terça-feira, 22 de dezembro de 2020

" Esta é uma Ordem perigosa, várias pessoas tiveram suas vidas destruídas depois de se envolverem com ela, teve até caso de suicídio! "

" Por que você está resenhando este livro? "

" Você não sabia que muitas pessoas que um dia estiveram envolvidas com esta Ordem não recomendam qualquer aproximação com ela? "

" Quanta irresponsabilidade! "


ORDO BAPHOMETIS é um livro escrito por Walter Jantschik, traduzido por Frater Iskuros, contém 48 páginas divididas em 6 capítulos e foi publicado no ano de 2018 pela Daemon Editora.

Todos aqueles que acompanham o Resenha Oculta já puderam notar que há um padrão para nossas publicações: primeiro a resenha escrita, depois o lançamento do vídeo. Este caso, entretanto, foi uma exceção. E não foi uma exceção porque assim o planejei mas simplesmente porque aconteceu. Quebrar padrões e rotinas é importante as vezes. E como dizem alguns que nada é por acaso, talvez tudo isso tenha tido sua razão de ser. 

Os comentários destacados acima foram extraídos de mensagens públicas e privadas que recebi após o lançamento do vídeo, advindas de algumas pessoas genuinamente preocupadas com o fato do que uma publicação deste tipo pode acarretar para a vida de outrem. Em um mundo repleto de egoísmo, é uma atitude no mínimo bonita de se ver. Porém, faz-se necessário esclarecer que o Resenha Oculta não tem por objetivo fazer julgamento sobre as decisões alheias. Não posso ser eu aquele que vai dizer se uma pessoa deve ou não enveredar-se por este ou aquele caminho, mesmo sabendo que outras pessoas possam ter tido prejuízos com isto. E isso pelo simples fato de que nossas escolhas e consequências dizem respeito as nós mesmos, e o que aconteceu para um, pode simplesmente não acontecer para outro. Tratemos do conteúdo do livro em si para exemplificar tudo isto.

Este livreto fora publicado no ano de 2018 com a introdução de que a Ordo Baphometis é uma Ordem mágica, hermética e gnóstica. Em seguida, na apresentação assinada por Frater Iskurus, encontramos uma pequena biografia sobre o início da Ordem, a qual se lê, dentre outras coisas, que este livro fora publicado originalmente em 1988, que o conteúdo nele apresentado fora escrito por Walter Jantschik (1939 - 2013), um ex Grã-Mestre da Fraternitas Saturni que migrou para a Ordo Saturni na década de 80. De acordo com a apresentação, a Ordem Baphometis fora criada em 1986, ou seja, dois anos antes deste livro, e a primeira Loja instalada em terras brasileiras ocorreu apenas 1999, ou seja, cerca de 13 anos após sua criação. 

Esta edição apresenta que os objetivos da Ordem são aqueles que buscam trabalhar em contraposição ao constante movimento polarizador perpetrados, segundo o autor, pelos mais diversos segmentos espiritualistas que intencionam desmaterializar o planeta. Esta Ordem busca, através de meios mágicos então, contrabalançar o constante apelo de sutilização da materialidade terrestre, exaltando a legitimidade física do mundo. 

Sendo dividida em 99 graus iniciáticos, a Ordem tem em Baphomet seu principal elemento de força, atribuindo a ele a origem de sua gnosis, e apresenta uma séria de rituais praticados em seu interior.

O tempo de existência da Ordem até a criação de sua célula brasileira unida a nenhum tipo de advertência sobre os fatos vivenciados por seus membros nesta publicação, pode indicar que apesar dos efeitos sofridos por alguns, isto pode não ter sido sentido por todos a nível internacional (lembremo-nos que esta não é uma Ordem brasileira). E destacar este ponto não significa que estejamos incentivando quem quer que seja a arriscar, da mesma forma que também não significa que estejamos dizendo que não o façam.  

Por isso faz-se necessário deixar claro aqui nossa posição sobre estes elementos: a intenção do nosso trabalho no Resenha Oculta é tão e somente aquele de expor conteúdos literários e analisá-los criticamente sob o viés da coerência daquilo que é apresentado pelos autores das obras. O Resenha Oculta objetiva estimular a leitura, pertencente a qualquer linha, filosofia, sistema ou prática, desde que enquadradas nos parâmetros estabelecidos sobre o que seja religião, ocultismo, esoterismo e demais segmentos da espiritualidade.

Ter este livreto não te obriga a nenhum tipo de afiliação ou ligação com a Ordo Baphometis, mas sem dúvidas, faz com que tenhas em mãos um documento histórico de uma Ordem que, seja por sua força criativa ou destrutiva, mostrou seu poder.

por Allan Trindade


post scriptum: e segundo fontes confiáveis, mesmo que alguém o quisesse, não poderia mesmo integrar as fileiras desta Ordem, visto que até a presenta data, a Ordo Baphometis não existe mais oficialmente no Brasil e nem mesmo no mundo.


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sexta-feira, 13 de novembro de 2020


Ideias sobre demônios permeiam e sempre permearam o imaginário humano. E engana-se quem acha que tal pensamento - ou percepção - é exclusividade de uma única religião ou segmento espiritualista
. Muitas são as doutrinas que descrevem a existência de tais seres, muitas vezes nem tão maléficos como costumam ser imaginados, mas inegavelmente e comumente potencialmente nocivos a existência humana. Nossa herança cristã nos legou tal conceito e temor, mas as fontes judaicas podem explicar mais especificamente certos detalhes oriundos destas crenças.

DIALOGOS SOBRE DEMÔNIOS é um livro escrito por Rav Zadok Hakohen e Rafael Resende Daher, contém 211 páginas divididas em 8 capítulos, e foi publicado no ano de 2020 pela Mubarak editorial.

A vida de sucesso do rabino Zadok, coautor desta publicação, começou cedo. Por volta de seus 12 anos de idade já se destacava em sua comunidade através de seus escritos responsivos aos textos judaicos. Progressivamente aumentou sua dedicação, seu envolvimento e religiosidade, casando-se jovem, ainda com seus 15 anos, provando sua maturidade precoce, embora este mesmo fator possa ter sido fonte para seu pronto declínio. Divorciou-se graças as fofocas alheias que punham em pauta a fidelidade de sua esposa, e buscou em outros ares o apoio de rabinos que apoiassem sua decisão. Casou-se ainda por mais duas vezes, sem entretanto nunca gerar filhos, o que considerou como um provável castigo pela forma como tratara sua primeira mulher. 

E é assim que Rafael Daher nos introduz esta publicação bilíngue que trata das especificidades literárias da tradição hebraica voltadas para a tratativa e relação com demônios dos mais diversos tipos. Destaca que neste estudo, serão apontados as relações existentes no ideário dos grimórios componentes da Tradição Salomônica de magia, e suas origens bíblicas, cruzando conexões percebidas entre as tradições cristãs, islâmicas e judaicas, entretanto sem fazê-lo de forma diretamente comparativa. 

Daher salienta que, apesar do destaque para este ponto, este livro não se propõe a analisar de forma pormenorizada e lateral os textos encontrados em todas estas tradições, mas de outra forma, busca nas fontes hebraicas passagens e versículos que indiquem para o leitor a provável origem deste ou daquele conceito Salomônico, ou mágico, de modo que, em tendo conhecimento de ambas as tradições, o próprio legente estará habilitado para perceber suas origens e influências. Assim, ao encontrar em um grimório, por exemplo, que Salomão construíra seu templo com ajuda de demônios, apresenta quais textos originais tratam dos detalhes desta história e desenvolve seus argumentos sobre estas fontes. 

Como destaques adicionais, acrescenta histórias sobre Adão e sua relação (inclusive sexual) com demônios. Lilith e sua fama distorcida no ocidente, visto que segundo a literatura, nunca fora ela símbolo de independência feminina, mas que toda esta ideia de rejeição a Adão fora criada a partir de um texto denominado Alfabeto de Ben Sirach, obra de conteúdo antissemita que traz uma série de histórias bizarras sobre sexo e flatulências, que ganhou destaque através de discursos feministas do século XX. A influência que os egípcios teriam exercido sobre os israelitas e sua adoração pagã a animais e o sacrifício dos mesmos para aqueles demônios de lá. A Torre de Babel e a transformação de alguns de seus habitantes em diabos por seu desejo de praticar idolatria. Necromantes e a enganação que praticam ou sofrem, visto serem os demônios os agentes de suas predições sobre o futuro, demônios estes que atuam sob a supervisão do Deus de modo a testar a observância de suas regras. As disputas destacadas no Sepher ha-Zohar entre a Luz e as Trevas e a punição das almas no Gehenom. As tigelas babilônicas e seus feitiços, dentre outros.

O livro se encerra com um capítulo escrito pelo próprio rabino Zadok Hakohen e suas explicações sobre Cabala, a Árvore da Vida, as sephiroth e qliphot, sendo estas últimas, segundo o autor, as cascas de proteção criadas para que a pureza e potência do poder divino emanado não destruam a criação. A existência das qliphot e sua força negativa, entretanto, seriam o motivo para a confusão exercida sobre muitos daqueles que delas se aproximam e que se sujeitam as suas más influências, tornando-os tão impuros em alguns casos, que nada mais lhes resta, nesta ou em outra vida, se não o inevitável destino de tornaram-se eles próprios demônios em si.

Todos aqueles que conheçam minimamente personagens como Moises, Salomão, Ashmodeus, Azazel,  ou mesmo itens específicos como Urim e Tumim, dentre outros elementos da tradição judaica, entenderão a proposta desta publicação. Um livro de referências que indica certas fontes da magia, religião e crenças populares que pode ser aproveitado de forma igualmente proveitosa por curiosos, pesquisadores ou esoteristas que se apoiem sobre as bases tradicionais da magia ocidental.

por Allan Trindade



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sábado, 17 de outubro de 2020

A religiosidade yorubá é essencialmente rica. Sua cosmogonia e visão espiritual nos falam sobre uma incrível diversidade de deuses e espíritos que em suas próprias existências e individualidades, se conectam entre si, a nós e aos destinos de nossas vidas. E tudo isso surge não de uma especulação supersticiosa sobre a vida e o pós vida, como costumam alegar os descrentes para justificar seus ataques contra o mundo das religiões e da espiritualidade. Mas de uma visão empírica sobre a existência, que quando observada a partir de uma perspectiva natural, faz notar, sem muito esforço inclusive, que tudo está conectado. Pare e pense sobre como as chuvas afetam o clima. Como os ventos orientam os pássaros. Como aquela abelinha acolá é responsável pela disseminação do pólen que faz com que as plantas floresçam e garantam que o apaixonado possa entregar um buquê de flores como prova de seu amor para um ente querido. O quanto você necessita de tudo aquilo que está ao seu redor para viver e sobreviver.

Sim, estas são forças naturais, físicas por assim dizer, mas que, assim como nós, também são orientadas por uma origem espiritual. Ou ao menos assim nos dizem seus adeptos.

As diversas conexões existentes entre tudo aquilo que existe nos oferecem ainda uma outra conclusão: a de que tudo possui uma origem. Esta origem explica aquilo que é, e aquilo que é tende a definir aquilo que será. Nada é por acaso. E é sobre esta certeza que se baseia Ifá. 

IFÁ é um livro escrito por Fernandez Portugal Filho com 198 páginas divididas em 24 capítulos e foi publicado no ano de 2014 pela Madras editora.

Podemos nos maravilhar sobre a beleza destas conclusões filosóficas e poéticas, mas sabemos: a vida real não é sempre tão bela assim. E é claro que se podemos observar a beleza das coisas, a oposição sempre chega, mesmo que a nosso contragosto, para nos dizer que a feiúra também existe. E assim a vida é. Se somos rodeados de seres de origem material e espiritual simpáticos a nossa existência, também o somos por seres antipáticos, e por vezes, para conseguir viver bem é preciso saber a quantas anda nossa popularidade na comunidade que nos rodeia. 

Orunmilá, o deus da sabedoria, é o orixá responsável pelo oráculo conhecido como Ifá a qual também seu nome lhe é atribuído. Segundo a tradição yorubana, Orunmilá fora enviado para a Terra por Oludamarè, o deus supremo, de modo que pudesse consertar algumas coisas que andavam estranhas por aqui. Sendo Ifá conhecedor de tudo que existe, e na companhia de Exu, responsável por fiscalizar como tudo estava se dando, desceu, cumpriu sua tarefa e deixou para nós os instrumentos necessários para que o contatássemos quando necessário, visto nossa visão ser limitada, e a dele, transcendental. 

Mas calma, qual relação existe entre um oráculo que possui o nome de um orixá e o mundo dos homens e dos espíritos? Como dissemos nos parágrafos anteriores, Ifá nos abre os olhos para as coisas que não conseguimos ver, e nos explica as razões para tudo aquilo que existe e o que deve ser feito para neutralizar e positivar as situações que atravancam o nosso progresso físico e espiritual. Assim, o sacerdote de Ifá, também conhecido como babalawo, orienta o consulente sobre quais oferendas devam ser prestadas aos espíritos ou divindades, para que tudo fique normalizado na vida daquele o consulta. 

Percebe como esta lógica também se aplica a vida material? Uma pessoa isolada, de poucos amigos, antipática para com aqueles que a rodeiam, tende a ter mais dificuldades na sociedade em que vive, que uma pessoa mais extrovertida e querida por todos. Se temos a preocupação de estarmos bem com nossos pares físicos, a mesma preocupação deveria ser destinada a nossos pares espirituais, não?!

O método consiste em: o babalawo faz uso de uma série de instrumentos mágico-oraculares, sendo o principal deles conhecido como Opele, lança-os na tábua, interpreta as imagens formadas conhecidas como Odu a partir da memorização de centenas de versos que, de acordo com a tradição, relatam histórias e eventos das vidas dos orixás. De acordo com a história do verso, e o teor daquele acontecimento, o sacerdote então corresponde o evento ao que está passando na vida do consulente. A indicação de um ebó(oferenda) é então sugerida para que aquele eventual problema seja solucionado ou evitado.

Estes Odu consistem em uma sequência de dezesseis figuras binárias, contendo um ou dois pontos, em quatro linhas horizontais de formação. Da combinação destas dezesseis figuras, duzentos e cinquenta e seis pares são formados, e todas conjunções se conectam a milhares de versos a serem acessados pelo sacerdote de memória. Os ebós, enfim, também se dividem em diversos tipos para os mais diversos fins e espera-se que o consulente preencha determinados requisitos para que as coisas funcionem bem, tais como recitação de versos em yorubá e resguardos específicos para cada oferenda, que podem incluir elementos simples como mel ou ervas, até coisas mais complexas como pombos vivos e ratos secos.

Este livro de Fernandez Portugal Filho é organizado numa sequência de capítulos que primeiro introduz o leitor aos instrumentos usados pelo babalawo, passando pela mitologia de Ifá e sua relação com outros orixás, tais como Exu, Olorun e Oxalá, apresenta os dezesseis odus e toda a complexidade de relações e significados de cada um deles, incluindo alguns de seus versos, e conclui apresentando os diversos tipos de ebós e suas finalidades, além dos momentos lunares mais propícios para realizá-los. 

É um livro essencialmente introdutório, que apresenta ao leitor que nunca tenha tido contato com esta religião os elementos básicos de sua constituição, sem com isso ser excessivamente raso ou enfadonhamente específico. É completo a sua maneira: simples, instrutivo e esclarecedor.

por Allan Trindade


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sábado, 26 de setembro de 2020

 


O Livro das Mentiras, que é também falsamente chamado QUEBRA, os devaneios ou falsificações do pensamento único de Frater Perdurabo, cujo pensamento é, em si mesmo, falso.

Quebra, quebra, quebra ao pé de tuas pedras, Ó Mar! e se pudesse eu pronunciaria os pensamentos que surgem em mim!

O LIVRO DAS MENTIRAS é um livro em capa dura, escrito por Aleister Crowley, contém 224 páginas divididas em 93 capítulos e foi publicado no ano de 2019 pela Daemon editora.

Eis uma das principais obras de Aleister Crowley, famosa por sua excentricidade e estranheza. O Livro das Mentiras, ou Liber 333 (e ser a metade de 666 aqui também não é feito por mero acaso), é constituído de 93 capítulos encabeçados por numeração, a qual, baseada em conceitos cabalísticos, direciona o sentido dos textos, que são sempre compostos por títulos exóticos, versos, rituais, expressões filosóficas ou mesmo de amor, e suas explicações na página seguinte.

"... [nele] Existem 93 capítulos: nós contamos como capítulos as duas páginas preenchidas respectivamente com um ponto de interrogação e exclamação. Os outros capítulos contém as vezes uma única palavra, frequentemente de meia dúzia a vinte frases, ocasionalmente algo em torno de doze a vinte parágrafos. O assunto de cada capítulo é determinado mais ou menos em função da importância cabalística de seu número. Assim o capítulo 25 fornece uma versão revisada do Ritual Menor do Pentagrama; 72 é um rondel com o refrão "Shemamphorash" , o Divino nome de 72 letras; 77 Laylah, cujo nome acrescenta aquele número, e 80, o número da letra Pé, referenciado a Marte, um panegírico sobre Guerra. Algumas vezes o texto é sério e vai direto ao ponto, outras  seus oráculos obscuros demandam conhecimento profundo da Cabala para sua interpretação, outros contém alusões obscuras, jogo de palavras, segredos expressos em criptogramas, duplos ou triplos sentidos que podem ser combinados com o objetivo de apreciar seu sabor total; outros novamente são sutilmente irônicos ou cínicos. A primeira vista o livro é um poço de falta de noção criado para ofender o leitor. Ele exige estudo infinito, simpatia, intuição e iniciação. Dado estes fatos eu não hesitaria em dizer que nenhum dos meus outros escritos eu ofereci tão profunda e compreensiva exposição da minha filosofia em todos os sentidos..."
Confessions

Ter um conhecimento mínimo sobre Cabala e o diagrama da Árvore da Vida faz-se mister aqui, vide a constante referência a este sistema esotérico. O livro começa com um poema onde Frater Perdurado - um dos nomes iniciáticos de Crowley - traça o plano de existência e manifestação do Universo: Ain, Ain Soph, Ain Soph Aur, que classifica como " A Tríade Anterior Primordial Que é NÃO-DEUS "; Kether, Chokmah e Binah como " A Primeira Tríade Que é DEUS EU SOU "; Daath como " O Abismo ", e assim sucessivamente até a conclusão de todas as esferas. Sobre este capítulo diz que "...pode, então, ser considerado como o mais completo tratado sobre a existência já escrito. " 

Exagero? Talvez. Errado? Está. Correto? Também!

Tudo isso pois o livro fora escrito sob a perspectiva de um alguém que, segundo a estrutura de seu próprio sistema mágico, religioso e filosófico - mas não apenas -, transcendeu o plano intelectual da dualidade, e alcançou uma visão e perspectiva sobre cada elemento da existência como conectado a fatores transcendentais à dicotomia vista a partir das perspectivas daquelas que não alcançaram tal posto. Logo, todo e qualquer binarismo é unido, afirmado, separado, negado, em um intercruzamento não linear de ideias e transcendido pela perspectiva da não divisão. Em outras palavras, o livro é assim chamado por conter em si ideias que são tão verdadeiras, e, ou, falsas, como tudo aquilo que é pertencente e percebido através da visão de quem ainda enxerga a vida a partir da perspectiva da Terra. 

O Livro das Mentiras é também o Livro das Verdades.

" O número do livro, 333, implica dispersão, de modo a corresponder ao título 'Quebra' e 'Mentiras'. Entretanto,  'o pensamento único é, em si mesmo, falso' e, portanto, suas falsificações são relativamente verdadeiras. Logo, este livro consiste em declarações tão verdadeiras quanto possível para a linguagem humana. "
Comentário

Mas não pense que toda esta aparente complexidade torna sua leitura impossível de ser compreendida por leigos. Alguns textos são absolutamente simples e não carregam nada além de uma mensagem direta para o leitor, como a indicação para não negligenciar as meditações diárias e matinais, por exemplo. Assim como alguns rituais, como a Missa da Fênix, que é exposta em sua completude nesta publicação, sem qualquer elemento misterioso sobre sua execução. Para além disto, dispormos desta edição em língua portuguesa e traduzida por thelemitas torna tudo ainda mais interessante, vide o cuidado e atenção para com o uso das palavras - que sabemos que os mesmos tiveram inclusive pela adição das notas de rodapé - , de modo que a essência de texto tão complexo não seja totalmente perdida. 

Liber 333 é essencial para todo thelemita e todo aquele interessado na obra de Crowley. Fora a partir da publicação deste livro que, segundo assim nos conta seu autor, o Outer Head of the Order da Ordo Templi Orientis teria entrado em contato com Aleister, alegando que o mesmo havia publicado os segredos de sua Ordem para-maçônica, tendo conferido a ele assim, o Grau IX da referida Sociedade. 

A partir desta publicação muitas coisas mudariam especialmente no contexto mágico e religioso de Thelema, mas isso já é assunto para uma outra história...

por Allan Trindade


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sábado, 22 de agosto de 2020


- VADE RETRO SATANA! Me diga seu nome! - ordenou o padre à jovem que, possuída e fragilizada pelas forças demoníacas que ocupavam seu corpo, naquele instante se debatia e mostrava os dentes como uma fera aprisionada e raivosa.

- Um, dois, três, quatro, cinco, seis! - disse enquanto tentava arrancar com as unhas a pele do sacerdote da Igreja de Roma.

- Demônio! Liberte esta serva de Cristo e me diga seu nome! 

- Um, dois, três, quatro, cinco, seis!

- Satã, inimigo da fé! Me diga seu nome, serpente das trevas!

- NOMES! NOOOOOMES! Nosso nome é Legião, pois nós somos muitos!

RITUAL ROMANO: EXORCISMO é um livro em quadrinhos criado por El Torres com 119 páginas, divididas em 4 capítulos e foi publicado no ano de 2019 pela Darkside Books.

Possessão: o domínio de um corpo humano praticado contra um alguém que ainda esteja vivo, por alguma força de origem espiritual de um ser desencarnado ou ainda por alguma entidade præter-humana. Sem dúvidas um dos assuntos mais intrigantes pertencentes ao mundo da religião, especialmente explorado pela literatura e cinema através do viés cristão católico, e deveras banalizado pelas denominações pentecostais e neo pentecostais do protestantismo moderno. Quem nunca assistiu O Exorcista ou O Exorcismo de Emily Rose   está perdendo a oportunidade de conhecer dois grandes clássicos sobre o tema. Embora muitos desses filmes possam parecer pura ficção, eles sempre contém algo de realidade que fora usada para o desenvolvimento do roteiro. Não raras as vezes, esta parte de realidade costuma ser justamente aquilo que muitos gostariam que não fosse real...

Foi todo esse ar sinistro que permeia muito destas histórias que atraiu, desde a infância, a atenção de Paco Plaza, roteirista e diretor da série [REC] e Jogo Sobrenatural, que escreve no prólogo desta edição. Plaza considera carregar uma maldição: a maldição de sentir um forte desejo pelo sobrenatural, pelo monstruoso, pelo aterrorizante. É fato, como ele, existem muitos. E foi assim, e com essa sensação de que temos o mesmo gosto, que um dia encontrou os quadrinhos de El Torres, responsável pela produção da presente obra, junto de Jaime Martinez e Sandra Molina. E que bela obra esses três produziram! E que ótima edição essa da Darkside, não? Capa dura, diagramação impecável e ainda alguns mimos para envolver ainda mais o leitor com o clima da história: um marcador de páginas grande com o desenho de uma caveira, símbolo da editora feito para encaixar bem nesse livrão, uma base para apoiar copos inspirada nas hóstias católicas e uma cruz de madeira para você se proteger e não ficar com medo de dormir sozinho a noite.

Agora que já falamos sobre o que trata este livro e sobre a qualidade de seu conteúdo e forma, faz-se necessário deixarmos algo claro antes que você continue esta leitura. A partir daqui falaremos sobre a história em si - que sim, como o título sugere, trata de possessão e exorcismo -, e portanto teremos que dar um pequeno spoiler sobre qual o enredo se desenvolve. Nada que vá estregar a experiência da leitura, mas vale a pena te avisar. Portanto, se você é do tipo que não gosta de saber absolutamente nada sobre algo que está prestes a ler, melhor parar por aqui.

Tudo começa com um padre tendo sua cabeça decepada em meio aos corredores da Basílica de Pedro, no Vaticano. O sacerdote implorara por sua vida clamando a Deus que tivesse misericórdia, mas seu algoz não se importara com seu desespero, alegando que Deus simplesmente não está naquele lugar. 
Em outra parte do mundo, padre John, um jovem e problemático exorcista atende um caso de possessão: uma jovem que vivia amarrada a uma cama por ter seu corpo dominado por demônios. John, um dos melhores em seu cargo, cumpre a contento sua função. A jovem fora salva, mas ao retomar sua consciência, lhe diz: - Eles te enganaram, padre! Minha possessão fora apenas um plano para te despistar para que eles ganhassem tempo para seu plano maior!

Imediatamente um enviado da Santa Sé chega ao local com uma carta e uma convocação para que John voltasse imediatamente para lá. Ao chegar, em meio a aprovação de alguns e reprovação de muitos outros por sua escolha e histórico, um grande segredo lhe é confiado: o mais alto sacerdote da Igreja, o Papa, está possuído pelo demônio, e sua função é resolver esse problema!

Para todos aqueles interessados em uma história em quadrinhos de qualidade em todos os sentidos, Ritual Romano: Exorcismo, será um ótimo investimento.

por Allan Trindade


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sábado, 8 de agosto de 2020

O começo de século XX viu surgir um curioso título que prometia trazer um resumo das ideias basilares, supostamente constituintes da sabedoria espiritual e teoria mental do antigo Egito e da Grécia. Assinado por Três Iniciados da tradição esotérica ocidental, seria este o livro que a partir de então influenciaria uma série de argumentos e pensamentos espiritualistas, mágicos e esotéricos, dando margem inclusive para os recém auto anunciados, e bem mais modernos, lunáticos quânticos e suas teorias espúrias.

Sendo assim, e para que não haja confusão: não, o Caibalion não fala sobre física quântica ou mesmo sobre o que alguns dizem (ou pensem) que tal ciência é. O Caibalion é acima de tudo um livro que surge como um amalgamador dos fundamentos do pensamento esotérico ocidental que tem por base a seguinte ideia: O Todo é mente. O Todo é a Realidade substancial oculta em toda manifestação do Universo. Tudo que é existe é uma manifestação do Todo. O Todo existe em tudo e tudo existe no Todo.

O CAIBALION é um livro escrito por Três Iniciados com 126 páginas divididas em 15 capítulos e foi publicado no ano de 2008 pela editora Pensamento.

Tal conceito, se posto de forma solta e abstrata pode ser usado como elemento para uma série de teorias alucinadas que em muitos casos nada tem a ver com os elementos filosóficos ou espiritualistas que estão por trás deste parecer. Ao afirmar que o Todo é mental, os Três Iniciados nos apresentam uma ideia simples, porém, complexa, que pressupõe a existência de um criador que através de sua própria imaginação, por assim dizer, criou todo o universo em que vivemos. Sendo assim, tal como nós fazemos num sonho, ele participa como substanciador da própria "criação onírica", está na criação, sem entretanto ser a própria criação, pois é aquilo que está além. 

 Pense em si como um exemplo, caro leitor. Sua mente cria seu sonho, você participa, mas você não é seu sonho, certo? A mente é então o grande agente da criação do sonho. E se nós, seres humanos, somos capazes de imaginar e usar a mente para criar, logo, possuímos em nós um diminuto, porém, não desprezível, exemplo de como tudo possa ter se dado neste universo.

Somos um exemplo limitado do Ilimitado. E isto porque, diferentemente do Todo, que é aquele cria, para criar precisamos desprender partes de nós, tal como na reprodução biológica comparável a de outros animais, onde sêmen e óvulo se juntam para formar um descendente. E por isso não podemos ser comparados ao Todo a ponto de dizermos que somos iguais a. Porém, e também, nos distanciamos dos animais quando através de nossa mente somos capazes de imaginar e criar sem diminuição de nossa própria substância existencial, embora para que tais criações mentais se materializem no plano terreno, precisemos sempre de materiais para produzi-los. Por exemplo, você pode imaginar a sua futura casa, mas para criá-la, precisará de materiais e uma série de outros elementos para torná-la física. O Todo não despende substância de si pois isso implicaria diminuição de si mesmo, o que não pode ser. O Todo não necessita de ferramentas para criar, pois cria através de sua mente. O Todo é mente.

Sendo assim, embora tenhamos características que possam nos dar um sempre ignorante vislumbre sobre nossa própria natureza, o que nos capacita a controlar determinados aspectos de nossa vida agindo para além de nossos próprios instintos, não somos capazes de romper com determinadas leis universais que nos afetam a todos, e portanto, precisamos aprender quais elas são, visto que sim, apesar do pressuposto poder mental, elas existem. Assim, o Caibalion nos apresenta uma teoria sobre a qual toda a manifestação desta existência estaria sujeita: as sete leis herméticas.

  • I - O Princípio do Mentalismo: o Todo é mente e se manifesta através dela.
  • II - O Princípio da Correspondência: todas as coisas possuem conexões.
  • III - O Princípio da Vibração: nada está parado, a variante reside na intensidade do movimento.
  • IV - O Princípio da Polaridade: tudo possui dois lados.
  • V - O Princípio do Ritmo: tal como um pêndulo, tudo oscila.
  • VI - O Princípio da Causa e Efeito: tudo é consequência de algo.
  • VII - O Princípio do Gênero: tudo possui dois gêneros, a variante reside no grau. 


Assim, conclui-se que para um adepto conseguir alcançar certo controle sobre sua própria existência, faz-se necessário desenvolver a própria mente de modo que ela seja um agente de sua própria realidade, sem com isso iludir-se com a ideia de que seja ele próprio o Todo em si. O adepto hermético seria então aquele que tendo alcançado a plenitude do conhecimento e aplicação de tais leis, seria capaz de utilizar-se de seu conhecimento para em cada um destes sete princípios aplicá-los sob vontade, tornando-se causa e não mais efeito ou mesmo neutralizando conscientemente os efeitos de determinadas causas, ao invés de simplesmente sofre-las.

O Caibalion é um clássico moderno do esoterismo ocidental. Conhecê-lo e tê-lo em sua biblioteca é uma obrigação para todo ocultista sério, não apenas para seu próprio enriquecimento intelectual, como também para se prevenir da influência de muitos destes aluados que andam ganhando fôlego por aí.

por Allan Trindade


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segunda-feira, 13 de julho de 2020


A capa deste livro induz os incautos ao erro. Isso mesmo. 
A capa desta edição traz escrito em seu título
o nome Wicca para Homens. E qual é o problema nisso? Nenhum, não fosse o caso deste livro não ser o Wicca para Homens. A.J. Drew possui duas publicações de títulos muito semelhantes voltadas especificamente (mas não exclusivamente) para o público masculino. São elas: Wicca for Men [Wicca para Homens] e Wicca Spellcraft for Men [Wicca Feitiços para Homens], sendo a última aquela referente a presente publicação brasileira. E embora a capa esteja errada, a folha de rosto, ou seja, aquela primeira página que aparece logo que abrimos o livro e que geralmente repete o título da capa, traz o nome correto: Wicca Feitiços para Homens.

WICCA FEITIÇOS PARA HOMENS é um livro escrito por A.J.Drew com 224 páginas, divididas em 9 capítulos e foi publicado no ano de 2002 pela Madras editora.

Drew começa o livro de forma enfática e provocativa, dizendo que se você é o tipo de pessoa que acha que não existem diferenças físicas e biológicas entre homens e mulheres, o melhor que você tem a fazer é nem começar esta leitura. Isto pois, segundo o autor, homens e mulheres possuem características próprias de nascença, que fazem com que não possamos nos tratar como absolutamente iguais em todos os sentidos, sendo este livro indicado não apenas para aqueles que concordem com isso, mas também para todos que já tenham uma noção básica sobre a Wicca. Ainda sob esta perspectiva, o autor destaca que entende que mulheres tenham mais facilidade para se relacionarem com a Deusa, e os homens com Deus, e que não há nada de sexismo nesse tipo de aproximação, apenas um sentido de correlação. Atribui a culpa por toda esta divisão moderna ter-nos sido legada pela Igreja Católica, que durante muito tempo demonizara a mulher e em seguida a todos, dizendo que tudo é pecado, gerando com isso um sentimento moderno reverso, fazendo com que mulheres acreditem que não precisam de homens. Porém, segundo  A.J., nenhum sexo pode ser realmente independente do outro, nascemos como seres complementares.

Dividido em três partes, o autor inicia a teoria deste livro falando sobre sua própria experiência mágica, relatando que a eficácia de seus feitiços variava, ora sendo efetivos ora não, e que muito disso se dava por sua falta de conhecimento teórico que foi sanada após a leitura de Magick In Theory And Practice de Aleister Crowley. Segundo o autor, magia é apenas uma maneira de explicar leis ainda incompreendidas da natureza, que quando assim o forem, serão chamadas de ciência. Portanto, não deve haver oposição entre aquilo que se entende por magia ou aquilo que se sabe sobre ciência. Visto ser a mente a principal ferramenta da magia, o autor cita uma série de exemplos de doenças psicossomáticas ou mesmo curas alcançadas através do poder mental, indicando a inegável conexão entre aquilo que se crê e se tem certeza, se sente e se realiza. Levando em consideração a natureza dispersa da mente, e portanto, as dificuldades de trabalhá-la magicamente quando não a se tenha treinado, indica exercícios e métodos de observação para descobrir seus próprios padrões mentais e demais elementos que se relacionam aos sentidos, como a visão, o tato, olfato, paladar e a audição.

Drew recorda que este é um livro de feitiços, e portanto, faz-se necessário falar sobre a ética de seu uso neste campo. Para o autor, tudo isto é relativo. A Wicca ensina que todos tem o direito de fazer o que quiserem desde que não prejudiquem ninguém. Mas como considerar isso de forma absoluta, se, por exemplo, para sobreviver, animais carnívoros precisam se alimentar de outros animais? A ética deve ser então sempre uma medida pessoal, decidida por cada um a partir de seu próprio universo, convicções e emoções. 

Na segunda parte, esclarece que em você sendo um deus, sua ética também é a ética dos deuses, assim como a do próximo, idem. Entretanto, apesar de todo este panteão existente no mundo, que somos todos nós, o mundo também está infestado por demônios espalhados, escondidos e disfarçados em todos os lugares, por isso, é preciso saber lidar com eles, e os feitiços são uma ótima ferramenta. Sendo assim, a dúvida costuma ser a principal inimiga de seu sucesso. O autor alega que crianças geralmente pensam que podem fazer tudo pois poucos adultos lhes disseram que não poderiam fazer o que quisessem. Logo, sendo você um adulto que foi por tantas vezes censurado, é sua responsabilidade quebrar estas barreiras e convencer-se da certeza que é capaz.  Oferece então uma série de sugestões de rituais para serem feitos neste sentido, relacionados a sonhos e tudo mais pertinente ao astral e ao subconsciente, e até para disputas políticas, pessoais e sociais, visto que a atitude combativa deva ser praticada para a derradeira vitória.

Por fim, na terceira e última parte, o autor traz uma enorme lista de receitas de incensos e tinturas e óleos mágicos, relacionando deuses de diversas culturas, chakras, planetas e tudo mais. E esta é, sem dúvidas, umas das melhores partes deste livro. À todos aqueles que veem na magia algo para além do pensamento positivo, é neste ponto que você será levado a acender seu caldeirão.

Wicca Feitiços para Homens é um livro interessante, dividido em teoria e prática, à melhor maneira da bruxaria tradicional: com muitas receitas de óleos, ervas e incensos para tornar o bruxo e o ambiente sempre envolvido com todos os elementos naturais possíveis para a execução de seus feitiços, feitiços que aqui, são destinados para quase todos os fins. É, por vezes, também militante, considerando que o wiccan deve se envolver com questões que transcendam seu próprio microcosmo e alcance questões sócio ambientais, em defesa dos animais, florestas e de tudo que envolva a natureza em seu sentido puro. É bom, especialmente se usado como um livro de receitas.

por Allan Trindade