas formas a partir de Si próprio. Tais manifestações que podem ser entendidas como deuses em certo sentido, são conhecidas como Netjeru - plural de Netjer. Segundo Budge, apesar do comentário de alguns detratores da religiosidade egípcia, que costumavam considerá-los um povo supersticioso e sem fundamento, muito destes ataques residiam sobre o fato da não compreensão da maleabilidade do pensamento religioso daquele povo. Netjer, ou Deus, é um e ao mesmo tempo vários, pois expande sua própria forma e manifestação, multiplicando-se em sua própria criação. Tal como o Sol que expande sua própria luz a todos os cantos, assim o é Rá, a primeira manifestação conhecida do Criador. 

Para além disso, um outro elemento de igual importância dentro de sua religiosidade relacionava-se ao culto a ancestralidade representada por Osíris, o deus do submundo. Sendo Osíris o deus que superou a própria morte, tinham os egípcios antigos em sua figura a esperança do prolongamento da própria vida, a ser continuada no Duat, com a chance de viverem a imortalidade junto a este deus de benevolência no Campo dos Juncos - espécie de paraíso egípcio. O hábito de cuidarem e eventualmente mumificarem seus mortos residiria então sob o conceito de que, tal como Osíris, que tem seu corpo preservado graças aos encantamentos de Ísis e Thoth, caso reproduzissem no falecido feitiços específicos, garantiriam que o morto se encontrasse com tal deus no além, tendo sua alma devidamente preservada, para quem sabe, voltar ou ressuscitar um dia. 

Budge traça com estes elementos uma série de associações com a moderna crença cristã, que não por acaso, teria herdado muito dos conceitos egípcios, adaptando-os ao seu novo deus conhecido como Jesus. O sincretismo teria então o efeito de modificar a crença dos egípcios, fazendo-os substituir um dos mais populares deuses de seu panteão, por aquele deus judaico-romano. Um outro fator possivelmente colaborativo para tal mudança pode ter sido aquele da não existência da necessidade da mumificação dentro da crença cristã, visto ser essa prática inacessível para a maioria dos egípcios que não poderiam pagar por tais serviços.

O autor salienta que a crença egípcia, por sua grande maleabilidade, tampouco preocupava-se em qualquer tipo de dogmatismo ou obrigatoriedade. Uma pessoa, ou cidade, podia trocar de divindade livremente, e o faziam costumeiramente quando aquele deus não lhes atendia em suas expectativas. 

A continuidade, Wallis apresenta o Julgamento de Osíris, onde os mortos eram avaliados e podiam garantir - ou não - sua entrada no paraíso. Sobre a crença na ressurreição, pregada inclusive por cristãos até os dias de hoje, afirma não possuir elementos necessários para definir com exatidão se era vista de tal forma. A dúvida reside se criam na ressurreição literal dos corpos, e por isso o preservavam através da mumificação para evitar o apodrecimento e assim tê-los de forma "aceitável", ou se na verdade a crença residia sobre a ideia de que para a preservação do ka - espécie de alma -havia a necessidade de se preservar o corpo físico, para que assim o ka continuasse existindo no pós vida e pudesse voltar para eventualmente se comunicar com os vivos.

Especulações diversas, conceitos filosóficos e científicos, pluralidade de pensamento, riqueza material e espiritual, muita coisa a se descobrir. É esta a sensação que livros como estes nos passam sobre aquele povo tão maravilhoso e misterioso. Estudar egiptologia pode ser encantador, mas pode lhe causar efeitos colaterais irreversíveis: o desejo de querer sempre saber mais!

por Allan Trindade


Gostou? Quer comprar AS IDEIAS DOS EGÍPCIOS SOBRE A VIDA FUTURA em um local seguro, com um preço mais em conta e ainda patrocinar o blog sem isso lhe custar nem um centavinho a mais? É só clicar no link abaixo:  





sábado, 20 de fevereiro de 2021

Entenda: nenhuma religião estruturada com rituais, dogmas, deuses, entidades ou santos, surge do nada. Todas as religiões são consequência de uma ou mais fontes que influenciam aquela nova percepção sobre a vida material e espiritual. E com o Cristianismo não é diferente.

Se você já viu a Bíblia ao menos uma vez na vida sabe que o Antigo Testamento é um livro judaico, e que é, portanto, oriundo do Judaísmo, tendo sido o próprio Jesus um judeu. Isso já seria suficiente para dizer que o Cristianismo não é uma religião totalmente original assim, correto? Mas se baseado nisso você acha que o Judaísmo é a única religião que ajudou a formar o Cristianismo tal como o conhecemos hoje, este livro vem para lhe mostrar que você está redondamente enganado.

A ORIGEM EGÍPCIA DO CRISTIANISMO é um livro escrito por Lisa Ann Bargeman contém 158 páginas divididas em 24 capítulos e foi publicado no ano de 2012 pela editora Pensamento.

Se você é o tipo de pessoa que adora estudar história ou religião e realmente se dedica a esses assuntos, cedo ou tarde notará algo interessante: você sempre será levado para o Antigo Egito. E isso não se dá por nenhum tipo de conspiração Illuminati ou por chips implantados em nossas cabeças pelos aliens, mas por um fator histórico incontestável: o Egito foi uma das mais poderosas e importantes nações do mundo antigo, perdurando por mais de 4.000 anos como uma terra próspera que exportava conhecimento científico e religioso para grande parte do mundo. 

Localizado em uma área privilegiada do norte da África, esta terra de grandes faraós sempre atraiu o fascínio dos mais diferentes povos, e sua abundância, em todos os sentidos, fez escola entre cientistas, magistas e religiosos de todos os tempos. 

Para entender a lógica do argumento de Lisa Bargeman neste livro é antes de mais nada necessário entender o contexto e manter a cronologia em mente. Sendo assim, lembre-se que o Cristianismo, se calculado a partir do suposto nascimento de Jesus, possui pouco mais de 2.000 anos. Judeus, gregos, romanos, egípcios e uma série de outros povos viviam em constante contato muito antes deste tempo, chamado de "antes de cristo", tendo sido o Egito em seu período faraônico uma das maiores potências daquele período. 

Era coisa comum que nações menores, como da Grécia por exemplo, enviassem cidadãos gregos até aquelas terras para aprender ciência, magia e aquilo que chamamos de religião, mas que também poderia ser entendida por mitologia ou mesmo filosofia. Sem haver uma distinção clara entre tais conhecimentos naqueles tempos, também era relativamente comum que tais saberes fossem absorvidos e adaptados as novas culturas, ganhando roupagens novas de acordo com o local para onde se ia e levava tais conhecimentos. Por isso, Het-Heru poderia ser chamada de Hathor e ser sincretizada com Vênus ou mesmo Afrodite, sem que isso ofendesse a quem quer que seja. 

E por que isso funcionava? Pois em se tratando de politeísmo, o fenômeno da crença se manifesta naturalmente de forma inclusiva e não exclusiva. Se Deus é um, mas se manifesta através de diversas formas – e esta é a maneira a qual a visão religiosa egípcia interpretava tal conceito -, a forma que o outro cultua a Deus, chamando-o por outros nomes, ou considerando outras formas de Sua manifestação, não pode mesmo ser ofensiva, visto que todas são partes d’Ele mesmo.
 
Mas o que acontece quando alguém diz que só há uma forma de enxergar e cultuar a Deus?

No começo deste texto falamos sobre nenhuma religião ser totalmente original, absorvendo elementos ritualísticos e ideológicos de religiões contemporâneas ou predecessoras. Sendo o Cristianismo, herdeiro do conceito monoteísta de visão espiritual oriunda do Judaísmo, não poderia jamais admitir que sua religiosidade também fora fruto da inegável influência egípcia que possui, sendo a religião egípcia considerada pagã e, portanto, incorreta e até demoníaca para alguns. Logo, se para os politeístas antigos admitir que sua religião absorveu elementos de outras religiões politeístas era algo natural, para monoteístas como os cristãos, esse tipo de admissão pode ser uma ofensa para seu próprio conjunto de crenças, que é sempre pregado como original, oriundo e ou inspirado por seu próprio Deus único, e de nenhum outro. Mas os elementos históricos são muito mais certeiros que as crendices alheias e são incisivos para provar a realidade: o Cristianismo é inegavelmente uma religião construída a partir de uma grandessíssima influência pagã, e segundo a autora, indiscutivelmente egípcia!

Maria seria nada menos que uma versão cristã de Ísis, que também gerou seu filho, Hórus, de maneira independente. Osíris também fora assassinado e traído num banquete, ressuscitou, e se tornou o salvador e pastor que conduzia seu rebanho de seguidores no pós vida, tal como se diz sobre Jesus. A morte, segundo os papiros egípcios, é seguida por um Julgamento onde o indivíduo deve declarar-se inocente frente as possíveis acusações de ter roubado, matado, etc. sob risco de ser condenado, tal como na perspectiva cristã de julgamento. Múmias eram produzidas baseadas na crença da ressurreição da carne tal como dito na Bíblia. As imagens dos deuses egípcios ficavam guardadas das vistas do público dentro dos templos, saindo apenas em datas especiais quando eram carregadas e acompanhadas por uma caravana de seguidores que ali faziam suas promessas e orações e aguardavam por bênçãos, tal como católicos fazem hoje em dia em suas procissões. O faraó era um líder de Estado mas também o sumo sacerdote, tal como o Papa nos dias de hoje. 

Todos estes elementos e muitos outros são apontados durante toda esta obra que, embora curta e pouco aprofundada, é rica em conteúdo comparativo para que todos aqueles que tem o interesse pela pesquisa e que assim o façam, se sintam inegavelmente compelidos a admitir aquilo que muitos adoram negar: que não há religião superior a verdade.

por Allan Trindade

Gostou? Quer comprar A ORIGEM EGÍPCIA DO CRISTIANISMO em um local seguro, com um preço mais em conta e ainda patrocinar o blog sem isso lhe custar nem um centavinho a mais? É só clicar no link abaixo:  





sábado, 8 de agosto de 2020

O começo de século XX viu surgir um curioso título que prometia trazer um resumo das ideias basilares, supostamente constituintes da sabedoria espiritual e teoria mental do antigo Egito e da Grécia. Assinado por Três Iniciados da tradição esotérica ocidental, seria este o livro que a partir de então influenciaria uma série de argumentos e pensamentos espiritualistas, mágicos e esotéricos, dando margem inclusive para os recém auto anunciados, e bem mais modernos, lunáticos quânticos e suas teorias espúrias.

Sendo assim, e para que não haja confusão: não, o Caibalion não fala sobre física quântica ou mesmo sobre o que alguns dizem (ou pensem) que tal ciência é. O Caibalion é acima de tudo um livro que surge como um amalgamador dos fundamentos do pensamento esotérico ocidental que tem por base a seguinte ideia: O Todo é mente. O Todo é a Realidade substancial oculta em toda manifestação do Universo. Tudo que é existe é uma manifestação do Todo. O Todo existe em tudo e tudo existe no Todo.

O CAIBALION é um livro escrito por Três Iniciados com 126 páginas divididas em 15 capítulos e foi publicado no ano de 2008 pela editora Pensamento.

Tal conceito, se posto de forma solta e abstrata pode ser usado como elemento para uma série de teorias alucinadas que em muitos casos nada tem a ver com os elementos filosóficos ou espiritualistas que estão por trás deste parecer. Ao afirmar que o Todo é mental, os Três Iniciados nos apresentam uma ideia simples, porém, complexa, que pressupõe a existência de um criador que através de sua própria imaginação, por assim dizer, criou todo o universo em que vivemos. Sendo assim, tal como nós fazemos num sonho, ele participa como substanciador da própria "criação onírica", está na criação, sem entretanto ser a própria criação, pois é aquilo que está além. 

 Pense em si como um exemplo, caro leitor. Sua mente cria seu sonho, você participa, mas você não é seu sonho, certo? A mente é então o grande agente da criação do sonho. E se nós, seres humanos, somos capazes de imaginar e usar a mente para criar, logo, possuímos em nós um diminuto, porém, não desprezível, exemplo de como tudo possa ter se dado neste universo.

Somos um exemplo limitado do Ilimitado. E isto porque, diferentemente do Todo, que é aquele cria, para criar precisamos desprender partes de nós, tal como na reprodução biológica comparável a de outros animais, onde sêmen e óvulo se juntam para formar um descendente. E por isso não podemos ser comparados ao Todo a ponto de dizermos que somos iguais a. Porém, e também, nos distanciamos dos animais quando através de nossa mente somos capazes de imaginar e criar sem diminuição de nossa própria substância existencial, embora para que tais criações mentais se materializem no plano terreno, precisemos sempre de materiais para produzi-los. Por exemplo, você pode imaginar a sua futura casa, mas para criá-la, precisará de materiais e uma série de outros elementos para torná-la física. O Todo não despende substância de si pois isso implicaria diminuição de si mesmo, o que não pode ser. O Todo não necessita de ferramentas para criar, pois cria através de sua mente. O Todo é mente.

Sendo assim, embora tenhamos características que possam nos dar um sempre ignorante vislumbre sobre nossa própria natureza, o que nos capacita a controlar determinados aspectos de nossa vida agindo para além de nossos próprios instintos, não somos capazes de romper com determinadas leis universais que nos afetam a todos, e portanto, precisamos aprender quais elas são, visto que sim, apesar do pressuposto poder mental, elas existem. Assim, o Caibalion nos apresenta uma teoria sobre a qual toda a manifestação desta existência estaria sujeita: as sete leis herméticas.

  • I - O Princípio do Mentalismo: o Todo é mente e se manifesta através dela.
  • II - O Princípio da Correspondência: todas as coisas possuem conexões.
  • III - O Princípio da Vibração: nada está parado, a variante reside na intensidade do movimento.
  • IV - O Princípio da Polaridade: tudo possui dois lados.
  • V - O Princípio do Ritmo: tal como um pêndulo, tudo oscila.
  • VI - O Princípio da Causa e Efeito: tudo é consequência de algo.
  • VII - O Princípio do Gênero: tudo possui dois gêneros, a variante reside no grau. 


Assim, conclui-se que para um adepto conseguir alcançar certo controle sobre sua própria existência, faz-se necessário desenvolver a própria mente de modo que ela seja um agente de sua própria realidade, sem com isso iludir-se com a ideia de que seja ele próprio o Todo em si. O adepto hermético seria então aquele que tendo alcançado a plenitude do conhecimento e aplicação de tais leis, seria capaz de utilizar-se de seu conhecimento para em cada um destes sete princípios aplicá-los sob vontade, tornando-se causa e não mais efeito ou mesmo neutralizando conscientemente os efeitos de determinadas causas, ao invés de simplesmente sofre-las.

O Caibalion é um clássico moderno do esoterismo ocidental. Conhecê-lo e tê-lo em sua biblioteca é uma obrigação para todo ocultista sério, não apenas para seu próprio enriquecimento intelectual, como também para se prevenir da influência de muitos destes aluados que andam ganhando fôlego por aí.

por Allan Trindade


Gostou? Quer comprar O CAIBALION em um local seguro, com um preço mais em conta e ainda patrocinar o blog sem isso lhe custar nem um centavinho a mais? É só clicar no link abaixo:
https://amzn.to/33H3m3A






sábado, 25 de abril de 2020

Se você alguma vez já se deparou com algum texto relacionado a Thelema, você também provavelmente já encontrou por aí alguns livros desta religião escritos por Aleister Crowley. E se procurou um pouco mais, deve ter percebido também que há anos estes livros encontram-se disponíveis gratuitamente na internet, tanto em sua versão original em inglês, quanto em traduções brasileiras. Mas eis que de uns anos pra cá, começaram a surgir diferentes edições impressas destes mesmos livros a venda por diversas editoras. Uma questão então deve surgir a mente de muitos neste momento: por que pagar por um livro que reúna livros que já tenho ou posso ter de graça? Para responder a esta pergunta é preciso entender um pouco do contexto nacional de Thelema.

OS LIVROS SAGRADOS DE THELEMA é um livro escrito por Aleister Crowley, com 256 páginas, divididas em 17 capítulos e foi publicado no ano de 2018 pela Madras editora.

Foi no início do século XX quando Crowley começou a receber os primeiros livros daquela religião, que doravante seria conhecida como Thelema, através de um mensageiro dos deuses que o elegeram o profeta desta nova doutrina. Embora tenha resistido a ideia e até mesmo rejeitado por um momento o mais importante destes recebimentos, o Livro da Lei, o passar dos anos o convenceram de que esta era inegavelmente sua função, e assim, dedicou toda sua vida e fortuna para esta grande obra. Os 14 livros sagrados então se desdobrariam em outras dezenas, que tratariam de rituais, teorias, organização da Ordem que fundara, e tudo o mais relacionado aquele contexto. Em 1° de dezembro de 1947, Crowley partiu para ter sua Grande Festa.

A partir daquela data a propriedade intelectual da Besta - como o mesmo também se autodenominava - passaria então para uma organização que fora inteiramente reformulada por ele, a Ordo Templi Orientis, ou simplesmente OTO. Para os falantes de língua inglesa, e neste contexto, a questão dos direitos autorais tem menor importância se levarmos em consideração que a única coisa que terão de diferente entre uma edição e outra será a capa e, quem sabe, algumas notas de rodapé. Porém esta questão torna-se de suma importância quando tratamos de traduções.

Para todos os países signatários da Convenção de Berna, há de se esperar 70 anos a partir da morte do autor de uma obra para que a mesma caia em domínio público. Se até 2017 qualquer tradução brasileira necessitava da autorização da Ordem citada, a partir de 2018 todos poderiam então trabalhar nestas publicações de modo a traduzi-las conforme seus próprios entendimentos e gostos. E foi assim que vimos o lançamento quase simultâneo de algumas obras onde o interesse do público passava a ser não apenas o texto em si e seu "autor", mas quem o publicava e principalmente, quem o traduzira.

Vitor Cei é o presente tradutor desta publicação que reúne os 14 libri sagrados de Thelema. Em seu prefácio nos apresenta uma pequena biografia sobre a vida de Aleister Crowley, sua relação com Thelema e a visão de mundo presente nesta doutrina, além dos desafios de ter abraçado esta tarefa de tradução. Cei introduz cada uma das obras com um pequeno resumo de seu conteúdo e data de recebimento pelo profeta. Inicia todo o conjunto a partir do Liber LXI Vel Causae, um livro de Classe D, usado para fundamentar a origem da Ordem da A.' .A.'., para em seguida nos apresentar enfim os textos de Classe A. E são eles:

  • Liber B vel Magi sub figura I
  • Liber Liberi vel Lapidis Lazuli, Adumbratio Kaballae Aegyptiorum sub figura VII
  • Liber Porta Lucis sub figura X
  • Liber Trigrammaton sub figura XXVII
  • Liber Cordis Cincti Serpente sub figura LXV
  • Liber Estellae Rubeaesub figura LXVI
  • Liber Tzaddi vel Hamus Hermeticus sub figura XC
  • Liber Cheth vel Vallum Abiegni sub figura CLVI
  • Liber AL vel Legis sub figura CCXX 
  • Liber AL  sub figura XXXI
  • Liber Arcanorum sub figura CCXXXI
  • Liber A'Ash vel Capricorni sub figura CCCLXX
  • Liber Tau vel Kaballae sub figura CD
  • Liber vel Ararita sub figura DLXX


Finalizando então esta edição com uma tradução do Liber LXXVII, ou Liber Oz, um livro não classificado, lançado como um manifesto para a garantia da liberdade e Direitos Humanos na presente era de Heru-Paar-Kraat.

Victor Cei executou um trabalho excepcional nesta obra, não apenas pelo respeito e proximidade com o texto fonte, mas também pela escolha minuciosa das palavras de modo que sua tradução pode soar quase tão poética e sensível quanto os originais. O trabalho é ainda enriquecido por seus comentários, que sem dúvidas tornam esta edição uma das mais primorosas desta nova leva de traduções destes textos sagrados. Se sucesso é tua prova, caro escriba, ele sem dúvidas também se confirma aqui.

por Allan Trindade

Gostou? Quer comprar OS LIVROS SAGRADOS DE THELEMA em um local seguro, com um preço mais em conta e ainda patrocinar o blog sem isso lhe custar nem um centavinho a mais? É só clicar no link abaixo:

https://amzn.to/3eQ0R1L





segunda-feira, 19 de novembro de 2018

E disse o servo ao faraó:

- Eles se recusam a lhes prestar as devidas honrarias, senhor!
- Não se preocupe com eles, são loucos que cultuam um deus que não podem ver.


COSMOLOGIA EGÍPCIA é um livro escrito por Moustafa Gadalla, com 173 páginas, divididas em 30 capítulos e publicado no ano de 2003 pela Madras editora.

O povo mais supersticioso da história. Assim costumam definir alguns quando pretendem falar sobre o Egito antigo. Uma adjetivação no mínimo infeliz, diga-se de passagem. Infeliz pois ignora a forma como aqueles homens e mulheres do passado enxergavam a vida e o universo a sua volta: sempre como manifestações do divino. O sol que queimava era também aquele que trazia a luz e rompia o medo das trevas. O rio que inundava era também aquele que tornava o solo fértil e garantia a boa colheita. O escaravelho  que com dificuldade rolava seus dejetos pelas areias escaldantes do deserto, fazia deles nascer sua prole e provava que até mesmo da matéria mais rejeitada era possível surgir vida.  O faraó embora humano era ao mesmo tempo um deus. Cada elemento. Cada detalhe. Cada aspecto da vida - e da morte - encontrava sua correspondência com o aqui e o porvir, com o material e o espiritual. Não há nada de supersticioso nisso. Há de pragmático. Para o egípcio antigo o divino se apresenta na prática, e não na especulação daquilo que pode ser. E segundo Moustafa Gadalla, entender isso é o mínimo necessário para aqueles que se pretendam aventurar pela cosmologia egípcia.

Segundo o autor, Heródoto classificou os egípcios como os mais saudáveis, alegres e religiosos do mundo. E isso porque justamente encontravam na vida sempre uma forma de estar em contato com o divino, que era entendido como único, embora seus atributos fossem classificados sob outros nomes e formas, denominados erroneamente de deuses, mas melhor definidos como neteru. A não compreensão disto teria feito com que Akhenaton tentasse eliminar as diversas formas com o que o Divino era então representado.

Levando em consideração a correlação que aqueles povos estabeleciam com o espiritual e o material, os mitos tinham não apenas uma intenção moral, de instruir ideologicamente o povo, mas também científica, já que através dos símbolos era possível entender como o mundo se formara e a própria civilização humana. Segundo Gadalla, foi a ignorância de povos como dos judeus, cristãos e muçulmanos que os levaram a desconsiderar tais conhecimentos e tratá-los sob viés de literalidade, visto que estes tipos abraâmicos absorveram parte da cultura e conhecimento egípcio, porém, mal. Entretanto, Pitágoras teria sido um resultado positivo deste contato.

E por falar neste filósofo, tão celebrado por seus cálculos, números compõem uma grande parte desta publicação. Os mitos da criação apresentados aqui como Nun, sendo o caos primordial: Maat, a ordem; Amen, a força oculta. Estes então dão origem a Atum e toda variedade de aspectos do Divino que se unem não apenas nas histórias, mas também através das somas matemáticas e suas atribuições místicas, a exemplo de Ausar, representado pelo número 3 que se une a Auset, representada pelo número 2, que dão origem ao 5, Heru. Tal como a citação de Plutarco em sua Moralia, vol. V.:

Três (Osíris) é o primeiro número ímpar perfeito; quatro é um quadrado, cujo lado é o número par dois (Ísis), porém, de certa forma, o cinco (Hórus) é como seu pai e de outra forma, sua mãe, pois é feito de dois e três. E panta (tudo) é derivado de pente (cinco) e falam em contar numerando de cinco em cinco.

pg. 49


Há uma insistência  na descrição do autor em dizer que os Baladi são herdeiros daqueles egípcios da antiguidade, e que muitas das ideias entendidas por ele, são verificáveis neste povo que ainda carrega muito daquela antiga tradição. O mesmo pode-se dizer do conceito animista por trás de toda esta conjuntura, que estabelece que a matéria, conforme comumente a concebemos, assim o é apenas por uma convenção ideológica visto que tudo no universo é energia. Sendo assim, o que diferencia o físico do espírito é apenas a velocidade com que as moléculas vibram; quanto mais lenta, mais material, quanto mais rápida, mais espiritual.

Os antigos egípcios e os Baladi não faziam/fazem distinção entre um ser em estado metafísico e um ser com corpo material. Esta diferença é uma ilusão mental, pois existimos em diversos níveis simultaneamente, do mais físico ao mais metafísico. Einstein concordava com esses mesmos princípios...claramente mostrada na Estela de Shabaka (século VIII a.e.c)

Então os neteru (deuses) entraram em seus corpos, através de todos os tipos de madeira, mineral, argila, todas as coisas que crescem nele (terra).
pg. 60

E se os aspectos individuais dos seres eram importantes, a forma como estes seres se relacionavam também o era, por isso a organização social era tão fortemente pensada, a ascendência matriarcal tendo mais importância que a patriarcal, as profissões - geralmente passadas de pai para filho -, o faraó com sua função sacerdotal de garantir boas colheitas iniciando o plantio e praticando os rituais diários de conexão com os deuses, sendo ele próprio considerado uma divindade em si, e o templo, entendido não como um local de adoração pública, mas uma morada terrena de emanação de poder do deus para o povo. O livro se encerra tratando das mudanças de eras zodiacais, a função do homem nesta existência e sobre as mudanças futuras a qual todo universo está submetido.

Esta é uma publicação leve e fluida. Mais preocupada com a ideia geral da cosmovisão egípcia do que se aprofundar em todos os detalhes. O autor faz uma série de críticas sutis e - por vezes - nas entrelinhas, ao dizer que muitos dos pensamentos que temos hoje e consideramos serem gregos, são na verdade egípcios. É uma fonte introdutória para um assunto que, sem dúvidas, exigiria que morrêssemos, voltássemos no tempo e ressuscitássemos para tentar entendê-lo em sua totalidade.

por Allan Trindade


Gostou? Quer comprar COSMOLOGIA EGÍPCIA em um local seguro, com um preço mais em conta e ainda patrocinar o blog sem isso lhe custar nem um centavinho a mais? É só clicar no link abaixo:
https://amzn.to/2zcEdgY




segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Uma vez a cada semana a cena se repetia: com certa dificuldade, me espremia e esquivava das pessoas dentro do metrô lotado, lutando para conseguir sair intacto com minhas telas e molduras, evitando os olhares contrariados dos egoístas que por certo achavam um absurdo eu estar ali com qualquer coisa que não fosse uma mochila ou bolsa pequena e, de preferência, amassável. Na verdade, penso que a maioria das pessoas desejavam que ninguém mais estivesse ali, fosse na situação que fosse. 

Para mim era um prazer poder estudar no Centro de Artes Calouste Gulbenkian e, apesar da rotina no caminho, sempre fiz questão de olhar as coisas ao meu redor como se fosse a primeira vez. Os camelôs com suas barraquinhas de doces, o jornaleiro, o prédio em construção, a Sapucaí - tão aparentemente menor quando está vazia e não é Carnaval - e o viaduto com um cruzamento de carros e sinais tão confusos, que o melhor seria que eu fosse um avatar de Skanda para conseguir olhar em tantas direções ao mesmo tempo. E fora justamente nele que algo diferente ocorrera desta vez. Lá estava, colado bem no alto de sua lateral, um cartaz onde em letras garrafais se lia:


HALLOWEEN É SATANISMO. BRASIL, PAÍS CRISTÃO! 


O movimento que produzira o mesmo, do topo de sua má fé, ou ignorância, sublinhou as palavras Halloween e Satanismo com as cores azul e vermelha - quem sabe de modo a induzir subliminarmente uma referência aos Estados Unidos -, enquanto que Brasil e cristão traziam as cores verde e amarela abaixo. 

Talvez eles não soubessem que o Brasil não é cristão, mas é constitucionalmente um país laico. Talvez eles não soubessem que os EUA não são a origem do Halloween. Talvez eles não soubessem que mesmo a Inglaterra não representa a totalidade da fonte desta celebração. Talvez eles devessem pensar que um país tão mestiço e sincrético quanto o nosso, devesse celebrar o entendimento e a pluralidade cultural. Talvez eles devessem estudar um pouco mais antes de colar asneiras por aí...talvez, só talvez.


A ÁRVORE DO HALLOWEEN é um livro escrito por Ray Bradbury, publicado pela editora Bertrand Brasil no ano de 2014, com 155 páginas divididas em 20 capítulos.

Era Halloween. A noite mais esperada por aquele grupo de nove meninos que consideravam esta a data mais especial de todo o ano. Vestidos com suas fantasias de monstros, fantasmas e caveiras, estavam mais uma vez reunidos para sair pelas ruas de sua pequena cidade e bater de porta em porta em busca de suas recompensas. Sim, todos prontos, porém faltava um deles. O mais arteiro e generoso de todos simplesmente não aparecera até aquele momento. O que teria lhe acontecido?

Preocupados com a ausência de seu amigo mais especial, os oito meninos vão em direção a casa de Pipkin e lá o encontram, um tanto estranho, sem todo aquele vigor contagiante a qual todos estavam acostumados a ver em sua face, desta vez pálida e esquisita. Sem querer dar detalhes sobre suas condições de saúde, o jovem pede apenas que seus amigos iniciem a caçada por doces sem ele, pois os encontrará em seguida. Nos limites da cidade, o grupo de fantasiados chega ao local mais assustador de todo o perímetro: uma ravina repleta de cogumelos, animais estranhos e noturnos. O destemido Skelton, vestido com sua roupa de esqueleto, vai na frente, cruza o local, e guia seus companheiros em direção a casa mais esquisita de toda a cidade, repleta de chaminés e janelas assustadoras, portões e aldrabas com faces humanas, e uma árvore gigante e horripilante, lotada de abóboras sorridentes e macabras. 

O que encontram por lá? 
Gostosuras ou travessuras? 
E por que não gostosuras & travessuras?!

A trama, cheia de magia e situações inusitadas, descreve as traquinagens dos garotos em suas viagens pelos continentes, no tempo e na história, para descobrir as possíveis origens de sua festa mais querida, acompanhada da doçura de valores como doação e amor, em nome da amizade. Egípcios e alemães, gregos e romanos, celtas e franceses, ingleses e mexicanos, estão todos aqui, dando sua contribuição para esta data tão especial.

O livro de Bradbury é uma daquelas histórias infanto-juvenis que nos cativam desde o enredo até a forma de sua escrita, simples e fácil de ser acompanhada. As ilustrações feitas por Joseph Mugnaini são um mimo a parte, e apesar de focadas no tema principal da história - mortos, bruxas, morcegos, cemitérios e fantasmas, assustadores para a maioria das pessoas - tem o mesmo tom singelo que Ray traz em sua narrativa. 

Ao ler certas sinopses ou resenhas por aí, é provável que você se depare com a afirmação de que este livro se propõe a explicar de forma romanceada as origens do Halloween. Isto é em partes verdade, mas não de todo. De modo a evitar dar spoilers, vamos nos ater a dizer que este livro não tem grandes pretensões históricas, de de fato explicar as origens desta celebração através de um viés acadêmico ilustrado por uma história para crianças e adolescentes. Não. Entretanto, o livro traz de forma simples, referências filosóficas sobre as possíveis relações existentes entre a origem da comemoração do Dia de Finados em diferentes culturas ocidentais, o conceito do mito solar e em especial, sobre como lidar com a morte.

Este é um título indicado para todas as idades, para aqueles interessados no tema religião, e até mesmo, na temática esotérica. 

E apesar do contragosto de alguns, acho que desta vez seria ótimo encontrar, em um viaduto qualquer, não um cartaz demonizando uma festa pagã, seja ela qual for, mas um pôster anunciando a exibição nos teatros de A Árvore do Halloween. Afinal de contas, arte e conhecimento nunca são demais, mas ignorância é.


por Allan Trindade


Gostou? Quer comprar A ÁRVORE DO HALLOWEEN em um local seguro, com um preço mais em conta e ainda patrocinar o blog sem isso lhe custar nem um centavinho a mais? É só clicar no link abaixo: 
https://amzn.to/2pjr54q




segunda-feira, 4 de maio de 2015

Eu até hoje me pergunto quantas prováveis biografias sobre o "Homem mais terrível do mundo" existem. Quantas existem e quantas ainda hão de existir, afinal de contas, Crowley parece estar a cada dia mais em evidência midiática. Bandas, filmes, documentários, livros, sociedades secretas, pesquisadores, cristãos e malucos, sempre que podem, usam o nome da Grande Besta 666, seja para propagar ideias, ou difamar a imagem daquele que segundo os Thelemitas, é o Profeta da Nova Era...

Filho de pais cristãos fanáticos, fundamentalistas e protestantes, herdeiro de uma fortuna milionária, o garoto que em princípio parecia seguir o caminho do pai, e passar seus anos de forma medíocre e com medo de castigos divinos, resolveu revolucionar e viver uma vida verdadeiramente mágica!

A Magic Life é um livro escrito por Martin Booth, de 507 páginas, que vai lhe dar uma boa visão sobre os aspectos mais humanos de Aleister Crowley. O livro faz jus ao subtítulo de ser uma biografia, já que conta a história de um dos magos mais famosos do mundo, do momento do seu nascimento, até virar cinza...

Direto, sem apelos, por vezes constrangedor, em tantas outras inspirador, e certamente intenso...esta é a sensação ao virar de cada página, em cada capítulo da história daquele que viria a declarar a si mesmo como o novo redentor de toda a humanidade.

Cristão evangelizador, milionário, inconsequente, drogado, perverso, maldito, louco, libertário, gênio, bissexual, poeta, alpinista, devasso, pecador, anticristo, artista, profeta, mago,...a Besta! Com tantos adjetivos fica difícil imaginar, como tão poucas páginas, poderiam resumir todo o histórico de vida deste homem que influenciou - da música ao cinema - e continua influenciando - da literatura a política -, gerações desde o século xx até os dias de hoje.

Martin Booth é excepcional em sua função, e seguindo o contra fluxo da maioria daqueles que ainda insistem em fazerem biografias de forma tendenciosa, desempenha seu papel com a qualidade da imparcialidade e da escrita clara e sem dualismos esperada de um ótimo biógrafo.


Conquanto que você não espere - apesar do título que dá nome ao livro - extensas explanações sobre questões mágicas (ou mágickas?), sejam elas baseadas na terminologia usada por ocultistas, ou explicações sobre 'questões de Ordens'...encontrará nas páginas deste livro todas as informações necessárias para, caso queira, fazer parte de toda a turba da atualidade e também expressar sua opinião sobre um dos homens mais polêmicos do mundo...afinal de contas, não seria difícil imaginar que, caso ainda não tivesse sido criada, teria sido Crowley o autor da máxima: 
“Falem bem ou falem mal, mas falem de mim!”


por Allan Trindade

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Não se iluda: ser escritor, pertencer a Sociedades Secretas ou até mesmo ser um dos nomes mais destacados do esoterismo ocidental, não torna ninguém isento de falhas e erros. Se considerarmos que pela história esta parece ser uma regra, Papus, certamente, não é uma exceção!

Mas antes de continuarmos, entenda uma coisa: Esoterismo não é religião! Esoterismo é o conjunto de conhecimentos Tradicionais, e em muitos aspectos Ocultos, que dão base para a formação daquilo que vulgarmente se chama religião, ao que nós comumente nos referimos como Exoterismo.

O ABC DO OCULTISMO, publicado pela editora Martins Fontes, e escrito por um dos ocultistas mais famosos do século XX, Papus, é uma decepção em muitos momentos. Com um total de 345 páginas, a intenção do autor em escrever uma obra que seja uma espécie de introdução ao ocultismo, nos parece em princípio, bastante válida, e tenta resumir em capítulos distintos temas base para uma continuidade de estudos a posteriori do assunto em questão.

Lotada de referências externas a escritores modernos e antigos, em especial Alexandre Saint-Yves d'Alveydre - o criador do Arqueômetro -, além de todo um belo conjunto de imagens que ilustram suas explicações, a primeira vista, o livro pode soar como obrigatório a qualquer um que se pretenda ser ocultista algum dia. E de fato, por ser um escritor clássico, citado em qualquer conversa trivial sobre o esoterismo, há de se ter o mínimo de conhecimento sobre as ideias que o autor expressara em vida, para se ter o mínimo de noção opinativa.

Entretanto, antiguidade não é desculpa para falta de bom senso. O livro é péssimo em seu princípio, completo de referências a dados pseudo científicos (ou em outras palavras, e até em certos momentos, mitológicos), além de afirmações convictas sobre a existência de "realidades" que carecem do mínimo fundamento factual. Dentre estes absurdos, afirma categoricamente que Atlântida existiu[pg.3], nos fornece um mapa sobre sua localização[pg.4 e 5] e ainda se propõe a indicar os locais de migração "dos povos que lá viveram" para o resto do mundo. Porém, talvez o maior de todos os disparates esteja mesmo na página 117: " ... As erupções vulcânicas são produzidas por curto-circuitos da eletricidade vital terrestre, e o centro da Terra é habitado por seres de forma humana, mas com brânquias. ..."

Não obstante, abusa do neologismo até não poder mais...e mesmo assim vai além, e entope o leitor com extensa nomenclatura pseudo rebuscada, que se pretende diferenciar nuances encontradas dentro de sistemas e filosofias, que por mais que possam fazer sentido para um estudante mais avançado, são absolutamente descartáveis e desnecessárias para o buscador iniciante. Neste sentido, Papus mais parece uma espécie de Omar Khayyam - não o original, mas o charlatão brasileiro - com seu extenso conhecimento geral, que como um prestidigitador, desvia a atenção do público com diversos movimentos desnecessários para por fim, exibir seu grande truque...

Alguns de seus capítulos parecem compensar as baboseiras expostas em seu princípio. Fornece reflexões interessantes sobre Magia e até mesmo toma partido e comenta sobre o quanto alguns, moldados e condicionados pelos preconceitos da crença dominante, excluem de seu contexto esta palavra, mesmo que, sob nomenclatura diversa, lhe sejam adeptos. Traz ainda abordagens simples sobre os temas: Maçonaria, Egito, Alquimia, Astrologia etc...simples não por carecerem de coerência ou faltarem em qualidade, mas por terem a proposta única de serem uma introdução ao tema.  Veja que ainda assim, não estamos concordando com todas as afirmativas expressadas pelo autor, mas em alguns aspectos, podemos dizer que ainda há aquilo que se possa aproveitar.

O livro contém um ensinamento oculto, indireto por assim dizer. Nos leva a compreender sobre aquela necessidade clássica; é preciso saber separar o joio do trigo...ou, de forma mais direta e menos elegante; aquilo que presta, do resto!

Eu sinceramente espero que os absurdos encontrados neste título não sejam um reflexo geral de toda a imagem de tão aclamado ocultista, para que, quem sabe, possa afirmar doravante, que a primeira impressão não é a que fica...


por Allan Trindade

Gostou? Quer comprar o ABC DO OCULTISMO em um local seguro, com um preço mais em conta e ainda patrocinar o blog sem isso lhe custar nem um centavinho a mais? É só clicar no link abaixo:
https://amzn.to/2xz7MYB